
Ler Resumo
Introdução
A mpox voltou a crescer no Brasil em 2026, com 90 casos e novos estados afetados, embora o cenário esteja longe do surto de 2022. Infectologista Álvaro Furtado Costa explica o que está por trás dessa alta, a ligação com o pós-Carnaval, a circulação de cepas e os riscos de um novo surto. Saiba o que é preciso ter em mente.
- Mpox em alta: Brasil registra 90 casos em 2026, com São Paulo liderando as notificações.
- Cenário moderado: Crescimento pós-Carnaval, mas distante do surto de 2022, sem casos graves.
- Transmissão: Principalmente por contato íntimo e pele a pele; máscaras não são cruciais para a população geral.
- Novas cepas: Não há ligação comprovada entre a nova cepa da OMS e o aumento de casos no Brasil.
- Sintomas: Febre, lesões na genital e cansaço exigem atenção médica, especialmente após sexo desprotegido.
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Depois de muitos meses com números discretos, a mpox voltou a aparecer com mais frequência nos boletins epidemiológicos brasileiros. Embora o cenário esteja longe do surto que colocou o país entre os líderes globais de casos em 2022, o crescimento convoca a vigilância em saúde à redobrar o trabalho.
Segundo o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, atualizado na terça-feira (24), o Brasil já soma 88 casos confirmados e dois prováveis da doença em 2026. Na última semana, mais um estado, o Paraná, apresentou notificação de infectados.
Até o momento, esta é a distribuição de casos no país:
- 63 casos em São Paulo
- 15 casos no Rio de Janeiro
- 4 casos em Rondônia
- 3 casos em Minas Gerais
- 2 casos no Rio Grande do Sul
- 1 caso no Distrito Federal
- 1 caso no Paraná
- 1 caso em Santa Catarina
Apesar dos números, segundo o Ministério, não há registros de quadros graves nem de mortes, e a maioria dos pacientes apresentou sintomas leves a moderados. Ainda assim, o aumento em relação ao mesmo período do ano passado chama a atenção de especialistas.
Para entender o que explica essa alta, se há relação com nova cepa e qual é o risco real de um novo surto, a VEJA SAÚDE conversou com o infectologista Álvaro Furtado Costa, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pesquisador especialista no vírus.
Confira os principais trechos da entrevista:
Qual o atual status do Brasil em relação à mpox?
Álvaro Furtado Costa: Tivemos um aumento de casos nos primeiros meses de 2026, mas nada comparável ao que ocorreu em 2022, quando houve um surto global e o Brasil chegou a figurar entre os países com maior número de casos.
Esse aumento, provavelmente, é relacionado a eventos que favorecem aglomerações e o contato sexual, como o carnaval, já que a doença é transmitida pelo contato íntimo e pele a pele.
Isso não deve ser um motivo para estigmatização, mas a atividade sexual é a principal forma de transmissão da mpox. Por isso, muito provavelmente, a alta de casos conversa com este momento de maior contato físico [e menor percepção de risco].
Mas esta é uma ascensão moderada.
A questão é que não estávamos tendo praticamente nenhum caso há um tempo, então, agora, passar a ter algumas dezenas é algo que chama a atenção. Somos convocados a ter um olhar de atenção do ponto de vista da vigilância epidemiológica, com o intuito de promover diagnóstico rápido da doença.
Os números são maiores em comparação com o mesmo período (pós-carnaval) do ano passado?
Sim, são um pouco maiores. De fato, há uma circulação um pouco mais intensa do vírus neste momento, se compararmos ao ano anterior.
Mas, novamente, nada comparável ao surto de 2022. É uma pequena alta que chama atenção porque estávamos com números muito baixos e, de repente, passamos a observar uma circulação de casos numericamente maior. Ainda não são dados expressivos, mas suficientes para mobilizar a vigilância.
A situação é particular do Brasil ou está ocorrendo também em outros países?
A mpox é uma doença que apresenta diferentes cenários epidemiológicos ao redor do mundo. Na África, por exemplo, houve muitos casos em 2025. Em regiões de fronteira entre países africanos, a circulação costuma ser mais intensa, especialmente onde há menos controle sanitário e menor acesso a diagnóstico.
Na Europa, há registros pontuais, com circulação mais isolada. Portanto, o cenário global é bastante diverso. A gente vê ascensão em alguns países, mas ela continua sendo um problema importante somente em países africanos, onde a doença é endêmica, principalmente pela dificuldade de acesso ao tratamento adequado.
A OMS alertou recentemente sobre uma nova cepa. Ela pode estar ligada ao aumento de casos?
Ainda não temos dados conclusivos sobre isso. Essa cepa foi identificada em casos isolados. Os Orthopoxvirus [gênero da mpox, que inclui também os vírus da varíola] têm uma alta capacidade de sofrer mutações.
Diferentemente do que ocorreu com a covid-19, em que se falava muito em “variantes”, no caso da mpox utilizamos o termo “clado” [clado indica ramos evolutivos mais antigos e geneticamente distintos].
Existem dois principais clados no mundo: o clado I e o clado II. Eventualmente, pode ocorrer recombinação genética entre esses vírus, que compartilham material genético semelhante. Mas isso já era algo esperado para algum momento.
Até agora, porém, não há nenhum dado que mostre que essa nova recombinação esteja associada a maior gravidade ou que os casos no Brasil tenham sido causados por ela.
O tipo de clado envolvido nos casos faz diferença?
Com certeza. Provavelmente, a maioria dos casos no Brasil é de clado II, que causou o surto global em 2022. Historicamente, tivemos pouquíssimos casos de clado I, somente quadros esporádicos e importados, prinicipalmente de países da África.
Portanto, é pouco provável que tenhamos neste momento uma circulação de casos novos no Brasil de outros clados. Mas é importantíssimo saber, ainda que não tenhamos dados sobre uma diferença expressiva entre os clados quanto à gravidade dos casos.
As pessoas devem aderir ao uso de máscaras?
Para a população que não está em contato direto com pessoas infectadas, como o caso de profissionais de saúde, não é necessário. A mpox tem uma transmissão muito pequena por via respiratória.
A transmissão é muito mais eficiente pelo contato pele a pele, especialmente durante a atividade sexual.
Ainda assim, existe um potencial de transmissão — pequeno, mas existe — por essa via [respiratória] durante o contato próximo. Por isso, em caso de sintomas, é importante que o paciente se isole e, especialmente as pessoas que moram na mesma casa, evitem compartilhamento de lençóis, talhares, etc., bem como optem pelo uso de álcool.
Além disso, pessoas que têm cachorros ou gato, caso adoeçam, devem ficar afastadas dos seus animais. Temos casos relatados no mundo de pessoas que passaram a doença para os seus pets. Portanto, ela é uma antropozoonose: pode ser passada do animal para o homem e do homem par ao animal.
+Leia também: Tudo sobre mpox: quantos casos, a nova variante e quais os sintomas
O que mais a população precisa ter em mente sobre essa doença?
É importante considerar que, em caso de sintomas — como febre, lesões na genital e cansaço —, é preciso procurar atendimento médico.
A mpox é uma doença que tem relação muito intensa com a atividade sexual, então, se você apresentar lesões dessa natureza [com bolhas que lembram herpes ou catapora, por exemplo] após atividade sexual, especialmente desprotegida, é preciso considerar a possibilidade de ser mpox e procurar serviços para que você seja avaliado e não transmita para mais pessoas.
+Leia também: Aprenda a identificar as lesões do mpox e o que fazer se notar sintomas
Mpox: tudo o que você precisa saber
Fonte.:Saúde Abril


