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Introdução
Um estudo inédito na Nature, feito com ratos, sugere que os fios brancos podem ser um mecanismo de defesa do corpo contra o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. A pesquisa aponta que, ao “sacrificar” células danificadas que produzem pigmento, o organismo evita que elas se tornem malignas. Entenda essa fascinante hipótese.
- Descubra a inédita hipótese de que fios brancos seriam uma defesa contra o melanoma.
- Entenda como um estudo com ratos na Nature conecta o embranquecimento capilar à proteção celular.
- Saiba por que o corpo poderia “sacrificar” células danificadas para evitar o surgimento de tumores.
- Atenção: ter cabelos grisalhos não indica proteção nem risco direto de câncer em humanos.
- Reforce os métodos comprovados de prevenção: protetor solar e check-ups dermatológicos.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Os fios brancos que surgem em nossas cabeças com o passar da idade podem ser, em alguns casos, uma consequência externa das defesas aplicadas por nosso corpo quando está enfrentando um câncer de pele melanoma, o tipo mais agressivo.
Ao menos é o que sugere um estudo inicial, feito com ratos, publicado na renomada revista Nature. A pesquisa foi feita por estudiosos da Universidade de Tóquio e divulgada no final do ano passado, mas começou a repercutir no Brasil nas últimas semanas.
Segundo a análise, o embranquecimento dos cabelos e o surgimento do melanoma dependem da forma como o organismo lida com danos às células — um processo que ocorre tanto no envelhecimento quanto na formação de tumores.
Nesse contexto, os grisalhos poderiam surgir como uma forma do corpo impedir alterações malignas nas células responsáveis pelo pigmento e que poderiam resultar no câncer.
O que o estudo viu?
“O estudo, que ainda é pré-clínico, levanta a possibilidade de que o embranquecimento do cabelo seja consequência de um mecanismo de proteção celular“, explica Rodrigo Guedes, oncologista clínico e diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
Para entender isso melhor, vale saber primeiro como um câncer surge.
“Câncer” é um termo que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células. Isso acontece a partir de alguma mutação genética, ou seja, uma alteração no DNA da célula, que passa a receber instruções erradas para as suas atividades.
No caso do melanoma, o câncer surge a partir da proliferação descontrolada de melanócitos, células responsáveis pela produção de pigmento (melanina) na pele, fios do cabelo e olhos.
A pesquisa analisou folículos capilares e descobriu que as células-tronco presentes ali, quando sofrem essas tais alterações no DNA podem tomar dois caminhos opostos (e chamativos): parar de funcionar e morrer ou continuar se multiplicando.
De acordo com a pesquisa, o organismo pode optar por “sacrificar” essas células quando elas ficam desreguladas. Como são elas que produzem o pigmento (cor) dos fios, a sua partida termina tornando as madeixas prateadas. A outra possibilidade é que elas permaneçam no corpo e continuem se multiplicando, o que pode, eventualmente, levar à formação de tumores.
“Segundo a hipótese levantada pelo estudo, quando a célula responsável pela pigmentação do cabelo sofre danos do DNA, o organismo pode eliminá-las. Em teoria, esse processo poderia impedir que essas células evoluíssem para câncer, porque leva à sua eliminação”, resume Guedes.
Assim, os pesquisadores destacam que os achados podem mudar a percepção da Ciência sobre o relacionamento entre o embranquecimento capilar e o melanoma.
“Isso reformula a percepção do embranquecimento capilar e do melanoma, não como eventos não relacionados, mas como resultados divergentes das respostas das células-tronco ao estresse [celular]”, destacou a professora Emi Nishimura, líder da pesquisa, em nota para a imprensa.
Cabelo branco protege contra o câncer ou indica risco?
Flávio Brandão, oncologista da Oncoclínicas, ressalta que, embora o estudo sugira que o aparecimento de fios brancos possa estar ligado a um mecanismo de proteção contra células com potencial de virar câncer, isso não significa que ter cabelos descoloridos indique que a doença está em curso no organismo.
“Uma correlação direta não se pode ser estabelecida de jeito nenhum. Ou seja, não se pode concluir que toda pessoa com cabelo branco está protegida e, portanto, não terá melanoma, nem que os fios sejam um sinal de, necessariamente, aparecimento do câncer“, explica.
Os próprios pesquisadores de Tóquio reforçam que o estudo não sugere que o embranquecimento do cabelo previna o câncer, mas sim que as células-tronco de melanócitos podem passar por um processo chamado “senodiferenciação” — um mix entre envelhecimento e transformação celular.
“O envelhecimento, por si só, pode ser um fator de risco para o câncer. Já o embranquecimento do cabelo e o melanoma são duas coisas diferentes, mas que, eventualmente, podem vir a ser simultâneas. No entanto, de novo, não devemos presumir correlação, ainda mais baseada em um estudo feito em animais“, reitera Brandão.
Guedes concorda e reforça a importância de, antes de se apegar aos cabelos, aderir às ações reconhecidas como preventivas contra o câncer de pele. “Para reduzir o risco de melanoma, o que realmente importa continua sendo proteção solar, acompanhamento dermatológico regular e atenção às as lesões suspeitas de pele”, destaca.
“O estudo foi publicado numa revista super respeitada e ajuda a entender melhor a biologia das células que dão pigmento aos cabelos, mas foi feito em modelos experimentais, em animais, e em laboratório, então é preciso ter cautela ao extrapolar os dados para os seres humanos”, crava o presidente da SBOC.
Quantas vezes por semana devo lavar o cabelo?
Fonte.:Saúde Abril


