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10 de junho de 2026

Café deve ter safra recorde, mas El Niño preocupa setor – 10/06/2026 – Café na Prensa

Café deve ter safra recorde, mas El Niño preocupa setor – 10/06/2026 – Café na Prensa

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O Brasil deve ter este ano a maior safra de café da história, segundo projeções, mas a comemoração no setor é contida. Isso porque o setor se preocupa com o El Niño que se forma no Pacífico e que pode comprometer o desenvolvimento dos frutos que serão colhidos em 2027.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta 66,7 milhões de sacas na safra 2026, alta de 18% sobre o ciclo anterior e o maior volume da série histórica —superando as 63,08 milhões de 2020. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) vai além e projeta 71,9 milhões de sacas.

As estimativas encontram respaldo no campo. Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, diz que a expectativa é voltar ao patamar de 7 milhões de sacas na região, ante média de 5,2 milhões nos últimos dois anos. Por lá, assim como na maior parte do Brasil, a colheita ainda está no início —deve acelerar na segunda metade de junho.

Apesar da supersafra, dois fatores preocupam o setor. O primeiro é o nível dos estoques globais, que continua muito baixo após uma sequência de safras comprometidas nos últimos anos.

O segundo fator –e o que mais preocupa neste momento– é o El Niño. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico, pode alterar o regime de chuvas em regiões cafeeiras a partir do segundo semestre. Com isso, a floração e o desenvolvimento dos frutos que serão colhidos em 2027 podem ser comprometidos.

“Caso ocorram condições climáticas adversas que prejudiquem as lavouras e reduzam a produção, podemos enfrentar um cenário de restrição de oferta, o que, consequentemente, pode pressionar os preços para cima”, diz Claudio Delposte, analista de café do Rabobank no Brasil.

Laleska Moda, analista da Hedgepoint Global Markets, afirma que a safra recorde brasileira contribui para baixar os preços, mas que esse movimento pode ser limitado pelas preocupações com o El Niño.

A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) aumentou para 82% a chance de o El Niño surgir entre maio e julho deste ano e para 96% a probabilidade de ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. O órgão ainda projeta que, entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, há 2 em 3 chances de o El Niño ser de intensidade forte ou muito forte.

Para o consumidor final, a tendência no curto prazo é de estabilidade ou até de leve queda nos preços. A expectativa da supersafra ajudou a baixar os preços da matéria-prima. Com isso, as indústrias conseguem recompor –ao menos em parte– os estoques defasados.

O impacto do El Niño –se houver– deve demorar para chegar às gôndolas, já que as grandes marcas trabalham com contratos previamente estabelecidos, o que ajuda a amortecer oscilações de curto prazo.

“Nesse momento, ainda é cedo para afirmar se haverá reajuste relevante nesse segundo semestre”, diz Celírio Inácio, diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). Ele explica que o valor pago pelo consumidor final de fato depende em grande medida do que acontece no campo, mas que a definição de preço vai além disso.

A L’Or lançou a terceira temporada da série Rota dos Sentidos, que aborda a relação do café com o paladar, o olfato, a audição, a visão e o tato. Ela se passa em Belém e é apresentada pelo chef Thiago Castanho.

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Fonte.:Folha de São Paulo

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