O aumento do preço do café provocou uma mudança importante no comportamento do consumidor. Em vez de manter-se fiel à marca favorita, o brasileiro agora escolhe o produto mais barato, independentemente da marca.
Uma pesquisa bienal realizada pelo Instituto Axxus para a Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café) mostra que 39% dos consumidores agora compram apenas o café mais barato, contra 16% em 2023, quando foi realizado o levantamento anterior.
É a primeira vez que o critério exclusivamente focado no preço supera as demais variáveis que influenciam na compra. O levantamento mostrou que 22% escolhem a de menor preço entre as marcas que preferem, critério que era predominante na pesquisa de 2023 (43%).
Além da troca de marcas, a pesquisa revelou também que 24% efetivamente reduziram o consumo. É de longe o ano em que mais pessoas dizem ter abandonado a ingestão de café. Nas pesquisas anteriores, esse índice era de 3% (2023), 5% (2021) e 7% (2019).
Os números mostram que, embora o café seja um item essencial da alimentação no Brasil, ele perdeu seu status de item “intocável” no orçamento doméstico.
Essa mudança de hábito é reflexo da inflação do setor. Em 2025, o café fechou o ano com alta de 5,8% —um contraste com outros itens essenciais, como o arroz e o feijão, que registraram quedas de 31,1% e 14,3%, respectivamente.
A alta de preços se deve a variações climáticas, quebras de safras nos países produtores e baixos estoques. Essa combinação de fatores criou um cenário de instabilidade que tornou o preço do café volátil ao longo do ano. Entre janeiro e julho, o preço médio chegou a R$ 70,52/kg, embora tenha recuado para R$ 59,96/kg em dezembro devido à queda pontual da matéria-prima no final do ano.
A pesquisa “Evolução dos Hábitos e Preferências dos Consumidores de Café no Brasil”, publicada em setembro de 2025, foi realizada pelo Instituto Axxus para a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café).
A pesquisa ouviu 4.200 pessoas em todas as regiões do Brasil, com margem de erro de 2% e nível de confiança de 99%. Esta é a quarta edição de uma série histórica iniciada em 2019, com levantamentos também realizados em 2021 e 2023.
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Fonte.:Folha de São Paulo


