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13 de fevereiro de 2026

Câncer de testículo: por que tantos jovens descobrem tarde – e como agir já

Câncer de testículo: por que tantos jovens descobrem tarde – e como agir já

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Quando se fala em câncer, a maioria das pessoas associa a doença ao envelhecimento. No entanto, o câncer de testículo segue um caminho diferente.

Ele atinge principalmente adolescentes e adultos jovens, entre 15 e 35 anos, uma fase da vida em que muitos homens se sentem saudáveis, invulneráveis e pouco atentos ao próprio corpo. Esse contraste ajuda a entender por que, apesar de relativamente raro, esse tumor ainda é diagnosticado mais tarde do que deveria.

O problema não é a falta de tratamento eficaz. Hoje, as taxas de cura são muito altas, ultrapassando 90% quando o diagnóstico é feito precocemente. O grande desafio está em reconhecer os sinais iniciais e procurar avaliação médica sem medo ou constrangimento.

Um câncer silencioso entre homens jovens

O câncer de testículo surge a partir de alterações nas células germinativas, responsáveis pela produção de espermatozoides. Em muitos casos, ele cresce de forma silenciosa, sem causar dor no início. Como não interfere imediatamente na rotina, no desempenho físico ou na vida sexual, pode passar despercebido por meses.

Além disso, homens jovens costumam procurar menos os serviços de saúde, especialmente quando não sentem sintomas evidentes. Existe também uma resistência cultural em falar sobre o próprio corpo, principalmente sobre órgãos íntimos.

Esse conjunto de fatores faz com que muitos pacientes só cheguem ao consultório quando o tumor já aumentou de tamanho ou quando surgem sinais mais claros de alerta.

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Sinais que não devem ser ignorados

O sintoma mais comum do câncer de testículo é o surgimento de um nódulo ou endurecimento em um dos testículos. Nem sempre há dor. Outros sinais incluem aumento de volume, assimetria entre os testículos, sensação de peso na bolsa testicular ou desconforto local persistente.

Por isso, o autoexame testicular é uma ferramenta simples e importante. Ele pode ser feito durante o banho, quando a bolsa testicular está mais relaxada, permitindo perceber alterações de textura ou tamanho. Qualquer mudança que não existia antes deve ser avaliada por um médico. Não é normal sentir caroços duros ou notar crescimento progressivo de um dos testículos.

É fundamental reforçar que a dor isolada nem sempre está presente e, quando existe, pode ser confundida com inflamações benignas. Justamente por isso, a atenção aos sinais e a busca precoce por orientação médica fazem toda a diferença.

+Leia também: Testículos: o manual do proprietário

Câncer de testículo e infertilidade

Em geral, casos diagnosticados em estágios mais avançados da doença requerem uso de quimioterapia ou radioterapia que, juntamente com a extração do tumor primário ou com a cirurgia para a ressecção dos linfonodos retroperitoneais, podem afetar, temporária ou permanentemente, a função fértil do paciente.

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Como o tumor afeta, com frequência, homens que ainda não têm uma prole constituída e há grande chance de cura e de longa sobrevivência após a terapia, vale a pena conversar com o médico sobre a necessidade de congelamento do sêmen.

Diagnóstico precoce salva vidas

Quando identificado no início, o câncer de testículo tem excelente resposta ao tratamento, que pode incluir cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, dependendo do tipo e do estágio da doença. Na maioria dos casos, a retirada do testículo afetado é suficiente para o controle do tumor, com preservação da vida sexual e reprodutiva, especialmente quando há acompanhamento adequado.

O diagnóstico é feito por exame clínico, ultrassonografia e exames laboratoriais específicos. Quanto mais cedo o processo é iniciado, menores são as chances de tratamentos mais agressivos e maiores são as possibilidades de cura completa.

Falar sobre câncer de testículo não é motivo de constrangimento, mas de cuidado com a própria saúde. Romper o silêncio, incentivar o autoexame e normalizar a procura por atendimento médico são passos essenciais para mudar esse cenário. Informação salva vidas – especialmente quando se trata de homens jovens, que ainda têm muito futuro pela frente.

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*Marcos Tobias Machado é urologista, com doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da Brazil Health

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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Fonte.:Saúde Abril

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