9:24 PM
12 de março de 2026

Carlos Alberto de Nóbrega se recupera de pneumonia aos 90 anos; entenda riscos em idosos

Carlos Alberto de Nóbrega se recupera de pneumonia aos 90 anos; entenda riscos em idosos

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Carlos Alberto de Nóbrega completou 90 anos nesta quinta-feira (12), um dia depois de receber alta hospitalar. O apresentador foi acometido por uma pneumonia e estava internado em unidade semi-intensiva do Hospital Sírio-Libanês desde o último domingo (8).

Pouco antes da alta médica, a esposa do apresentador, Renata de Nóbrega, conversou com a coluna da jornalista Fábia Oliveira, do portal Metrópoles, e contou como começou o mal-estar que acabou levando à internação.

Segundo Renata, que é médica, Carlos procurou o hospital não por sintomas respiratórios, mas depois de registrar em casa uma pressão arterial de 18 por 11, considerada elevada. Assim, foi durante a investigação clínica que os médicos identificaram que ele estava com pneumonia.

A pneumonia é uma infecção pulmonar potencialmente grave e tende a afetar com mais frequência pessoas idosas, principalmente por causa das mudanças naturais no sistema imunológico e da presença de doenças crônicas.

Um estudo que analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro e maio de 2024 mostrou que a faixa etária mais afetada no Brasil é a de 80 anos ou mais, responsável por 44,5% das internações por pneumonia no período.

Por que idosos são mais suscetíveis?

A pneumonia geralmente surge após a invasão de vírus, bactérias ou, mais raramente, fungos. Assim sendo, o problema aparece quando o organismo não consegue conter esses micro-organismos.

Muitas vezes, o quadro começa com uma infecção viral, como gripe ou covid-19, que enfraquece o sistema imunológico e abre espaço para bactérias se multiplicarem.

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“Embora muita gente associe pneumonia diretamente às bactérias, a maior parte dos casos começa com infecções virais”, explica Fernanda Bacceli, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Esses patógenos podem afetar diretamente os pulmões ou reduzir temporariamente as defesas do organismo. Isso também pode permitir que bactérias que já vivem naturalmente nas vias respiratórias se multipliquem e causem uma pneumonia bacteriana secundária.

No caso de Carlos Alberto, segundo as informações divulgadas pela esposa Renata, o quadro não teve origem viral. Exames foram realizados para investigar essa possibilidade, mas a hipótese acabou descartada. Agora, os médicos tentam entender se houve um quadro que já começou causada por bactérias ou outro fator de risco associado.

“Pode ser uma pneumonia bacteriana primária, associada a um período de queda da imunidade”, diz Maria.

Seja como for, fato é que, nos idosos, o risco aumenta porque o sistema imunológico passa por mudanças naturais com o envelhecimento. “A partir dos 60 anos ocorre uma queda progressiva da imunidade, especialmente da resposta contra bactérias. Por isso, vírus respiratórios como influenza, covid ou vírus sincicial respiratório podem evoluir com mais facilidade para pneumonia nessa faixa etária”, explica a especialista.

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Uma vez instalada no pulmão, a doença compromete os alvéolos, pequenas bolsas de ar responsáveis pelas trocas gasosas. Essas estruturas passam a se encher de pus ou líquido, o que dificulta a oxigenação do sangue e pode provocar falta de ar e queda do estado de saúde em geral.

Por isso a pneumonia é tão perigosa. E, em pessoas idosas, as consequências costumam ser ainda mais graves. O organismo tem menos reserva fisiológica para lidar com infecções e doenças como diabetes, hipertensão ou problemas cardíacos podem piorar durante o processo inflamatório.

Quando os sintomas não aparecem

Como visto, o apresentador chegou ao hospital sem sintomas evidentes da doença, mas sim com um quadro de pressão alta.

De fato, a pneumonia costuma provocar sinais bem conhecidos, como febre, tosse com catarro, dor no peito e falta de ar. Mas, depois dos 60 anos de idade, o quadro pode ser bem mais discreto – e não por um bom motivo.

Isso acontece porque a maioria desses sintomas iniciais que chamam a atenção para algo errado no organismo são causados pela própria ação do sistema imunológico que, para combater infecções, gera um processo inflamatório no corpo. Com o envelhecimento e uma imunidade enfraquecida, essa resposta tende a ser menos intensa.

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“A presença da bactéria no pulmão, por exemplo, não gera sintomas por si só. O que causa tosse, febre e mal-estar é a inflamação do organismo tentando combater a infecção. No idoso, essa reação pode ser mais fraca ou mais lenta. E aí, a infecção pode repercutir na saúde cardiovascular”, alerta Maria.

Nessas situações, a doença pode se manifestar de outras maneiras. Alterações na pressão arterial, aumento da glicemia, confusão mental ou piora repentina do estado geral de saúde podem ser os primeiros sinais notáveis.

Essas alterações podem ocorrer porque a inflamação causada pela infecção libera substâncias que circulam pelo sangue e interferem no funcionamento de diferentes órgãos, inclusive no sistema cardiovascular. Como consequência, a pressão arterial pode subir ou se tornar instável.

Por esse motivo, explica a pneumologista, quando idosos chegam ao pronto-socorro com mudanças inexplicadas na pressão, no nível de consciência ou no controle do diabetes, médicos costumam investigar possíveis infecções, principalmente respiratórias e urinárias.

Indo além das complicações, vale abrir um espaço para destacar que nem todos os casos de pneumonia estão relacionados a vírus ou bactérias transmitidos entre pessoas. Existe também a chamada pneumonia aspirativa.

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Ela acontece quando alimentos, líquidos, saliva ou até conteúdo do estômago entram nas vias respiratórias e alcançam o pulmão.

Esse risco, por sua vez, também aumenta com o envelhecimento, porque problemas de deglutição e episódios de engasgo se tornam mais comuns. O refluxo gastroesofágico também pode contribuir, permitindo que pequenas quantidades de ácido do estômago cheguem às vias aéreas.

“Mesmo uma pequena quantidade de líquido ou alimento que entre no pulmão já pode desencadear uma pneumonia”, alerta a especialista.

+Leia também: Dificuldade para engolir na velhice não é normal

Vacinas continuam importantes na vida adulta

Diante desse cenário, especialistas destacam que a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir pneumonias e suas complicações.

De acordo com o Ministério da Saúde, as principais doses recomendadas após os 60 anos são:

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Influenza (gripe)

  • Esquema: 1 dose anual, com a vacina atualizada da temporada

  • Proteção: contra a gripe e suas complicações respiratórias

Covid-19

Pneumocócica 23-valente (VPP23)

  • Esquema: até 2 doses em situações específicas

  • Indicação: idosos acamados ou institucionalizados sem histórico vacinal e povos indígenas sem vacinação prévia com pneumocócica conjugada

  • Proteção: contra doenças pneumocócicas, como pneumonia e meningite

Tríplice viral (SCR)

  • Esquema: 2 doses, quando indicadas

  • Indicação: trabalhadores da saúde sem comprovação vacinal

  • Proteção: contra sarampo, caxumba e rubéola

Varicela (catapora)

  • Esquema: 2 doses, quando indicadas

  • Indicação: trabalhadores da saúde e povos indígenas que não tiveram a doença ou não têm comprovação vacinal

  • Proteção: contra varicela (catapora)

Além disso, Maria também recomenda o advento da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), causador da bronquiolite e especialmente perigoso para idosos e bebês.

“A vacinação reduz significativamente o risco de infecções respiratórias graves e suas complicações. Por isso, é uma medida indispensável para proteger a saúde dos idosos”, diz a pneumologista.



Fonte.:Saúde Abril

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