7:23 AM
14 de janeiro de 2026

Caso Bruna Furlan: por que o câncer de mama cresce entre mulheres jovens?

Caso Bruna Furlan: por que o câncer de mama cresce entre mulheres jovens?

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Na última semana, a influenciadora Bruna Furlan de Nóbrega, neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, anunciou que foi diagnosticada com câncer de mama aos 24 anos

A jovem conta que foi identificado um carcinoma mamário invasivo de tipo não especial, também conhecido como carcinoma ductal invasivo. Ele é o tipo mais comum de câncer de mama e surge nos ductos de leite, espalhando-se pela região.

No caso de Bruna, também foi encontrada uma metástase óssea, isto é, quando a doença também invade ossos.

A influenciadora decidiu compartilhar o diagnóstico para encontrar e apoiar outras mulheres jovens que estejam passando pelo tratamento oncológico.

“Eu estou deixando isso público, porque, no meio de toda essa trajetória, eu descobri que o câncer de mama tem crescido em mulheres mais jovens e isso foi algo que me chocou muito”, confessou em vídeo publicado em sua conta no Instagram.

“Quando eu descobri o meu câncer, eu fiquei muito revoltada. Fiquei com uma sensação de injustiça. ‘Como assim, eu tenho 24 anos. Como eu estou com câncer de mama?“, relata.

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Ao procurar histórias de mulheres que foram diagnosticadas com a doenças, Bruna só encontrou narrativas de pacientes mais velhas. Por isso, resolveu que irá compartilhar essa jornada para chegar naquelas que vivem a mesma realidade.

Nas redes, a influenciadora tem recebido muitas mensagens de carinho e  até histórias de mulheres que receberam a notícia na mesma idade e superaram a doença há mais de uma década.

“Eu sinto falta de ter alguém que eu de fato consiga me identificar e que eu consiga ver equilibrando o tratamento com a vida de uma jovem. Porque, querendo ou não, eu estou no auge da minha juventude”, diz Bruna.

Crescimento de casos entre jovens

Segundo um estudo publicado em 2023 no The British Medical Journal Oncology, a incidência de câncer em pessoas jovens, com menos de 50 anos, aumentou 79% ao longo de três décadas (entre 1990 e 2019). Entre os mais registrados estão o câncer de mama, o câncer colorretal, o câncer de pulmão, entre outros.

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No Brasil, estima-se que quatro em cada dez pacientes com câncer de mama tenham menos de 50 anos.

Segundo dados de 2022 da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), 5% das mulheres que receberam o diagnóstico têm menos de 35 anos de idade. Isso quer dizer que uma a cada 20 desenvolve o tumor tão precocemente — e por uma série de fatores ainda pouco conhecidos. 

O que diz a ciência

Chamado de câncer de início precoce, o problema é considerado uma epidemia global e emergente.

“Aumentar a conscientização sobre a epidemia de câncer de início precoce e melhorar o ambiente nos primeiros anos de vida devem ser nossos objetivos imediatos: é provável que isso reduza o impacto tanto do câncer de início precoce quanto do câncer de início tardio”, recomendam especialistas em artigo publicado pelo renomado grupo Nature.

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O câncer de início precoce é um desafio multifatorial. Seu surgimento pode depender de uma série de elementos genéticos,  ambientais e comportamentais.

“Muito se relaciona à mudança de estilo de vida”, avalia a oncologista Marcela Bonalumi, da Oncoclínicas. “Hoje temos uma população mais obesa, que consome mais produtos industrializados e as meninas tem menstruado cada vez mais cedo, levando à uma exposição hormonal mais precoce”, explica a médica.

+Leia também: Ultraprocessados podem antecipar data da primeira menstruação, diz estudo

Segundo Bonalumi, o uso indiscriminado de anabolizantes, como a testosterona, por jovens também é um fator de risco cada vez mais comum, inclusive entre mulheres. “Isso eleva o risco de câncer de mama“, afirma.

O fato de as mulheres estarem engravidando cada vez mais tarde também aumenta esse risco, pois adiam a amamentação.

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Para evitar, a médica orienta adotar uma rotina saudável, com dieta adequada, atividade física diária e eliminação ou redução do consumo de álcool. É importante também manter os exames de rotina em dia.

Casos muito precoces podem estar associados também a mutações genéticas, como as dos BRCA 1 e BRCA 2. Mulheres com forte histórico de câncer de mama na família podem procurar fazer testes genéticos para averiguar se há alterações e agira precocemente para evitar a doença.

A atriz Angelina Jolie, por exemplo, optou por fazer uma mastectomia preventiva e, mais tarde, também retirou os ovários para prevenir o câncer.

Abaixo, confira a análise de Marcela Bonalumi sobre o aumento de casos de câncer de mama em mulheres jovens.

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Fonte.:Saúde Abril

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