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7 de janeiro de 2026

Chineses usam regras de reciclagem da UE contra o bloco – 06/01/2026 – Economia

Chineses usam regras de reciclagem da UE contra o bloco – 06/01/2026 – Economia

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O sistema de reciclagem da União Europeia está sendo usado contra o próprio bloco por compradores chineses que adquirem sucata de alumínio, a fundem e a exportam de volta para a Europa como metal recém-produzido, segundo a maior recicladora do setor.

Emilio Braghi, vice-presidente executivo da Novelis, disse ao Financial Times que o setor corre o risco de um declínio que ele definiu como terminal, caso Bruxelas não cumpra a promessa de restringir as exportações de sucata para a Ásia e os Estados Unidos.

“Já perdemos a produção primária. Agora corremos o risco de perder a sucata de alumínio”, afirmou, observando que, nesse cenário, a Europa não conseguiria cumprir suas próprias metas ambientais.

Os produtores da UE pagam preços de energia até quatro vezes maiores que os de seus concorrentes e, por isso, passaram a priorizar a refusão de sucata, processo mais eficiente do ponto de vista energético.

O impulso à reciclagem faz parte dos esforços do bloco para reduzir as emissões de carbono a zero até 2050 e para reter mais materiais críticos dentro da UE, evitando a dependência de importações chinesas.

Segundo Braghi, a Europa é única no que se refere ao comportamento do consumidor e a disposição de pagar mais por produtos reciclados por preocupação com o meio ambiente e as mudanças climáticas.

“Vemos essa pressão vinda dos consumidores, seja na compra de um carro novo ou de uma lata de alumínio, com base em alto conteúdo reciclado. Não vemos isso em outros lugares”, disse.

Braghi observou que cerca de 70% das latas de bebidas na Europa são recolhidas, ante aproximadamente 40% nos Estados Unidos. Mas isso também significa que comerciantes compram o material e o enviam para outros países, onde conseguem preços mais elevados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de 50% sobre importações de alumínio, o que tem levado empresas a importar cada vez mais sucata, sujeita a taxas menores, para convertê-la em metal novo.

Enquanto isso, o governo chinês incentivou empresas a ampliar a capacidade de reciclagem para reduzir o uso de matérias-primas e cortar emissões.

A Novelis, com sede na Índia, investiu pesadamente em reciclagem na Europa. “Somos muito eficientes na Europa na coleta de sucata. Temos a melhor tecnologia, fizemos investimentos e agora precisamos garantir que estamos retendo o máximo possível da sucata coletada, sem permitir que ela flua para fora da Europa”, disse Braghi.

Na China, acrescentou, “a sobrecapacidade subsidiada cria uma concorrência injusta, já que eles podem pagar preços muito mais altos pela sucata”.

Associações do setor afirmam que cerca de 15% da capacidade dos fornos de reciclagem da UE está fora de operação por falta de sucata. O déficit é de cerca de 2 milhões de toneladas por ano.

O setor movimenta 40 bilhões de euros (R$ 253,5 bi) anualmente, emprega diretamente 250 mil pessoas e sustenta outros 1 milhão de postos de trabalho na Europa.

Em novembro, o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, prometeu limitar as exportações de sucata para permitir que indústrias usuárias de alumínio “tenham acesso a quantidades adequadas desse material estrategicamente importante a preços competitivos”.

As opções, que devem ser apresentadas nos próximos meses, incluem a imposição de uma taxa sobre exportações ou a definição de metas de conteúdo reciclado, segundo pessoas a par do assunto.

Braghi alertou que, se as propostas da Comissão Europeia fracassarem, haverá repercussões mais amplas para todo o setor de metais, além de impactos sobre as metas climáticas do bloco.

“Não sei quantos setores industriais na Europa conseguem oferecer a combinação de um ecossistema tão bem desenvolvido, a melhor tecnologia e o melhor know-how da indústria”, afirmou.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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