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18 de fevereiro de 2026

Christine Lagarde prepara saída antecipada do BCE – 18/02/2026 – Economia

Christine Lagarde prepara saída antecipada do BCE – 18/02/2026 – Economia

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Christine Lagarde deve deixar o Banco Central Europeu antes que seu mandato de oito anos como presidente expire em outubro de 2027, segundo uma pessoa familiarizada com seu pensamento.

A principal banqueira central da Europa, que ingressou no BCE, sediado em Frankfurt, em novembro de 2019, vinda do FMI, quer sair antes da eleição presidencial francesa em abril do próximo ano.

Segundo a pessoa com conhecimento de seu pensamento, Lagarde quer permitir que o presidente francês Emmanuel Macron, que está de saída, e o chanceler alemão Friedrich Merz encontrem um novo líder para uma das instituições mais importantes da UE. Não está claro quando a saída de Lagarde ocorrerá.

“A presidente Lagarde está totalmente focada em sua missão e não tomou nenhuma decisão sobre o fim de seu mandato”, disse o BCE.

Economistas europeus consultados pelo FT em dezembro consideraram o ex-presidente do banco central da Espanha, Pablo Hernández de Cos, e seu homólogo holandês, Klaas Knot, como os principais candidatos para se tornar o próximo presidente do banco central da zona do euro. A membro do conselho executivo do BCE, Isabel Schnabel, disse estar interessada no cargo, e pessoas informadas sobre o pensamento do presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, disseram que ele também está interessado na função.

Pessoas informadas sobre discussões em Paris disseram ao FT que Macron —que não pode concorrer a um terceiro mandato como presidente francês— há meses quer ter voz na escolha do sucessor de Lagarde.

A decisão de Lagarde segue a iniciativa do presidente do banco central francês, François Villeroy de Galhau, que anunciou este mês que deixaria o cargo em junho, 18 meses antes do fim de seu mandato. Embora Villeroy de Galhau tenha dito que decidiu sair para se juntar a uma instituição de caridade, críticos afirmaram que Macron abriu caminho para que ele pudesse fazer a nova indicação.

A eleição presidencial francesa em abril do próximo ano será crucial para a segunda maior economia da zona do euro e para a UE em geral.

Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita Rassemblement National, está consistentemente à frente dos rivais nas pesquisas, colocando-a em posição privilegiada para chegar ao segundo turno entre dois candidatos na votação presidencial final.

Embora Le Pen possa ser desqualificada de concorrer como candidata do RN após ter sido condenada no ano passado por desvio de fundos do Parlamento Europeu, ela disse que seu protegido Jordan Bardella assumiria nessas circunstâncias.

Tanto Le Pen, que está recorrendo de sua condenação, quanto Bardella são eurocéticos, o que pode complicar as relações com instituições europeias como o BCE.

Macron também agiu para blindar outros cargos-chave antes de 2027, nomeando recentemente um aliado próximo para a chefia do tribunal de contas nacional.

O período de Lagarde no comando do BCE foi marcado por uma série de crises, incluindo a pandemia de Covid-19, a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia e um conflito comercial com os EUA.

Sob sua gestão, a inflação na zona do euro disparou para perto de 11% no final de 2022, à medida que os preços da energia subiram após o ataque da Rússia ao seu vizinho e as cadeias de suprimentos globais sofreram gargalos relacionados à pandemia.

O BCE elevou as taxas de juros de menos 0,5% para 4% em pouco mais de um ano.

A partir de meados de 2024, o banco central reduziu os custos de empréstimos para 2%, à medida que a inflação recuou para a meta de médio prazo de 2% do BCE.

A nomeação de como presidente do BCE veio depois que Macron e a então chanceler alemã Angela Merkel fecharam um acordo surpresa em 2019.

Eles concordaram que Lagarde assumiria o BCE e que a então ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, se tornaria presidente da Comissão Europeia.

Lagarde disse à Bloomberg TV no mês passado que aceitou o cargo no BCE sob a impressão de que cumpriria um mandato de cinco anos, em comentários vistos por observadores como uma possível preparação para uma saída antecipada.

Ela relembrou como disse a Macron após concordar com o cargo de presidente do BCE: “Ficarei em Frankfurt por cinco anos. E naquele momento Macron disse: ‘Não, por oito anos'”.

No verão do ano passado, um porta-voz do BCE enfatizou que Lagarde “está determinada a completar seu mandato [de oito anos]” depois que o ex-presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, disse que a presidente do banco central havia discutido uma possível saída antecipada para assumir a liderança do FEM.

“Lamento informar que vocês não vão se livrar de mim tão cedo”, disse Lagarde a repórteres na sede do BCE em junho.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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