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17 de fevereiro de 2026

Cidade do México: dicas e bairros imperdíveis para sua primeira viagem

Cidade do México: dicas e bairros imperdíveis para sua primeira viagem

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Vibrante, histórica, intensa e surpreendente. A Cidade do México pode, sim, ser o único destino de uma viagem ao país. Com mais de 22 milhões de habitantes em sua área metropolitana, a capital mexicana é hoje uma das maiores e mais fascinantes cidades do mundo, onde passado e presente convivem em camadas visíveis a cada esquina.

Além de ser a segunda com mais museus do mundo, atrás apenas de Londres, a Cidade do México é única cidade a sediar três Copas do Mundo. Foi aqui que Pelé conquistou o tricampeonato em 1970, que Maradona fez história em 1986 e onde, em 2026, o Estádio Azteca  (hoje Estádio Banorte) voltará a ser palco de uma abertura de Mundial. Cultura, história, arte e futebol se cruzam de forma única – e ajudam a explicar por que a CDMX merece ser vivida sem pressa.

Se é sua primeira vez na cidade, estas dicas práticas vão ajudar a aproveitar melhor a experiência desde o primeiro dia:

Por que visitar a capital mexicana?

Além de ser a capital do país, a Cidade do México se destaca pela diversidade. Em poucos dias, é possível caminhar por ruínas astecas, visitar museus de nível internacional, explorar bairros criativos, comer uma das gastronomias mais suepreendentes do mundo e entender por que a cidade é considerada um importante pilar cultural da América Latina. Diferente do imaginário de sol e praia que muitos brasileiros associam ao México, aqui o charme está na vida urbana, na história viva e na intensidade cotidiana.

Dicas práticas para quem vai à Cidade do México

1. Planeje seus passeios por zonas: O trânsito é intenso e, muitas vezes, caótico. Organizar o roteiro por bairros ou regiões é essencial para ganhar tempo e evitar longos deslocamentos no mesmo dia.

2. Clima importa: Diferente do que muitos imaginam ao pensar no México como sinônimo de calor constante, a Cidade do México tem clima mais ameno por estar a mais de 2.200 metros de altitude. A primavera (março a maio) é quente e seca; o verão (junho a agosto) é a estação chuvosa, com pancadas concentradas no fim da tarde; o outono (setembro a novembro) tem chuvas em diminuição e clima agradável; e o inverno (dezembro a fevereiro) é seco, com manhãs e noites frias e grandes variações de temperatura ao longo do dia.

3. Tenha dinheiro e moedas em mãos: Apesar de cartões serem aceitos em muitos lugares, o uso de dinheiro ainda é comum. Gorjetas, chamadas de propina, fazem parte da cultura local e são esperadas em restaurantes, supermercados, postos de gasolina, salões de beleza e diversos serviços. A palavra pode soar estranha para brasileiros, mas em espanhol não tem conotação negativa. A moeda local é o peso mexicano.

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4. Visto: Desde 5 de fevereiro de 2026, o México retomou a emissão do visto eletrônico (e-Visa) para brasileiros que viajam por via aérea para turismo, negócios ou trânsito. O processo é feito totalmente online, sem necessidade de comparecer ao consulado, e a autorização permite permanência de até 180 dias. Não precisam de visto mexicano os viajantes que possuam visto válido dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido ou de algum país do Espaço Schengen (grupo de 27 países europeus com livre circulação, como França, Espanha, Alemanha e Itália). Basta apresentar esse visto junto com passaporte válido. 

5. Transporte: Prefira Uber ou aplicativos similares em vez de táxis de rua. O metrô e o Metrobús (ônibus de trânsito rápido que circulam em faixas exclusivas, com estações fixas) são eficientes e econômicos nas áreas centrais. Aos domingos, a Avenida Paseo de la Reforma, principal via da cidade, é fechada para carros, tornando-se perfeita para caminhar ou pedalar. Nesses dias – e também em regiões com boa infraestrutura cicloviária, como Reforma, Roma, Condesa, Polanco e o Bosque de Chapultepec – vale aproveitar a Ecobici, sistema público de bicicletas com estações espalhadas pela cidade, ideal para trajetos curtos e para vivenciar a capital de forma mais leve e sustentável.

El Ángel de la Independencia, Cidade do México
O Monumento a la Independencia fica na Paseo de la Reforma, que é fechada para carros aos domingos (Alejandro Giraldo Ortega/Unsplash)

6. Coma como um local: Não deixe de provar tacos em taquerias tradicionais, chilaquiles no café da manhã, enfrijoladas no almoço e, nos dias frios, o reconfortante pozole. Para quem quer se aprofundar, mole, tamales e cochinita pibil são imperdíveis. Não à toa, a gastronomia mexicana é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Comida apimentada? Sim, mas com ressalvas. A culinária mexicana usa pimenta, mas há inúmeras opções sem picância. Basta perguntar sobre os molhos e avisar ao garçom: “sin picante, por favor”.

BAIRROS E ZONAS PARA EXPLORAR 

Centro Histórico

Declarado Patrimônio Mundial da Unesco, o centro histórico é o coração da cidade e revela, literalmente, as camadas da história mexicana. No Zócalo, convivem vestígios da antiga Tenochtitlán asteca e construções do período colonial espanhol. A Catedral Metropolitana, o Palacio Nacional (com murais de Diego Rivera) e o Templo Mayor explicam o México em poucas quadras.

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Vale caminhar pela Rua Francisco Madero, exclusiva para pedestres, visitar o Palacio de Bellas Artes e, se quiser uma visão geral, usar os ônibus turísticos hop-on hop-off

Palacio de Bellas Artes, Cidade do México
O Palacio de Bellas Artes combina fachada em mármore branco em estilo art nouveau com cúpula colorida de azulejos (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Para comer com vista, as sugestões são o Balcón del Zócalo e El Mayor; para uma pausa clássica, vá ao Azul Histórico; e para doces, a dica é a tradicional Pastelería Ideal.

Bosque de Chapultepec

Um dos maiores parques urbanos do mundo, o Bosque de Chapultepec concentra alguns dos principais símbolos culturais da cidade. No alto do morro, o Castillo de Chapultepec oferece vistas incríveis e abriga o Museo Nacional de História. Logo ao lado está o Museo Nacional de Antropologia, considerado um dos mais importantes do mundo, com acervo fundamental para entender as civilizações pré-hispânicas do México.

Essa é apenas uma das áreas do Bosque. Outras seções abrigam o Papalote Museo del Niño, ótimo para quem viaja com crianças, o Parque Aztlán, com roda-gigante e atrações modernas, além de restaurantes como o Lago Algo. Tudo isso em meio a amplos espaços verdes, ideais para caminhadas, piqueniques e pausas ao ar livre no meio da cidade.

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Roda-gigante, Aztlán, Cidade do México
A roda-gigante do Parque Aztlán tem cerca de 85 metros de altura e vista panorâmica da Cidade do México (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Polanco

Elegante, arborizado e fácil de explorar a pé, Polanco reúne restaurantes, praças, lojas e alguns dos museus mais importantes da cidade. O destaque é o Museo Soumaya, de entrada gratuita, com arquitetura futurista assinada pelo arquiteto mexicano Fernando Romero. Financiado por Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo, o museu abriga um acervo impressionante que inclui a maior coleção de obras de Auguste Rodin fora da França, além de peças que vão da arte pré-hispânica à contemporânea. Mesmo visto apenas por fora, o edifício já é uma experiência à parte e um dos ícones visuais da Cidade do México.

Museo Soumaya, Cidade do México
O edifício do Museo Soumaya chama atenção pela fachada curva revestida com 16 mil placas hexagonais de alumínio, que refletem a luz e mudam de aparência ao longo do dia (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Para café da manhã ou brunch, a Cafebrería El Péndulo é uma excelente pedida. Aos fins de semana, o café costuma ter música ao vivo, em um ambiente que reforça a importância do café da manhã na cultura mexicana. A dica é provar os chilaquiles verdes, que ali costumam ser menos picantes, já que o local é bastante frequentado por turistas – uma ótima porta de entrada para quem está começando a explorar a culinária local. Instalado em um belo casarão, o espaço ainda conta com área dedicada a livros infantis e uma curadoria de objetos, cadernos e lembranças que rendem excelentes opções de presente.

Cafebrería El Péndulo, San Ángel, Cidade do México
Cafebrería El Péndulo: livraria, café e restaurante no mesmo espaço (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)
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Para almoçar ou jantar, as opções se multiplicam ao longo da Avenida Masaryk e nos arredores do Parque Lincoln, com restaurantes de diferentes cozinhas do mundo. Para fechar o passeio, a Amorino, rede conhecida por seus sorvetes artesanais, é uma parada certeira.

Roma

Boêmio, criativo e cheio de personalidade, Roma é um dos bairros mais vibrantes da Cidade do México. Conhecido por seus bares, cafés, restaurantes e feiras locais, é o tipo de lugar que convida a caminhar sem pressa, observando a arquitetura e a vida que acontece nas calçadas. A Panadería Rosetta está sempre movimentada e a Plaza Río de Janeiro, cercada de endereços animados, funciona como ponto de encontro ao longo do dia.

Panadería Rosetta, Cidade do México
Rol de guayaba da Panadería Rosetta (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

A região concentra algumas das taquerias e restaurantes mais interessantes da cidade, muitos deles recomendados pelo Guia Michelin, que recentemente passou a destacar a diversidade da gastronomia local: das mesas autorais às taquerias tradicionais. É aqui que fica o famoso Contramar, restaurante comandado pela chef Gabriela Cámara e parada quase obrigatória de artistas de passagem pela cidade – Dua Lipa sempre passa por lá quando está na cidade. O peixe grelhado servido com dois tipos de molho é um dos pratos mais conhecidos do restaurante, assim como a tostada de atum, leve, fresca e simplesmente deliciosa.

Entre as taquerias, destaque para a Castacán, recomendada pelo Guia Michelin e especializada em cochinita pibil e lechón. Criada pela mesma chef do Contramar, a casa combina ambiente aconchegante com sabores intensos e bem executados. Os molhos são organizados por nível de picância – ótima notícia para quem prefere ir com calma na pimenta – e vale provar também a torta de cochinita (o sanduíche local) e o pudim de sobremesa. Um exemplo perfeito de como, na Cidade do México, até um simples taco pode se transformar em experiência gastronômica.

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Castacán, Cidade do México
Tacos ‘Lechón’ e ‘Cochinita Pibil’ do premiado Castacán (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Coyoacán

Charmoso, histórico e com ritmo próprio, Coyoacán pede um dia inteiro. É aqui que está o Museo Frida Kahlo, a icônica Casa Azul, um dos passeios mais concorridos e imperdíveis da Cidade do México. Se fosse preciso escolher apenas um museu para visitar na capital, este seria o escolhido: pela força da obra, pela intensidade da vida de Frida e porque é impossível pensar na cidade sem associá-la à artista.

Instalado na casa onde Frida viveu com os pais e, mais tarde, com Diego Rivera, o museu vai além das pinturas. O acervo revela aspectos íntimos de sua história, incluindo a cama adaptada com espelho no teto, os aparelhos ortopédicos e a prótese usada após a amputação da perna direita, em 1953 – elementos que ajudam a compreender como a dor física atravessou sua arte. O museu costuma estar sempre cheio, por isso é essencial comprar o ingresso com antecedência.

Museo Frida Kahlo, Cidade do México
O Museo Frida Kahlo, a famosa Casa Azul em Coyoacán, é um dos mais visitados da Cidade do México (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Depois da visita, vale seguir para o Jardín Centenario, onde fica a conhecida Fuente de los Coyotes, ponto de encontro do bairro. Nos arredores estão boas opções para comer, como o Los Danzantes, citado pelo Guia Michelin e conhecido por sua cozinha mexicana contemporânea, ou turístico La Calaca, que combina pratos tradicionais com um ambiente colorido, tipicamente mexicano. Para completar, o bairro abriga ainda o Museo Trotsky e o animado Mercado de Coyoacán, ideal para provar comidas típicas e comprar lembranças.

Restaurante La Calaca, Cidade do México
A decoração colorida do restaurante La Calaca (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

San Ángel

Mais tranquilo e charmoso, San Ángel é conhecido por sua tradicional feira de artes e artesanato aos sábados, uma das mais antigas e autênticas da Cidade do México, que ocupa a Plaza San Jacinto e atrai tanto moradores quanto visitantes.

O bairro abriga o Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo, ícone da arquitetura funcionalista latino-americana, além de uma das mais belas unidades da Cafebrería El Péndulo. Instalado em um casarão histórico, o espaço foi citado no livro 150 Bookstores You Need to Visit Before You Die, da autora americana Elizabeth Stamp, que reúne livrarias únicas ao redor do mundo escolhidas por sua história, acervo ou cenário extraordinário. Aqui, livros, café e arquitetura se encontram em uma experiência que vai muito além da leitura.

Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo, Cidade do México
O Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo, onde casal trabalhou nos anos 1930, preserva móveis e objetos originais (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Para uma refeição especial, o clássico San Ángel Inn funciona em um antigo convento e oferece uma experiência completa, combinando gastronomia mexicana tradicional e um ambiente histórico que ajuda a entender o espírito do bairro.

Pirâmides de Teotihuacán

A cerca de uma hora da capital, Teotihuacán é uma visita impressionante para quem vem à Cidade do México. Antiga metrópole pré-hispânica, foi uma das maiores cidades das Américas em seu auge, com dezenas de milhares de habitantes, e exerceu enorme influência política, religiosa e cultural em toda a Mesoamérica. Hoje Patrimônio Mundial da Unesco, o sítio se organiza em torno da monumental Avenida dos Mortos, evidência de um urbanismo avançado para a época.

As construções mais emblemáticas são a Pirâmide do Sol, uma das maiores do mundo, e a Pirâmide da Lua, menor, mas igualmente impactante, que emoldura o início da avenida. Caminhar por Teotihuacán é sentir a grandiosidade de uma civilização que deixou poucos registros escritos, mas marcou a história com sua arquitetura monumental.

Pirâmide do Sol, Teotihuacán, México
A Pirâmide do Sol é a maior estrutura de Teotihuacán, com cerca de 65 metros de altura (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Depois de explorar as ruínas, vale a pena relaxar e completar o dia no restaurante La Gruta, instalado dentro de uma caverna próxima ao sítio, uma experiência única que combina boa comida com um cenário surpreendente.

Restaurante La Gruta, Teotihuacán, México
O La Gruta funciona dentro de uma caverna natural a poucos passos das pirâmides de Teotihuacán (Daniele Bellini/Arquivo pessoal)

Quantos dias ficar na Cidade do México?

Diante de tanta diversidade cultural, histórica, gastronômica e urbana, a Cidade do México não é um destino para ser visto com pressa. Para uma primeira viagem, o ideal é reservar ao menos cinco dias inteiros, o mínimo necessário para explorar alguns bairros, visitar museus, experimentar a culinária local e ainda fazer um bate-volta a Teotihuacán. 

Mesmo assim, a sensação ao ir embora costuma ser a mesma: a de que ainda ficou muito por ver. Intensa, multifacetada e surpreendente, a capital mexicana se revela aos poucos. É justamente isso que faz dela um destino que vale, sim, uma viagem solo e, muitas vezes, mais de uma visita.

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Fonte.:Viagen

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