Um grupo de 33 soldados que estavam retidos há três dias em uma comunidade amazônica da Colômbia, repleta de cultivo de plantas usadas para produção de drogas e onde opera a maior dissidência da extinta guerrilha das Farc, foram libertados nesta quinta-feira (28), anunciou a Defensoria do Povo.
Após fortes combates com os rebeldes, na segunda-feira (25) cerca de 600 moradores impediram a saída das tropas dessa zona no departamento de Guaviare (sudeste) em uma ação que o governo de Gustavo Petro classificou como um sequestro.
“Neste momento os soldados se retiram da localidade de Nueva York do município de El Retorno, em Guaviare. Pedimos para não estigmatizar a comunidade”, disse na rede X a defensora Iris Marín.
Delegações do governo, da Defensoria do Povo e da ONU mediaram a libertação dos soldados.
As retenções de militares e policiais são frequentes na Colômbia e costumam ser realizadas por camponeses que, de acordo com o governo, são obrigados ou manipulados pelos grupos armados em zonas com pouca presença do Estado.
Desde domingo (24), confrontos na região com a guerrilha Estado-Maior Central (EMC), comandada por Iván Mordisco, deixaram 10 mortos e 2 capturados. Inicialmente, as autoridades haviam informado que 34 soldados estavam sequestrados, mas depois corrigiram o número para 33.
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A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo
Mordisco é atualmente o homem mais procurado da Colômbia.
O Ministério da Defesa anunciou na rede social X que apresentou ao Ministério Público uma denúncia por sequestro.
O Exército reforçou “a segurança com mais tropas para evitar qualquer ataque nesse ambiente hostil” no qual a população local “está instrumentalizada” pelos rebeldes, segundo uma declaração do almirante Francisco Cubides, comandante das Forças Armadas.
Estes fatos “vulneram gravemente os direitos humanos dos nossos militares ao impedi-los de se movimentar e negar-lhes o acesso à água e alimentos, que já começam a escassear”, acrescentou ele.
Lá Fora
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Na semana passada, outro grupo comandado por Mordisco explodiu um caminhão-bomba que matou 6 pessoas e deixou mais de 60 feridos em Cali.
O EMC é o principal bloco de frentes que se recusaram a assinar o acordo de paz de 2016 com o qual se desmobilizou a maior parte das Farc.
O desarmamento da guerrilha deixou um vácuo de poder nos territórios que foi aproveitado por grupos rebeldes dissidentes, paramilitares e cartéis. As organizações se fortaleceram com as rendas do narcotráfico, da extorsão e da mineração ilegal, segundo especialistas.
Mordisco manteve negociações de paz com o governo Petro durante um ano, mas abandonou as conversas em 2024 e aumentou sua pressão violenta contra o Estado.
Fonte.:Folha de S.Paulo