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26 de fevereiro de 2026

Comer chocolate engorda sempre ou depende do tipo e da hora do dia?

Comer chocolate engorda sempre ou depende do tipo e da hora do dia?

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Acredita-se que o chocolate tenha sido criado pelos maias e astecas, povos que valorizavam muito o fruto cacau. Entre eles, inclusive, o cacaueiro era considerado um presente divino. Aliás, fazendo jus a esse histórico, a árvore recebeu o nome científico de Theobroma cacao, que tem origem grega e quer dizer “alimento dos deuses”.

Para os antigos mesoamericanos, o doce era reservado às ocasiões especiais e pessoas poderosas. Com o passar dos séculos, ele ganhou muito mais espaço na nossa alimentação, além de doses extras de gordura e açúcar. Foi aí que, de sagrado, o chocolate passou a ocupar um lugar bem mais vulgar em nosso cotidiano, com direito à preocupação com o seu impacto no peso corporal.

Mas será que ele é um vilão para o corpo mesmo? E o que faz diferença na relação entre o doce e a balança?

Essas foram as dúvidas encaminhadas para o quadro Boa Pergunta, da VEJA SAÚDE, pelo leitor Fábio, por e-mail. Agora, com apoio de especialistas, iremos desvendar esses mistérios. Você também pode ajudar a construir esse espaço escrevendo uma mensagem para o endereço saude.abril@atleitor.com.br.

Conhecendo o chocolate

A composição dos chocolates varia muito de acordo com a marca, país de origem e tipos. Mas, em geral, ele é feito de massa e manteiga de cacau, a gordura natural do fruto, além de açúcar e, em algumas versões, leite em pó e emulsificantes, aditivos que, entre outras coisas, aumentam a cremosidade.

O percentual de cacau também faz muita diferença. Por exemplo, o chocolate ao leite costuma ter a partir de 30% de cacau, além de leite e açúcar. Já o chocolate amargo tem maior proporção de massa do fruto — 70% ou mais —, e menos açúcar.

Dito isso, falemos sobre os nutrientes. O chocolate, especialmente o amargo, concentra flavonoides, compostos antioxidantes naturais do cacau. Esses elementos diminuem a formação de radicais livres que, em excesso, prejudicam nossas células.

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O fruto também conta com teobromina e cafeína, estimulantes leves do sistema nervoso central, que podem ajudar na concentração, além dos neurotransmissores feniletilamina e triptofano, que podem melhorar o humor. O cacau ainda é fonte de minerais como magnésio, ferro, cobre e manganês.

Portanto, uma porção de chocolate tem, sim, muitos benefícios. Mas, como quase tudo na nutrição, a diferença entre remédio e problema está na dose — e no tipo escolhido.

+Leia também: Chocolate pode ser saudável? Saiba como consumir sem culpa

Chocolate engorda?

“Sim. Chocolate é um alimento com alta densidade calórica, pois contém açúcares e gordura, especialmente manteiga de cacau, o que eleva seu valor energético”, explica o nutricionista Ícaro Cazumbá, conselheiro do Conselho Federal de Nutrição (CFN).

A guloseima tem, em média, entre 150 e 180 calorias em 30 gramas, diz a endocrinologista Cintia Cercato, diretora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Mas as coisas não são tão ruins quanto muitos acreditam. Afinal, os especialistas alertam que nenhum alimento sozinho causa aumento de peso.

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“O ganho ocorre quando há excedente calórico em relação ao gasto, independentemente do alimento”, destaca o nutricionista do CFN.

Talvez o maior risco em relação ao chocolate seja o quanto ele é irresistível. O sabor, o aroma, a textura que derrete na boca… Tudo neste produto é feito para ser viciante. Não à toa, cientistas até cunharam os termos chocólatra e chocoalismo para definir quem sente compulsão pelo doce.

“O que leva ao ganho de peso é o exagero. E o chocolate é muito palatável [prazeroso ao paladar], sendo facilmente consumido em excesso“, avalia Cercato.

Ainda assim, as evidências mostram que o consumo de chocolate por si só não tem efeito significativo sobre peso corporal, desde que consumido em quantidades moderadas, de 10 a 30 gramas por dia.

“Em meta-análises de ensaios clínicos, o consumo de cacau ou chocolate, com mais de 60% de cacau, não alterou peso, Índice de Massa Corporal (IMC) ou circunferência abdominal em adultos acompanhados por mais quatro semanas”, comenta Cazumbá.

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Ou seja: o chocolate, em excesso, pode, sim, contribuir para o ganho de peso, mas não “engorda” por si só. Esse efeito depende muito mais de como se dá toda a alimentação de uma pessoa.

O tipo de chocolate faz diferença?

“Muita diferença”, crava Cazumbá.

Por exemplo, o chocolate do tipo amargo (aquele com mais de 70% de cacau) conta com menos açúcar e mais nutrientes do fruto do que o “ao leite”, que ainda é mais açucarado, o que favorece o armazenamento de gordura e picos de glicose no sangue.

De todos, o chamado “chocolate branco” é o mais perigoso. É que ele não contém a massa de cacau, que é onde está a maior parte dos benefícios, restando apenas gorduras e doce.

Falando nisso, o tipo de gordura que compõe a guloseima também é importante. São elas que dão ao chocolate a textura macia e fazem com que ele derreta na boca, mas a atual crise do cacau tem provocado mudanças nas fórmulas que podem colocar a saúde em maior risco.

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Tradicionalmente, a responsável por esses efeitos é a manteiga de cacau, que possui proporções equilibradas gorduras “boas” (como as monoinsaturadas e poli-insaturadas, que ajudam a reduzir o colesterol LDL) e as “ruins” (como as saturadas, que o aumentam).

Embora o cacau contenha gorduras saturadas (como o ácido esteárico), elas possuem efeito neutro sobre o colesterol, segundo estudos, quando comparado a outras da mesma categoria.

O problema maior é que, com o preço do cacau nas alturas, cada vez mais a indústria tem trocado a manteiga por outras gorduras vegetais, como a chamada Cocoa Butter Substitute (CBS), frequentemente derivada de óleo de palma.

Especialmente quando são hidrogenizadas, essas gorduras podem conter gorduras trans, que são associadas ao aumento do risco cardiovascular.

“Gorduras como palma e coco apresentam maior teor de gorduras saturadas específicas, podendo alterar a qualidade nutricional final”, conclui Cazumbá.

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E o horário do consumo? Influencia?

As evidências científicas até agora não mostram diferenças relevantes dependendo do horário do consumo.

Na prática, dois pontos contam mais. Pessoas sensíveis à cafeína ou à teobromina — substâncias naturalmente presentes no cacau — podem ter o sono prejudicado se consumirem chocolate à noite.

Além disso, segundo Cercato, comer como sobremesa, após uma refeição, tende a gerar menor pico glicêmico do que ingerir em jejum. Isso quer dizer que o aumento do açúcar no sangue acontece de forma mais lenta e menos intensa.

O que realmente faz diferença para evitar ganho de peso?

Não precisa excluir o chocolate da dieta”, orienta Cercato. Segundo a endocrinologista, o que pesa mesmo é o tamanho da porção, a frequência do consumo e o padrão alimentar como um todo — além da prática regular de atividade física.

Ao escolher, vale optar por versões com maior teor de cacau e menos açúcar, e evitar produtos com grande adição de óleos vegetais.

Mas, no fim, os especialistas reforçam que chocolate nenhum age sozinho. “Atividade física e sono adequados modulam apetite, metabolismo e balanço energético”, exemplifica Cazumbá.

Portanto, é o estilo de vida — e não um único alimento, seja qual for o tipo ou horário de consumo — que inclina a balança para um lado ou para o outro.

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Fonte.:Saúde Abril

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