Celeiro
Três estrelas (Bom)
R. Dias Ferreira, 199, Leblon, região sul, Rio de Janeiro. @celeiroculinaria
O Leblon mudou bastante nas últimas décadas, assim como uma de suas ruas mais badaladas, a Dias Ferreira —que nem badalada era. Temakerias, árabes, orientais, bares de drinques, o que você imaginar em termos de gastronomia já tentou a sorte por ali. São raros os que se mantiveram na ativa por muito tempo.
O Celeiro, restaurante de comida saudável (ele se apresenta assim, e o faz com autoridade), observa tudo de camarote. A casa, fundada em 1982, mais que dobrou de tamanho com o passar dos anos e está ancorada na segurança de sua clientela fiel, um pessoal que vai atrás de saladas frescas, tortas salgadas, bolos, sanduíches, sopas, pães integrais e três ou quatro pratos quentes que variam diariamente.

Prato de saladas do bufê do restaurante Celeiro, no Leblon
–
Cleo Guimarães/Folhapress
Não há ingredientes da moda no estabelecimento das irmãs Lúcia e Beatriz Herz. É um restaurante tão low profile que, para preservar a privacidade dos artistas famosos que vivem nas mesinhas da varanda, instalou uma cerca viva para driblar os paparazzi que davam plantão por lá.
Servir comida descomplicada como a do Celeiro não é sinônimo de ser barato, pelo contrário. O sistema é o de bufê a quilo, a impactantes R$ 242. Concorre ao título de mais caro do Brasil, e isso não parece assustar seus frequentadores. Vai quem pode —e não é pouca gente, vive lotado.
O cardápio das saladas (as quiches também são vendidas a peso, e encarecem bastante o prato) muda a cada semana e há mais de duas dezenas de possibilidades. Todas com verduras fresquíssimas, legumes al dente, molhos interessantes e apresentação impecável.
No dia em que almocei por lá havia entre as opções: abóbora japonesa assada, lentilhas ao molho de mel, arroz integral com frutas secas, batata-doce ao molho de amendoim, berinjela assada ao molho cítrico, palmito grelhado, milho fresco.
O milho fresco é um bom exemplo da proposta do Celeiro: ele é debulhado manualmente, com grãos firmes, bem temperadinhos e cheirosos. Passa longe daqueles em conserva, imagina. O palmito in natura vem de Angra dos Reis. É essa a pegada, desde sempre.
A casa só abre para almoço e na minha visita comecei, claro, pelas saladas. Fui na de quinoa com cenoura e coentro (ótima, refrescante), na de fusilli com gorgonzola ao pesto (a do Gula Gula é melhor), e um tico da de abobrinha com muçarela de búfala. Acrescentei uma miniquiche de peito de peru com queijo, de massa fina e recheio saboroso.
Era só uma entrada (paguei R$ 70, com um pouquinho de cada opção), e fui de novo me servir. Veio então a grande estrela do dia: o arroz integral com frutas secas. Ele leva castanhas-de-caju, sementes de girassol e amêndoas, tudo mais crocante que o usual porque é aquecido na frigideira seca, sem qualquer tipo de óleo. Fica notável o contraste com a maciez do arroz e das frutas (damasco e figo).

Pavê de manga do Celeiro
–
Cleo Guimarães/Folhapress
Uma das alternativas quentes era a sobrecoxa ao curry com batata-doce, espinafre e arroz com lentilhas (R$ 70). Foi a que pedi. Boa, mas nada marcante. As saladas e as quiches é que se sobressaem e merecem todos os aplausos, assim como as sobremesas —o delicado pavê de manga com pedacinhos de morango e coco ralado (R$ 23) deixou saudades.
Repare que o Celeiro serve comida saudável, mas sem radicalismos, sem cortar o barato de quem gosta de carne, frango e até feijoada, pratos que trazem prazer ao comensal —logo, fazem bem à saúde. Simples assim.
Fonte.:Folha de São Paulo


