O que mais me surpreendeu em Gramado foi como cada lugar parecia ter um aroma específico, escolhido a dedo para representar o ambiente. De aromas mais doces aos mais cítricos, a cidade se revelava pelo olfato, com perfumes que conversavam com o que cada espaço parecia querer transmitir.
Não chega a ser surpresa. Com forte vocação turística, Gramado se consolidou como um dos principais destinos de inverno do Brasil, impulsionado pelo clima da Serra Gaúcha, pela herança europeia e por uma estrutura pensada para encantar em cada detalhe, da arquitetura ao cheiro que paira no ar.
Movimentada o ano inteiro, a cidade ganha ainda mais vida no inverno e durante o Natal Luz. Entre construções em estilo alpino e atrações que vão de parques temáticos a restaurantes concorridos, tudo ali parece pensado para criar uma atmosfera de conto de fadas. Ainda que carregue o apelido de “Suíça brasileira”, Gramado construiu uma identidade própria, muito ligada ao turismo, seja em viagens a dois ou em família.
E é nesse cenário, de detalhes e aromas, que o Hotel Wood, inaugurado em 2018, se insere. Ali, o perfume que senti logo na chegada misturava madeira com alguma especiaria – talvez canela – e já dava o tom do tipo de estadia que eu teria durante a semana: acolhedora.

Localizado no centro de Gramado, o hotel faz parte do grupo Casa Hotéis, o mesmo do Casa da Montanha e do Parador, em Cambará do Sul, vencedor do Prêmio VT na categoria Melhor Pousada de Serra em 2023/2024 e novamente em 2024/2025.
Arquitetura de aconchego
Exclusivo para maiores de 14 anos, o hotel aposta em uma atmosfera mais intimista, com ares aconchegantes, românticos e maduros. Do lado de fora, a fachada colorida, com o verde em destaque, segue a estética das construções de Gramado. Por dentro, no entanto, a proposta ganha mais personalidade, combinando o rústico com um design contemporâneo.
A madeira, aliás, é o fio condutor. Presente na arquitetura, nos móveis e nos revestimentos, ela reforça uma relação direta com a identidade da própria cidade, que é marcada pelo uso do material desde sua origem.
A recepção conta com sofás confortáveis, livros espalhados, lareira e uma pequena biblioteca. Logo na entrada, fui recebida com champanhe para brindar as boas vindas e uma equipe bastante querida, que me entregou o cartão para acessar o quarto (inclusive, no fim da estadia, o cartão vira uma tag de mala!).

No elevador, notei outro detalhe: cada andar é inspirado em uma árvore. Apertei o botão do meu andar, o 4º, representado pela pinha.
Os quartos
Seguindo pelo corredor em direção ao quarto onde eu ficaria hospedada, as portas vermelhas marcavam a presença.
O Wood conta com duas categorias de acomodação: a Wood Room, com cama queen size, e a Wood Suíte, mais ampla, com quarto e sala integrados e uma banheira com cromoterapia, ideal para quem busca mais espaço. Fiquei hospedada na primeira, e achei bastante aconchegante.
Ao entrar, me deparei com uma cama espaçosa e confortável, iluminação ajustável, persianas automatizadas – que se abrem com um simples toque no botão – e uma TV ampla. O ambiente é bem resolvido e pensado para quem passa o dia explorando a cidade, mas valoriza um bom descanso à noite. Acima da cama, um quadro com o desenho de casinhas reforçou o clima acolhedor.

Outro destaque é o minibar, incluso na diária. Dá para consumir tudo sem custo extra: água, cerveja, refrigerante, suco e alguns quitutes, como belisco de goiaba e crackers de queijo, que ficam à disposição no armário.

O banheiro, compacto, segue a mesma lógica funcional. As amenidades da linha própria da Casa Hotéis em parceria com a Rapháh chamam atenção pelo aroma, que lembram óleos essenciais e incensos. A iluminação também faz diferença: o espelhinho com luz de maquiagem era ótimo.

Ao lado da cama, pequenos cubos de madeira com números indicavam a temperatura máxima e mínima do dia. Para completar, um bolinho de cenoura e uma espécie de jornalzinho do hotel me desejavam uma estadia carinhosa.
Mas o diferencial estava justamente em cima da cama. Ali, um pequeno baú apresentava o menu de travesseiros, com opções para diferentes perfis de sono: mais altos, com camadas ajustáveis, modelos com tratamento terapêutico e outros pensados para quem dorme de lado ou de barriga para cima. O cardápio vem acompanhado de pequenos chaveiros em formato de travesseirinhos – basta escolher os preferidos e pendurar na porta do quarto. Dá até para pedir mais de um.

Essa escolha faz sentido porque, à noite, acontece algo que eu nunca havia visto em qualquer outro hotel: o ritual do sono. Mas isso eu te conto mais para frente, quando chegar a hora de dormir.
Lazer compartilhado
Enquanto a noite não chega, dá para aproveitar as áreas de lazer – ainda que elas não fiquem dentro do próprio Wood.
Como o hotel é menor e mais intimista, a estrutura de lazer está concentrada no vizinho Casa da Montanha, que faz parte do mesmo grupo. A boa notícia é que basta uma caminhada de três minutos para chegar até lá: é só subir a rua e depois atravessar a Avenida Borges de Medeiros.
Logo na entrada, um carrossel já chama atenção. Do lado de dentro, o cheiro — que, para mim, lembrava chocolate quente — e a decoração reforçam a estética de uma casa de montanha clássica.

Mas vamos ao que interessa: o lazer. A piscina térmica fica em um ambiente fechado, cercada por poltronas e espreguiçadeiras. No mesmo espaço, estão a sauna e a hidromassagem. Dá para passar a tarde inteira ali, ainda mais com o clima fresco da Serra Gaúcha.

Próximo à piscina e às saunas, o spa conta com salas de tratamento individual e para casais, pagos à parte.

Para quem não abre mão dos exercícios, a academia é bem equipada, com esteiras, bike spinning, pesos e outros aparelhos. Já quem prefere algo ao ar livre pode usar as bicicletas do Casa da Montanha gratuitamente – basta solicitar na recepção.
Jantar no Ocre
Com a chegada da noite, o estômago começa a roncar. Isso significa que chegou a hora de jantar no Ocre Restaurante & Bar de Charcutaria, que ocupa o térreo do Wood e também é aberto ao público, funcionando das 15h às 23h (faça sua reserva aqui.)

O cardápio, com curadoria da chef Roberta Sudbrack, valoriza ingredientes brasileiros e aposta em uma cozinha sem excessos.
Para iniciar a comilança, vamos falar da charcutaria. Os embutidos são laminados na hora, à vista dos clientes, e chegam à mesa com um carrinho de queijos para quem quiser explorar diferentes combinações. Entre as opções, aparecem clássicos como copa (R$ 49) e o presunto cru (R$ 69), além de escolhas mais diferenciadas, como o salame urutau (R$ 89) e a cecina de wagyu (R$ 89). Os queijos seguem a mesma lógica, valorizando produtores brasileiros. Dá para provar desde opções mais suaves até as mais intensas, como o gorgonzola doce e o azul do bosque. Para quem quiser ir direto ao ponto, há seleções com três tipos (R$ 79) ou cinco tipos (R$ 139), ideais para compartilhar – ou não.

Depois, experimentei o couvert irresistível do Ocre (R$ 49), uma ótima entrada, com pão caseiro, manteiga, azeite e uma panelinha de queijo derretido. Em seguida, vieram a salada de tomates flutuantes (R$ 69) – com cebolas assadas no carvão, burrata e basílico queimado – e a polenta orgânica mole gratinada, com cogumelos e milho assado (R$ 109).

Para não dar tempo de sentir fome ou vontade, em seguida veio o Wood Dog (R$ 79): brioche, salsicha Frankfurt, queijo raclette derretido, salada coleslaw e mostarda forte, acompanhado de batatas fritas. Talvez, à primeira vista, possa parecer confuso um cachorro quente no cardápio, mas isso não é por acaso, o prato carrega uma história. Foi vendendo cachorro-quente ao lado da avó, nas ruas de Brasília, que Roberta Sudbrack aprendeu o valor do ofício.

A salsicha é suculenta, a coleslaw bem temperada e o conjunto funciona sem exageros. Teria sido meu favorito da noite se não fosse pela sobremesa. As batatas fritas, aliás, merecem menção à parte. No cardápio, são descritas como “as melhores batatas fritas do (nosso) mundo” – e, honestamente, também entraram para o meu. São crocantes por fora, macias por dentro, feitas como devem ser.
Entre os principais, o frango caipira assado no forno a carvão (R$ 149) também chama atenção. Não se esqueça de dar uma olhada na carta de vinhos, que é bastante extensa.
Mas, como eu disse, foi na sobremesa que o jantar finalizou com chave de ouro. Entre opções como sagu (R$ 59) e torta de três leites (R$ 79), nenhuma conseguiu chegar ao nível de delícia da panqueca suflê preparada no forno a carvão (R$ 89). Servida com sorvete de nata e doce de leite quente, ela chega com uma aparência estufada à mesa e é finalizada ali mesmo, com o doce sendo derramado por cima. Leve e macia, ela é nada enjoativa, e só de lembrar já me dá água na boca…

O ritual do sono
Se você se lembra bem, lá em cima eu disse que voltaria para falar sobre o ritual do sono quando chegasse a hora de dormir. Bom, a hora chegou.
Ao voltar para o quarto, encontrei tudo preparado para uma noite que prometia – e entregou – um dos melhores sonos que já tive. O ambiente já estava ajustado com uma playlist para dormir e com as luzes mais baixas. Na cômoda, um chocolate sabor caramelo para adoçar o sono.
Na cama, estava o travesseiro que eu havia escolhido, feito sob medida para quem dorme de lado ou de barriga para cima, chamado Cervical +, acompanhado de um hidratante cheirosíssimo. Ao lado, um pequeno “manual” guiava o ritual: diminuir as luzes, se massagear, tomar um chazinho e se preparar para o descanso.

O sachê de chá ficava na bancada abaixo da TV, junto de uma chaleira elétrica e da água para o seu preparo. O chá foi bastante eficaz e me deixou com sono em questão de minutos. Depois, até perguntei o que tinha na infusão, e me informaram que se tratava apenas camomila. Potente demais, para mim funcionou quase como um sonífero.

Com as luzes apagadas, a música tocando baixinho, o corpo já hidratado e o chá tomado, dormir virou consequência. O mais difícil, na verdade, foi levantar no dia seguinte… a sensação era de que meu corpo tinha simplesmente se fundido à cama. Mas precisei sair, até porque não dava para perder o café da manhã.
Café da manhã sem pressa
Incluído na diária, o café da manhã é servido das 7h30 às 11h no mesmo espaço do restaurante e também leva a assinatura da chef Roberta Sudbrack (não hóspedes são bem-vindos mediante reserva).
Ali, o serviço combina buffet com opções à la carte. O buffet segue uma estética simples e acolhedora, como se fosse um café da manhã preparado numa fazenda: bolos, cucas, mel, cereais e frutas frescas ficam à disposição dos hóspedes.

O cardápio, no entanto, é o mais interessante. Há um menu inteiro dedicado aos ovos, que são protagonistas incontestáveis dos cafés da manhã. Dos clássicos ovos mexidos aos ovos vietnamitas, é difícil escolher. Eu recomendo a saborosa omelete de ovos caipiras com queijo gaúcho e bacon artesanal. Entre as opções, ainda aparecem preparos como o ovo gratinado no forno a carvão, com pão, tomatinhos e queijo raclette, e o ovo turco, servido com tzatziki e molho de pimenta.

As várias opções de ovos já fariam do café da manhã inesquecível por si só, mas há ainda outra opções de pratos. Meus favoritos foram a torrada de avocado – com abacate que praticamente derrete na boca – e a panqueca do Wood, servida com manteiga artesanal e mel, naquele estilo clássico que nunca falha.

Como chegar
O Wood fica em Gramado, na Serra Gaúcha, a cerca de 120 km de Porto Alegre. Para quem chega de avião, o aeroporto mais próximo é o de Caxias do Sul, a aproximadamente 66 km, mas o de Porto Alegre costuma ser a melhor opção por ter mais voos e melhor infraestrutura; de lá, o trajeto até Gramado leva cerca de duas horas e pode ser feito pela BR-116.
O hotel está a poucos minutos das principais atrações de Gramado, como a Rua Coberta e o Palácio dos Festivais (7 min a pé), além de praças, lojas, cafés e restaurantes. As diárias custam a partir de R$ 1.000, e variam conforme a data. Reserve aqui.
Leia o guia completo de Gramado
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Fonte.:Viagen


