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- Author, Lindsey Galloway
- Role, BBC Travel
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O mundo se tornou menos pacífico do que era no ano passado, segundo a edição mais recente do Índice Global de Paz (GPI, na sigla em inglês), divulgado neste mês. O nível geral de paz piorou em 99 países, marcando o 12º ano consecutivo de deterioração global.
O Brasil, por outro lado, foi da 130ª posição do ano passado para o 124º lugar no ranking de 2026. Com isso, o país deixou a faixa considerada de baixo nível de paz e passou para a categoria “média”, isso porque o relatório organiza os países em cinco níveis de paz, que vão de “muito alto”, “alto”, “médio”, “baixo” e “muito baixo”.
Ainda assim, em meio ao cenário geral de piora, um pequeno grupo de nações continua se destacando. “Essa queda catastrófica praticamente não afetou os países que estão no topo”, afirmou Steve Killelea, fundador e presidente-executivo do Instituto para Economia e Paz, responsável pela criação do índice em 2007.
O ranking avalia 163 países com base em 23 indicadores, entre eles gastos militares, conflitos em andamento, taxas de homicídio e percepção de segurança. Os países mais bem colocados costumam reunir baixos níveis de violência, instituições eficientes, alta confiança social, boas relações com países vizinhos e elevada qualidade de vida.
Conversamos com moradores dos cinco países mais seguros do mundo para entender como essa segurança é vivida no cotidiano, o que ajuda a sustentá-la e como os turistas também podem experimentar um pouco dessa calma e estabilidade.
1. Islândia

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A Islândia lidera o índice desde 2008 e continua sendo o país mais seguro do mundo pelo 19º ano consecutivo, segundo o levantamento. Em 2026, registrou uma melhora de 2%, impulsionada por uma forte queda em manifestações violentas, e segue entre os países mais bem avaliados em segurança, com baixos níveis de conflito e reduzida militarização.
“A sensação de paz está em toda parte na Islândia, na natureza que nos cerca, mas também é uma escolha consciente baseada em comunidades bastante unidas”, afirmou Oddný Arnarsdóttir, diretora da Visit Iceland. Ela atribui isso ao forte compromisso do país com a igualdade, incluindo igualdade de gênero, área em que a Islândia costuma aparecer entre os líderes mundiais, além de serviços públicos sólidos e amplo uso de energia renovável.
Esse compromisso vai além das políticas públicas, com os moradores pontuando um forte senso de coesão social e responsabilidade coletiva. “Temos muita consciência da sorte que é viver com essa sensação de tranquilidade”, disse Arnarsdóttir. “Isso reforça a importância de manter uma sociedade aberta e inclusiva.”
A localização remota do país também contribui. “O isolamento geográfico da Islândia faz com que ela fique menos envolvida nas tensões globais”, afirmou Eyrún Aníta Gylfadóttir, gerente de marketing do Hotel Rangá. “As paisagens abertas, as montanhas dramáticas, o ar puro e a abundância de água fresca desempenham um papel central na qualidade de vida aqui.”
Para experimentar o ritmo mais tranquilo da Islândia, Arnarsdóttir recomenda desacelerar e passar mais tempo ao ar livre, em vez de correr entre atrações turísticas. Vivenciar a cultura dos banhos termais também deveria estar no roteiro. O país possui mais de 120 piscinas geotérmicas, desde spas de luxo até piscinas de bairro frequentadas pelos moradores durante todo o ano. “Experimentar a calma da Islândia está diretamente ligado ao bem-estar”, afirmou Arnarsdóttir. “Seja por meio da cultura dos banhos geotérmicos, do contato com a natureza ou simplesmente pela possibilidade de se desconectar.”
A gerente também recomenda que os visitantes explorem atrações além dos pontos turísticos mais famosos. Arnarsdóttir destaca os mais de 220 museus espalhados pelo país, entre eles o Museu Nacional, na capital, e o Museu Islandês dos Monstros Marinhos, nos Westfjords. “Eu amo nossos museus excêntricos”, disse. “Esses espaços ajudam a preservar histórias e tradições locais e também incentivam as pessoas a viajar mais pelo país e conhecer diferentes regiões da Islândia.”
2. Nova Zelândia

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A Nova Zelândia ocupa o segundo lugar no ranking (em 2025 ela estava em terceiro lugar) e é o país mais seguro da região Ásia-Pacífico, além de apresentar o menor índice de conflitos em andamento da região. A melhora foi impulsionada principalmente pela queda nas importações de armas, e o país continua entre os menos militarizados e mais seguros do mundo.
Grande parte dessa tranquilidade está ligada à geografia. “Estar tão distante de quase tudo fez com que a Nova Zelândia evitasse boa parte das tensões geopolíticas que arrastam outros países para conflitos”, afirmou Warwick Woodley, cidadão neozelandês e fundador da NZ Golden Visa. Mas ele também vê uma explicação cultural. Segundo Woodley, os neozelandeses tendem a ser mais tranquilos e diretos, “geralmente mais interessados em seguir com a vida do que em criar conflitos”.
A sensação de segurança é tão comum aqui que quase passa despercebida. “A maioria das pessoas nem pensa muito nisso, o que provavelmente é o melhor sinal de que a segurança não costuma ser uma preocupação”, afirmou Woodley.
“As armas não fazem parte do cotidiano aqui e, depois de Christchurch [ataque que matou 50 pessoas em duas mesquitas de Christchurch, em 2019], as leis ficaram ainda mais rígidas.”
Os bairros ainda funcionam como comunidades, segundo Woodley, onde as pessoas se conhecem e cuidam umas das outras. “Esse senso de responsabilidade coletiva faz muita diferença em um país de cinco milhões de habitantes, onde é mais difícil passar despercebido.”
A baixa densidade populacional também facilita o acesso à natureza. “Montanhas, praias e trilhas estão sempre por perto, dependendo de onde você está”, disse Woodley. “A vida não parece estar constantemente escapando de você, como acontece em alguns países maiores e mais movimentados.”
3. Suíça

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Depois de ocupar a quinta posição no ano passado, a Suíça subiu para o terceiro lugar em 2026. O país combina baixos índices de criminalidade com uma política histórica de neutralidade militar, o que ajuda a mantê-lo entre os mais seguros do mundo.
“As pessoas parecem dispostas a dar espaço umas às outras aqui”, afirmou Cornelia Choe, coach executiva e autora que vive em Genebra. “Isso cria uma sensação de confiança, uma percepção de que as pessoas geralmente farão a coisa certa e de que a vida cotidiana funciona mais ou menos como deveria.”
Essa confiança aparece em situações simples do dia a dia. Choe conta que perdeu a carteira duas vezes na Suíça. Na primeira, um desconhecido a enviou de volta pelo correio poucos dias depois, com o dinheiro ainda dentro. Anos mais tarde, depois de deixar cair o cartão de crédito em uma estação de trem, a pessoa que o encontrou entrou em contato diretamente com o banco para cancelá-lo e evitar fraudes. “São pequenos episódios, mas que deixam uma impressão duradoura e criam uma sensação de segurança que não tem preço”, afirmou.
Para sentir a tranquilidade do país, Choe recomenda que os visitantes aproveitem o forte equilíbrio entre trabalho e vida pessoal existente na Suíça. Muitos estabelecimentos, por exemplo, fecham por duas horas no horário do almoço. Ela também sugere observar as quatro línguas nacionais e as diferentes identidades regionais do país.
“As sociedades não precisam concordar em tudo para se fortalecer”, afirmou. “Percebo uma norma de procurar acordos e soluções práticas que permitam às pessoas seguir adiante juntas. Talvez seja isso que a paz realmente seja: não a ausência de diferenças, mas um compromisso coletivo de encontrar maneiras de conviver bem com elas.”
4. Eslovênia

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A Eslovênia entrou pela primeira vez no grupo dos cinco países mais bem colocados do índice. O desempenho do país é sustentado pelos baixos gastos militares e pelos elevados níveis de segurança.
“Os eslovenos dão muita importância à comunidade e passam bastante tempo em contato com a natureza. Acredito que isso traz uma sensação de calma e estabilidade”, afirmou Jerneja Zver, que vive na capital, Liubliana, e gerencia operações da Intrepid Travel no Leste Europeu.
Zver contou que passa a maior parte dos fins de semana ao ar livre, fazendo trilhas, pedalando, esquiando ou encontrando amigos e familiares. Ela afirma que o forte equilíbrio entre trabalho e vida pessoal no país deixa mais espaço para relações que fortalecem o senso de pertencimento.
“Com conflitos e incertezas afetando tantas partes do mundo atualmente, me sinto muito sortuda por chamar a Eslovênia de casa”, disse Zver. “Hoje valorizo pequenas coisas que antes talvez visse como algo natural, como poder viver minha rotina em segurança e sem medo.”
Para conhecer melhor o país, Zver recomenda passar mais do que apenas um fim de semana em Liubliana. “Venha e passe uma semana”, sugeriu. O roteiro pode incluir rafting nas corredeiras do rio Soča, visitas às cachoeiras do desfiladeiro de Vintgar, perto de Bled, ou passeios de bicicleta pelas áreas montanhosas do país. “Qualquer coisa que você faça na Eslovênia, vai se impressionar com a hospitalidade das pessoas, as paisagens deslumbrantes e a natureza”, afirmou Zver. “E, claro, com uma ótima comida.”
5. Irlanda

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A Irlanda ocupa a quinta posição no ranking e se destaca pelos baixos níveis de violência e pelo envolvimento limitado em conflitos internacionais.
Para um país marcado por um passado turbulento, essa sensação de segurança não é vista como algo garantido. “A experiência histórica da Irlanda faz com que as pessoas tenham uma percepção muito clara dos perigos do preconceito e da importância de ser generoso e acolhedor com os outros”, afirmou Didi Ronan, fundadora do Native, hotel voltado ao turismo regenerativo em West Cork.
Ronan afirma que essa cultura de hospitalidade remonta às leis Brehon, que governaram a Irlanda durante grande parte do primeiro milênio e determinavam que viajantes e estrangeiros recebessem comida e abrigo. “Isso faz parte do nosso DNA”, disse.
A tradição irlandesa de neutralidade também contribui para essa sensação de paz em escala internacional, já que o país não participa de guerras estrangeiras nem de alianças militares. “Em um momento de volatilidade e incerteza global, há algo reconfortante em viver em uma ilha distante no Atlântico, cercada de boa música, caminhadas e livros”, afirmou Ronan.
“Nós valorizamos esse privilégio diante do enorme sofrimento e das injustiças enfrentadas por tantas pessoas no mundo hoje, algo que ecoa nossa própria experiência nacional.”
Para os turistas, Ronan recomenda buscar o lado mais tranquilo da Irlanda por meio da natureza, seja em trilhas por áreas de floresta ou em passeios pela costa. Ela sugere pegar a balsa para a ilha de Cape Clear, explorar as ruínas medievais de Three Castle Head ou visitar o círculo de pedras de Drombeg, perto de Glandore.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


