11:26 AM
23 de janeiro de 2026

Condenação é alento, mas não é um capítulo que se encerra, diz Cattani

Condenação é alento, mas não é um capítulo que se encerra, diz Cattani

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Gilberto Cattani, afirmou que a condenação dos assassinos da filha, Raquel Cattani, é um alento para a família. Os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde receberam a pena máxima, que somada, chega a 63 anos de prisão. Para o pai de Raquel, “não é um capítulo que se encerra, pois não tem como esquecer”.

“É um alento. Uma sensação de que vão, pelo menos, pagar um pouco daquilo que fizeram de mal à sociedade, principalmente à nossa família. É um capítulo da história que se encerra. É um sentimento de alívio também. Eu não se se encerra, né? Não tem como encerrar, não tem como esquecer”, disse Cattani à imprensa após o júri.

Deputado lembrou ainda que “o que tá feito, tá feito” e que “não tem como voltar atrás”. Romero, ex-marido da vítima, foi condenado como mandante do crime, com uma pena de 30 anos em regime fechado, enquanto Rodrigo foi considerado o executor, e pegou uma pena de 33 anos, 3 meses e 20 dias.

Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público, que sustentou que o crime foi premeditado e cometido de forma covarde, sem qualquer chance de defesa para a vítima.

Cattani também destacou o trabalho do Ministério Público e também da Defensoria Pública, que atuava na defesa dos réus. “Quando eu falo que a Justiça é falha no nosso país, eu não me refiro ao Judiciário ou os agentes envolvidos, me refiro a nossa legislação”. Para ele, o que mais alenta a família não é ver Romero e Rodrigo nessa posição, mas sim da ação da Justiça sendo efetivada.

Rodrigo foi condenado pelos crimes de feminicídio e furto. Já Romero foi condenado por feminicídio. Quanto ao feminicídio, ambos obtiveram a condenação máxima permitida pela legislação brasileira.

O julgamento durou 16 horas. Os jurados reconheceram a prática do crime de homicídio e consideraram as seguintes qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Raquel Cattani foi encontrada morta dentro da própria casa, no Assentamento Pontal do Marape, com múltiplas lesões causadas por arma branca. As investigações apontaram que o crime foi encomendado por Romero e executado pelo irmão, que ainda teria tentado simular um latrocínio para despistar a polícia.

Durante o julgamento, Romero negou envolvimento e chegou a afirmar que teria sido torturado por policiais para confessar o crime, versão rechaçada pelo Ministério Público. Já Rodrigo optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório.

Na fase de debates, o promotor João Marcos de Paula Alves fez um forte apelo aos jurados, afirmando que “quem só ouvir a versão de Romero sai abraçado com ele”, mas que o conjunto de provas demonstrava claramente a responsabilidade dos réus. Ele também exibiu uma foto de Raquel sorrindo e pediu que essa fosse a imagem preservada ao final do julgamento.

Destaques

Em resposta ao promotor João Marcos Paula Alves, o delegado Guilherme Pompeo informou que Romero, ao longo da investigação, se mostrou astuto, calculista e frio. Demonstrou ainda um comportamento melindroso e atento, com respostas pensadas e demoradas, se mostrando “esperto” e “malandro”.

Também foi observado a ausência de reação emocional, nem de tristeza, nem de felicidade. Investigação apontou ainda comportamento de perseguição e controle de Romero contra Raquel antes do crime.

Já o delegado Eduardo Edmundo Félix de Barros Filho lembrou que testemunhas ainda disseram à polícia que Romero tinha crises de fúria, descontrole emocional e pressão psicológica. Foi dito ainda que ele teria tomado remédios com objetivo de cometer suicídio. Essa seria uma das formas de manipulação emocional para manter o relacionamento com a vítima.

Para o delegado, ficou claro que ela vivia um “ciclo de violência”, caracterizado por “lua de mel” e depois momentos de agressividade. Com o avanço da investigação, não restou dúvida de que Rodrigo, irmão de Romero, era o executor do crime.

A mãe de Raquel Cattani sentou no banco das testemunhas. Bastante emocionada, Sandra Cattani contou a rotina da filha e o desespero de encontrá-la sem vida. Segundo relatou, a porta estava fechada. Ao entrar, encontrou Raquel caída no chão.

Inicialmente, pensou que a filha pudesse ter passado mal, mas ao se aproximar percebeu que o corpo estava gelado e rígido. Contou que chamou a filha, mas entendeu que ela estava morta. Lembrou que não conseguia acreditar no que estava vendo.



Fonte Jornal de Mato Grosso

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