São Paulo
A capital paulista vive um momento curioso: aberturas de bares e restaurantes continuam preenchendo imóveis em diferentes bairros. Mas, mesmo em um mercado bem abastecido, o público não dá sinal de que a disposição para conhecer novidades diminuiu —mesmo com preços, parte das vezes, recheados.
O êxito das casas em criar e inventar linguagens ajuda. Como exemplo, três restaurantes abertos há poucas semanas estão centrados em oferecer a própria visão de cozinhas tradicionais.
O Lavva é uma das inaugurações de maior peso, ao trazer de volta à cena Paulo Shin, chef que ajudou a consolidar a mesa coreana na cidade. Já o Le Freak apresenta sua própria interpretação da cozinha francesa, e a taqueria LosDos, da mexicana.
“Não sou mexicano nem meu sócio. Foi um processo de pesquisa, entendimento. Então são as minhas referências”, diz Caio Alciati, do LosDos. Ali, muitas das receitas, inclusive, fazem paralelos com preparos brasileiros. Mexicanos que visitam o lugar gostam da comida, mas observam a diferença, afirma. “Acho ótimo, porque a gente sempre deixou isso claro.”
Conheça, abaixo, oito novas casas abertas em São Paulo.
Casa Rios
Depois de migrar do Tatuapé, na região leste, para Pinheiros, o restaurante abriu as portas no início de março com a mesma proposta: técnicas formais europeias que ganham gingado com ingredientes nacionais pelas mãos do chef Rodrigo Aguiar. O menu com 70% de ingredientes vindos do interior de São Paulo é marcado pelo uso de lenha, brasa e defumação. Em um imóvel de 1950, é possível pedir milho com maionese de canela, pó de canjiquinha e cebolete (R$ 49) e arroz de cupim caldoso com manteiga queimada, avelã e maionese de limão (R$ 109). Tem menu com seis etapas a R$ 320.
R. Deputado Lacerda Franco, 478, Pinheiros, região oeste. @casariosrestaurante
Isca
Aberta em São Paulo há pouco mais de um mês, a casa nascida no Rio é inspirada pela rica cultura de bares do País Basco, na Espanha, e pela forte oferta de peixes e frutos do mar de cidades como San Sebastián. O menu tem pintxos, pequenos bocados típicos, mas as receitas estão abertas a outras influências. Um exemplo é a panqueca de milho com queijo da Serra das Antas (MG), por R$ 24. Do mar, há o pintxo de camarão com bacon, acelga marinada no shoyu e sweet chilli (R$ 40). Há também croqueta de jamón (R$ 14), mais espanhol impossível.
R. Dr. Miranda de Azevedo, 633, Pompeia, região oeste. @isca_sp
Lavva
A arquitetura do novo restaurante do Cidade Matarazzo, complexo que reúne centro de cultura, de compras e restaurantes ao lado da avenida Paulista, é de tirar o fôlego. Também é a cozinha, uma mistura de casa de carnes tradicional com churrasco coreano, assinada por Paulo Shin, chef que ajudou a consolidar a culinária desse país asiático em São Paulo. Há carnes à la carte (angus a partir de R$ 180), mas o destaque vai para os rituais da casa para o churrasco coreano, servido em grelha instalada no centro da mesa e preparado na hora, acompanhado dos tradicionais banchans (a exemplo do kimchi). São oferecidos em três modalidades, que começam em R$ 340. Na segunda categoria (R$ 490) há mais cortes da raça wagyu e na terceira (R$ 980), presença de caviar.
R. Itapeva, 569, Cidade Matarazzo, Bela Vista, região central. @restaurante.lavva
Le Freak
Oferecer uma interpretação própria da cozinha francesa é o ponto de partida do restaurante, que combina com sucesso ares clássicos e contemporâneos no menu, no ambiente e no atendimento. No salão confortável e descolado, onde funcionou o Ramona, serve receitas assinadas pelo chileno Juan Pablo Montes, formado pela Le Cordon Bleu Peru. Para começar, há boas conservas (R$ 18), moules et frites (R$ 64). Entre os pratos individuais está o arroz caldoso de pato (R$ 105) com morcilla, aïoli de limão e conserva e opções que servem duas pessoas, como o linguado au beurre blanc (R$ 110).
Av. São Luís, 282, região central. @lefreak.menu
LosDos Taqueria
Marca o retorno do negócio que funcionou em uma portinha na rua Guaicuí, em Pinheiros, e encerrou as atividades em 2024. Em um imóvel maior, em sintonia com a atmosfera animada da Vila Madalena, os chefs Caio Alciati e João Gertel, também à frente da LosDos Cantina, servem clássicos mexicanos para quem deseja ampliar o repertório dessa cozinha, como o taco al pastor (R$ 16). Mas também oferecem criações —muitas têm paralelo com a cozinha brasileira— a exemplo do taco com frango e quiabo (R$ 17) e da tostada de acarajé (R$ 25).
R. Harmonia, 150, Vila Madalena, região oeste. @losdos_taqueria
Setim
Focado nos mocktails e drinques com baixa quantidade de álcool, tem como carro-chefe o shrumble, feito com shrub (xarope concentrado de frutas e vinagre) de morango, limão-taiti, bitter de ruibarbo e pimenta gochugaru (R$ 27). A carta também inclui o nero, preparado com alecrim, gengibre, amora, bitter de laranja, ginger ale e limão-taiti (R$ 28) e releituras de drinques tradicionais. Para comer, as recomendações são o bao de tartare de filé-mignon com alcaparras, aïoli de mostarda, cebola roxa e rúcula (R$ 51), as croquetas de funghi e shiitake com aïoli de pimenta e parmesão ralado (R$ 45) e o steak da casa (R$ 110). O bolo gelado empanado no coco e servido com sorbet de manga com maracujá e crumble de leite queimado (R$ 33) é a opção para finalizar.
R. Lisboa, 285, Pinheiros, região oeste. @bar.setim
Sová
Leva a fartura tanto no nome, de origem hebraica, quanto no tamanho das porções. De culinária judaica, o restaurante serve porções de homus (R$ 38) e salada fatuche (R$ 42) para compartilhar. Também é possível pedir o kebab de carne (R$ 68), schnitzel de frango acompanhado por batata frita ou salada (R$ 62) e bagel de salmão defumado, cream cheese e cebolinha (R$ 56). Conta, ainda, com área de padaria o dia todo, com opção de cesta de pães típicos, manteiga, geleia, homus, salada de ovos e avocado (R$ 30).
Al. Jaú, 1.494, Jardins, região oeste. @sovarestaurante
Xampers Bubbly Bar
Com bancos na calçada, o bar abriu as portas em outubro de 2025, em Pinheiros, dando destaque aos espumantes. Os borbulhantes são servidos da torneira em taças que partem de R$ 18. Há três opções, todas nacionais: prosecco, rosé brut e o de caju. Também é possível comprar garrafas de vinhos por a partir R$ 55, com exemplares de vinhos naturais e de baixa intervenção, e drinques com espumantes na composição. Há petiscos como azeitonas (R$ 18) e tremoços (R$ 15) para fomes pequenas, e sanduíches e tostadas (a partir de R$ 35) para as grandes.
R. Simão Álvares, 786, Pinheiros, região oeste. @xampers
Fonte.:Folha de São Paulo


