As fintechs MT Pagamentos e CorpX Bank, conhecida no mercado como “gigante do Pix” por dar suporte tecnológico a transações de grandes empresas, anunciaram a fusão de suas operações na sexta-feira (15).
As companhias, agora, serão uma única plataforma responsável por operar mais de 15 milhões de transações instantâneas por dia, em um movimento impulsionado pelas novas exigências de capital mínimo impostas pelo Banco Central às instituições de pagamento.
As empresas, que já possuíam parceria operacional, afirmam que mudanças na exigência de capital mínimo de instituições de pagamento foram a principal razão para a combinação dos negócios. Com a fusão, a empresa combinada, que manterá a marca CorpX, passa a ter um capital aproximado de R$ 18,3 milhões
Em novembro de 2025, o BC e o CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiram que o capital mínimo exigido de instituições de pagamento, que ia de R$ 1 milhão a R$ 9 milhões pela regulação antiga, passaria para R$ 9,2 milhões a R$ 32,8 milhões.
“A CorpX era uma instituição de pagamentos indireta. Basicamente, a gente precisava de uma outra empresa para nos conectar ao Banco Central. Com essa fusão, a gente vai unificar as operações e não vamos mais precisar de uma instituição intermediária. Nós estaremos ligados diretamente ao BC”, afirma Amanda Prado, que deixa a posição de CEO da CorpX para ser diretora financeira na companhia combinada.
Responsável pela infraestrutura por trás de mais de R$ 16 bilhões mensais em transações Pix, a CorpX passa a atender mais de 50 mil clientes, com infraestrutura tecnológica para empresas que precisam processar um alto volume financeiro por dia.
Dentre os clientes estão companhias do agronegócio, casas de criptomoedas, mineradoras de ouro, igrejas e o mercado regulado de bets no Brasil. Por meio da infraestrutura da MT Pagamentos, são cerca de 8.000 clientes, a maioria varejistas de pequeno e médio porte.
“A MT atendia a contas menores, de pequenos varejos. A gente atuava muito com adquirências, softwares de ERP [otimização de processos por meio de tecnologia] e domicílio bancário para esses clientes”, diz Rodrigo Teixeira, cofundador da MT e que agora assume como CEO da CopX.
A ideia da companhia combinada é atingir a marca de 100 mil clientes este ano. “Vamos investir com mais força em pequenos varejos, numa operação muito focada no interior do Brasil”, complementa Teixeira.
Teixeira fundou a MT Pagamentos ao lado do sócio Rodrigo Masotti, em 2024. Os dois já haviam criado a Cappta, em 2011, e a Granito, em 2015, vendida para os bancos BMG e Inter. A CorpX agora será controlada por Amanda, Masotti e Teixeira.
Os executivos dizem que o Banco Central, após anunciar as novas normas, fez reuniões com instituições financeiras e sugeriu fusões de pequenas e médias fintechs.
“Ele sugeriu que uma das saídas para as empresas menores era se consolidar para ter mais robustez no capital social e no tamanho das empresas”, afirma Teixeira. ” É importante ter empresas mais robustas, porque o mercado começou a se mostrar muito arriscado, com diversos ataques cibernéticos. Então, quanto menor o número de empresas, é mais fácil para o BC exercer a observância. Por isso, ele aumentou a exigência, o que vai forçar uma consolidação.”
ATAQUE HACKER
A CorpX foi uma das empresas afetadas pelo ataque hacker que teria desviado mais de R$ 1 bilhão em julho de 2025.fintech afirma ter sido vítima do esquema e uma das primeiras instituições a identificar movimentações suspeitas, como uma transação Pix no valor de R$ 18 milhões. Recentemente, o BTG Pactual sofreu um ataque semelhante.
Com a operação combinada, Teixeira diz que a empresa agora está “robusta” na prevenção de ataques cibernéticos.
“A CorpX, quando sofreu aquele golpe, usava tecnologia de terceiros. Na MT, a gente usa tecnologia própria, então a gente está bastante robusto na questão de segurança e prevenção a ataques cibernéticos”, disse
O faturamento mensal da CorpX gira na faixa de R$ 3,6 milhões, enquanto a receita mensal da MT é de cerca de R$ 2,8 milhões.
A CorpX ganhou visibilidade, quando firmou um acordo de patrocínio com o Santos, onde joga Neymar. Os valores envolvidos no patrocínio não foram divulgados devido a uma cláusula de confidencialidade.
RAIO-X | CORPX
- Fundação: 2020
- Funcionários: 120
- Faturamento mensal: R$ 6,4 milhões
- Clientes: 50.000
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Fonte.:Folha de S.Paulo


