A agência de classificação de risco Moody’s abaixou a nota de crédito do BRB (Banco de Brasília) nesta quarta-feira (1º). A classificação foi de BBB- para CCC+, ou seja de médio para alto risco de calote.
“O patamar atual de rating reflete a nossa visão de que a qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de default, sem a concretização de um aporte de capital”, afirmou a Moody’s em relatório.
Segundo a Moody’s, a piora “reflete a provável necessidade de injeção de capital, intensificadas pela ausência de um plano de recomposição após perdas com ativos provenientes dos ativos adquiridos do Banco Master”.
A nota do BRB está em revisão para rebaixamento, a depender do plano de aumento capital, bem como na maior visibilidade dos possíveis impactos financeiros do Master, após término das investigações em curso.
Em novembro de 2025 a Fitch já havia feito movimento semelhante, piorando a avaliação de crédito do banco de B- para CCC. Já a S&P rebaixou o BRB em 19 de março, de BB para B-, ambas dentro do grau especulativo, mas agora com mais vulnerabilidade.
O real prejuízo do BRB com o Master ainda é desconhecido. O banco não divulgou o balanço de 2025 nesta terça-feira (31), prazo legal para companhias de capital aberto. Sem a apresentação dos dados, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master continua desconhecido. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos da instituição de Daniel Vorcaro.
A Moody’s também pontua que a ausência de divulgação das demonstrações financeiras dentro do prazo regulamentar, de 31 de março, aumentou as incertezas relacionadas à saúde financeira e posição patrimonial do banco do Distrito Federal.
Após anunciar o adiamento da publicação do balanço, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, disse à Folha que vai pedir um empréstimo no valor de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões a bancos.
A formalização deste pedido se soma à solicitação já feita ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), no dia 24 de março, para um empréstimo de R$ 4 bilhões para capitalizar o BRB.
“Sem a divulgação de dados financeiros desde junho de 2025, ainda é incerto o volume necessário de capital, no entanto, ao menos R$ 6,6 bilhões são desejados para a recomposição do patrimônio do banco”, diz a Moody’s.
Fonte.:Folha de S.Paulo


