1:28 AM
29 de janeiro de 2026

Daje Roma parece restaurante pega-turista da Itália – 28/01/2026 – Restaurantes

Daje Roma parece restaurante pega-turista da Itália – 28/01/2026 – Restaurantes

PUBLICIDADE


CRÍTICA | SP
Daje Roma
Duas estrelas (Regular)
R. Mateus Grou, 19, Pinheiros, região oeste. @dajeroma_sp

A proposta do Daje Roma é fazer os clientes se sentirem na capital italiana. “O ponto mais próximo do Coliseu em São Paulo“, afirma o perfil da casa no Instagram. E o restaurante, de fato, entrega o que promete. Conduz a uma das experiências mais comuns a quem se arrisca nos restaurantes romanos: a típica trattoria pega-turista.


Prato redondo com risoto cremoso coberto por redução escura, acompanhado de três pedaços de carne grelhada e folhas verdes frescas ao lado.

O tagliata di manzo pressupõe fatias finas de carne selada, mantendo a suculência num interior bem rosado. Mas cada um dos quatro pedaços veio num ponto diferente


Priscila Pastre/Folhapress

A decoração do salão com poucas mesas é ligeiramente desleixada, com afrescos de paisagens romanas nas paredes. No sábado da visita, baldes de gelo vazios se espalhavam inexplicavelmente pelo salão e os quadros estavam quase todos tortos nas paredes. Sempre desconfio de restaurantes que não têm o mínimo de meticulosidade para manter os quadros alinhados. Afinal, organização é pré-requisito para qualquer cozinha profissional. Apesar disso, o serviço era atencioso e animado —e talvez fosse tudo parte da experiência, uma pitadinha do bom e velho caos romano.

Um dos pratos mais básicos do cardápio, o espaguete ao pomodoro (R$ 69) chegou com folhas frescas de manjericão e pedaços de muçarela de búfala em uma louça funda que trazia desenhos de tomates rechonchudos. Apresentação simpática. E só. A massa não brilhou, enquanto o molho tinha cara, cheiro e gosto de passata industrializada, com a acidez indesejada denunciando falta de tempo no fogo.

Na mesa ao lado, diante de um pôster (torto) de um filme italiano, uma cliente pediu sugestão ao garçom. Ele prontamente recomendou a lasanha (R$ 80). “A daqui é realmente muito boa”, disse.

Fez com que eu me animasse também, na esperança de que o prato anterior tivesse sido apenas um deslize. E a lasanha chegou bem-servida, com as camadas bem estruturadas e elegantemente voltadas para cima, mas disposta sobre o mesmo molho de tomate do espaguete —aquele com jeitão de passata.

Já o ragu, que se alternava entre as fatias de massa, estava seco. Seria uma boa chance para um belo de um molho branco brilhar, levando sabor, umidade e cremosidade ao conjunto. Mas ele não deu o ar da graça. Ou, se deu, foi sugado pela massa que terminava mole demais. A temperatura, morna, e a palidez geral do conjunto indicavam, de novo, pressa no preparo. Dessa vez, na hora de gratinar.

Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulista

Decidi então provar um prato de carne. Optei pela tagliata di manzo (R$ 112). Esse preparo pressupõe fatias finas de carne selada, mantendo a suculência num interior bem rosado. Ali, a cozinha conseguiu a proeza de desagradar a todos os gostos. Cada um dos quatro pedaços veio num ponto diferente. Ao lado deles, risoto de parmesão com fios de balsâmico. Os grãos estavam um pouco mais duros do que o al dente ideal —ainda assim o risoto estava cremoso.

Para finalizar, entre tiramissu, musse de chocolate e affogato (todos saindo pelo mesmo valor, R$ 39), escolhi o primeiro.

Saboroso, com bolacha champanhe umedecida na medida em café e marsala, sem ficar molenga. O doce, que chega num tamanho bom para dividir, estava desmanchando na boca. Foi o que provei de melhor naquele almoço no Daje.

Na mesa ao lado, o garçom perguntou para a cliente se ela tinha gostado da lasanha do restaurante. A resposta foi rápida e direta: “Estava boa. Mas você precisa provar a minha.”





Fonte.:Folha de São Paulo

Leia mais

Rolar para cima