A festa junina na creche da minha filha aconteceu no último final de semana e confesso que estava ansiosa para participar do primeiro evento de sua vida escolar.
Oficialmente era uma festa cultural, portanto a vestimenta era livre, mas enfiei na cabeça que Elisa, 3, usaria um vestido bem no estilo caipira.
Sou daquelas pessoas que fazem listas de pendências e fica repassando na mente. Não é muito saudável, eu sei, mas é assim que meu cérebro funciona.
Enfim, a tarefa era simples: comprar um vestido. Mas na vida corrida de jornalista, mãe de duas, com mil outros afazeres, o básico foi ficando para depois. Já era a véspera da festa e a mamãe com prazo apertado, com matéria para entregar, teve que dar seu jeito na hora do almoço e fazer brotar a indumentária. Ainda bem que tenho sorte e encontrei um belo vestido bem próximo de casa. Ufa, tarefa cumprida.
Roupas e adereços separados na noite anterior, mas a mãe nem dormiu direito, ansiosa e com medo de chegarmos atrasados. Valha-me Deus perder o horário da apresentação.
Vencemos o pequeno e comum estresse nosso de cada dia para a família toda estar pronta. Chegamos a tempo de Elisa tirar muitas fotos, brincar, abraçar os amiguinhos, professores e ser chamada de vereadora da escola e miss simpatia.
Depois da confraternização inicial, fomos chamados para nos posicionarmos, pois a dança começaria.
Nós. Porque dias antes recebemos mensagem da diretora comunicando que um dos responsáveis deveria estar de prontidão ao lado da criança para incentivá-la. Era para ir disposto a remexer o esqueleto, nada de gente desanimada.
O nome de vereadora não era à toa, já veio no DNA. Portanto, logo me candidatei a ser incentivadora oficial sem nem ao menos dar chance ao pai, que ficou segurando a caçula no colo.
Entrei no círculo de pais, crianças e professores pronta para dançar e dar aquele apoio moral à Elisa.
Porém, não foi necessário, pois a criança disparou para o centro da roda, pulando animada, praticamente uma líder de torcida. Eu fiquei no meu lugar, cantando e marcando ritmo. Afinal, quem precisa incentivar uma criança que já nasce com essa energia?
Não satisfeita, ela ainda dançou nas apresentações de outras turmas e se divertiu muito com os coleguinhas e a irmã mais nova. Fiquei feliz em ver o quanto ela estava integrada e era acolhida pelos profissionais da educação.
Meu coração de mãe ficou quentinho por estar ali oferecendo apoio, emocionada com essa primeira experiência, e percebendo que, aos poucos, minha bebê está crescendo, tornando-se uma criança amorosa e construindo seus próprios laços sociais.
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Fonte.:Folha de S.Paulo


