Participantes da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada no dia 25 de novembro em Brasília, relataram ter sido alojadas em um espaço destinado a cavalos na Granja do Torto, na capital federal. O grupo, que veio de Santa Catarina, denunciou a situação em vídeos nas redes sociais, classificando o ocorrido como “violência simbólica”.
A acomodação precária provocou revolta nas participantes, especialmente diante da informação de que R$ 1,7 milhão de financiamento, via Ministério da Igualdade Racial, foram destinados pelo governo Lula à organização do evento. “Fomos tratadas como animais, como nossos ancestrais”, afirmou uma das mulheres alojadas nas cocheiras.
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De acordo com o registro em vídeo, as participantes da marcha relataram que foi colocada uma camada de serragem e uma lona sobre o solo para “encobrir o odor” remanescente da presença anterior dos cavalos.
Em um comunicado oficial, o Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver reconheceu os relatos, expressou solidariedade e ressaltou que não se deve “reduzir o evento a esse episódio lamentável”.
A seguir a íntegra da nota:
Nota do Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver
Brasília, 27 de novembro de 2025
Nós, mulheres negras em Marcha por Reparação e Bem Viver, recebemos com profunda solidariedade os relatos de experiências difíceis vividas por algumas de nossas irmãs durante a acomodação na Granja do Torto.
Os relatos foram recebidos em 24 de novembro, e o Comitê interveio imediatamente na intenção de acolher a todas, reorganizando os espaços disponíveis com base na logística previamente comunicada. Entendemos que, em um evento de tamanha envergadura, com milhares de participantes vindas de todo o país e do exterior, desafios logísticos podem ocorrer, mas isso não justifica qualquer forma de desconforto ou humilhação.
Nossa prioridade é ouvir, acolher e apoiar essas mulheres, garantindo que suas vozes sejam centrais na construção coletiva. Alguns tentam deslegitimar o movimento de mulheres negras, outros lançam seu alvo ao governo e suas instituições. Para nós, neste momento, a prioridade é ouvir e acolher essas mulheres, ofertando nossa solidariedade e apoio, na certeza de que a força da Marcha não será reduzida a esse episódio lamentável.
Reafirmamos nosso compromisso com a dignidade, a reparação histórica e o bem viver para todas as mulheres negras. Marchamos juntas, irmanadas, e continuaremos a lutar contra o racismo estrutural, a violência e as desigualdades que nos afligem.
Pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver.
Fonte. Gazeta do Povo




