6:20 PM
5 de março de 2026

Dengue: dose única da vacina do Butantan protege da doença por cinco anos, diz estudo

Dengue: dose única da vacina do Butantan protege da doença por cinco anos, diz estudo

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Tomar a vacina de dose única contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan pode garantir proteção ao corpo por pelo menos cinco anos. É o que indica um estudo publicado nesta quarta-feira (4) na prestigiada revista científica Nature.

Ao acompanhar voluntários ao longo desse período, os pesquisadores estimaram que o imunizante sustenta a prevenção contra 80,5% dos casos graves e com sinais de alerta da doença. Além disso, a eficácia geral foi de 65%, o que dispensa a necessidade de dose de reforço dentro desse prazo.

Na prática, o dado pode ser ilustrado assim: se em um grupo sem vacinação 100 pessoas desenvolvessem dengue, entre os imunizados esse número cairia para cerca de 35, em média. E se 100 não imunizadas desenvolvessem quadros graves, entre os vacinados esse número cairia para cerca de 20.

Além disso, durante o acompanhamento do Instituto, nenhum dos 10 mil participantes vacinados desenvolveu dengue grave e apenas seis tiveram o quadro com sinais de alarme, que indicam uma possível evolução para a gravidade.

A chamada Butantan-DV foi testada em um ensaio clínico conduzido em todo o Brasil entre 2016 e 2019. O estudo acompanhou 16 mil e 235 participantes com idades entre dois e 59 anos.

Desfechos secundários

A pesquisa também analisou outros indicadores de desempenho da vacina, como eventuais diferenças na proteção de pessoas que já tiveram dengue e as que nunca foram infectadas.

Os resultados indicam que o imunizante funcionou ainda melhor em quem já havia tido a doença anteriormente. Nesse grupo, a eficácia foi estimada em 77,1%, enquanto entre participantes sem infecção prévia a proteção foi de 58,9%.

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Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri, esse tipo de dado é padrão para diferentes imunizantes e ocorre porque quem já teve contato com o vírus desenvolve uma proteção natural.

“Isso é esperado não só com vacinas de dengue, mas com outras também. É um fenômeno em que a imunidade prévia constrói uma proteção que melhora ainda mais a eficácia da vacina”, diz.

Além disso, ao contrário de alguns imunizantes contra a dengue já aprovados — que levantaram preocupação por manter um risco de hospitalização em crianças que nunca tinham tido contato com o vírus —, a Butantan-DV não mostrou esse problema.

Durante os cinco anos de acompanhamento, não houve aumento de casos graves entre os participantes que nunca haviam tido dengue.

Proteção contra diferentes sorotipos

Outro dado importante diz respeito ao potencial do produto contra cada um dos quatro sorotipos do vírus da dengue (chamados DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). 

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No estudo, a eficácia foi de 73% contra o DENV-1 e 55,7% contra o DENV-2, dois dos sorotipos mais frequentemente associados a surtos.

Durante o período de acompanhamento, não foram registrados casos de DENV-3 ou DENV-4 entre os participantes, o que impediu a estimativa do efeito contra esses sorotipos no longo prazo.

No entanto, o estudo ressalta que a vacina contém componentes quase completos desses sorotipos e induz anticorpos neutralizantes específicos, o que deve garantir proteção contra as quatro cepas do vírus.

“Isso ainda é uma lacuna. Mas, os exames e os estudos de resposta imune mostram resultados muito semelhantes para os quatro vírus, então é provável que também haja proteção”, avalia Kfouri.

Perfil de segurança

Em relação aos efeitos adversos, a vacina foi considerada bem tolerada e segura. O evento negativo mais relatado foi dor de cabeça (cefaleia), registrado em 36,7% dos participantes vacinados.

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O sintoma também apareceu em 31,1% dos voluntários que receberam placebo – e a maioria dos casos foi classificada como leve.

Como funciona a vacina do Butantan e quem pode tomar

A Butantan-DV foi criada para proteger contra os quatro tipos do vírus da dengue. Ela é, portanto, chamada de tetravalente, pois reúne os componentes capazes de treinar o sistema imunológico contra cada uma dessas variantes.

Para fazer isso, a vacina usa vírus vivos enfraquecidos em laboratório. Eles não têm força para causar a doença, mas ainda conseguem “ensinar” o organismo a reconhecer o invasor e atacá-lo.

O imunizante demonstra eficácia com apenas uma dose. Segundo o Instituto, isso facilita a campanha de vacinação, aumenta as chances de as pessoas completarem a imunização e ajuda a ampliar a cobertura mais rapidamente.

O Ministério da Saúde começou a vacinação em janeiro deste ano em Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), por meio de um projeto piloto que visa imunizar 90% do público-alvo destas cidades. Em 9 de fevereiro, deu também início à vacinação de profissionais de saúde da Atenção Básica em evento realizado no Instituto Butantan.

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Por enquanto, a vacina está sendo ofertada para pessoas entre 15 e 59 anos.

Segundo Kfouri, com a dengue sendo um problema crescente de saúde pública no Brasil, bem como diante de uma carência de doses no mundo, a Butantan-V tem duas vantagens importantes: “é uma vacina nacional, que fortalece nosso desenvolvimento científico e tecnológico, e é aplicada em dose única”, afirma.

Com isso em mãos, o imunologista ressalta que, agora, devemos seguir para os próximos passos, que envolvem acompanhar como será desempenho do imunizante fora dos ensaios clínicos e aumentar a oferta.

“Agora precisamos acumular evidências de mundo real com o uso da vacina e, principalmente, ampliar a produção para aumentar o número de pessoas vacinadas”, completa.

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Fonte.:Saúde Abril

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