12:03 PM
23 de março de 2026

Deputado que tenta barrar uso de satélite em multa ambiental recebeu doações de fazendeiro punido pelo Ibama

Deputado que tenta barrar uso de satélite em multa ambiental recebeu doações de fazendeiro punido pelo Ibama

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Imagem mostra Lucio Mosquini, à esquerda, de terno cinza, ao lado de Sergio Teixeira, de terno azul marinho, usando uma medalha comemorativa, dentro do Parlamento brasileiro

Crédito, Reprodução/Perfil de Lucio Mosquini no Instagram

Legenda da foto, Deputado Federal, Lúcio Mosquini (à esquerda), recebeu R$ 250 mil em doações de campanha do empresário e fazendeiro Sérgio Botelho Teixeira, alvo de uma multa de R$ 5,5 milhões aplicada pelo Ibama. Mosquini é autor de projeto que, segundo ambientalistas, fragiliza combate ao desmatamento

    • Author, Leandro Prazeres
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
  • Tempo de leitura: 9 min

A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (17/3), um pedido de tramitação em regime de urgência de projeto de lei que proíbe órgãos ambientais de aplicarem embargos cautelares com base, exclusivamente, em imagens de satélite que monitoram biomas como o Cerrado e a Amazônia.

O governo federal e ambientalistas afirmam que esse mecanismo, conhecido como “embargo remoto”, é um dos principais responsáveis pela queda nas taxas de desmatamento no Brasil nos últimos três anos. A bancada ruralista, no entanto, defende o projeto afirmando que ele garantiria segurança jurídica e amplo direito de defesa a produtores rurais.

Um cruzamento de dados e documentos obtidos pela BBC News Brasil apontam, no entanto, que o autor do projeto, o deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), teve como seu maior doador individual de campanha, em 2022, um empresário e fazendeiro que foi multado por infração ambiental.

Sérgio Botelho Teixeira é sócio-diretor de uma empresa de laticínios responsável pela marca Italac. Desde 2018, ele doou R$ 250 mil para campanhas de Mosquini, tornando-se um dos principais doadores individuais do parlamentar. Nas últimas eleições, ele doou R$ 150 mil para a campanha do deputado, quando se reelegeu pela segunda vez. Foi a única doação feita pelo empresário na eleição.

No Brasil, doações para campanhas políticas são legais e só podem ser feitas por pessoas físicas. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu as doações feitas por pessoas jurídicas em meio a discussões sobre a influência que elas poderiam ter sobre a atuação dos parlamentares. Sob a nova regra, as doações, em geral, são feitas por empresários, familiares e apoiadores, sempre como pessoa física. Infratores ambientais ou pessoas que ainda respondem a processos por infração ambiental não estão impedidos legalmente de doar.



Fonte.:BBC NEWS BRASIL

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