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Introdução
O filme “(Des)controle” com Carolina Dieckmann, explora a luta de Kátia contra o alcoolismo e a negação, revelando o impacto devastador na vida e família. A produção de Iafa Britz e Rosane Svartman, além da dependência química, aborda a tecnológica, oferecendo reflexões e ferramentas para a superação do vício.
- O filme, inspirado em uma vivência da produtora Iafa Britz, propõe um debate social sobre o vício e a busca por ajuda.
- A atriz retrata a dualidade de Kátia sóbria e sua versão alcoolizada, Vânia, mostrando o impacto na percepção familiar.
- Além do alcoolismo, a trama aborda a dependência tecnológica, destacando o uso excessivo do celular na vida da protagonista.
- Especialistas explicam o que são os “gatilhos” do alcoolismo e a importância do tratamento para a recuperação.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A escritora de livros infantojuvenis Kátia Klein (Carolina Dieckmmann) passa boa parte dos 97 minutos do filme (Des)controle, que estreia quinta-feira, dia 5, repetindo que não bebe há quinze anos.
Na balada LGBTQIAPN+, no carro de aplicativo, no chafariz da praça. Mais adiante, numa reunião dos Alcoólicos Anônimos (AA), ela descobre, através do relato fictício de um membro da irmandade, que o alcoolismo é a doença da negação.
“A negação é um mecanismo de defesa”, explica a psicóloga Rachel Barbosa, diretora da Associação Alcoolismo Feminino (AF). “Kátia custa a admitir que não está no controle de sua vida. Assumir o transtorno pode trazer medos e inseguranças. ‘Será que vou perder o emprego?’ ou ‘Será que vão tirar meus filhos?’. Por isso, a protagonista, após sofrer uma recaída, repete para si mesma: ‘É só uma tacinha’ ou, então, ‘É só para ter inspiração’”.
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Um problema social retratado no cinema

O argumento do filme é da produtora Iafa Britz, responsável pela trilogia Minha Mãe É Uma Peça, estrelada pelo ator Paulo Gustavo. “Ele nasceu de uma vivência. Durante a pandemia, tive uma recaída. Mas, o filme não é autobiográfico”, ressalta Britz.
“É extraordinário falar de um problema social através de uma obra cinematográfica. Há muita gente por aí que sofre de alcoolismo e não sabe o que fazer por medo, culpa ou vergonha”.
Antes do início das filmagens, Britz agendou uma sessão virtual do A.A. com a equipe e o elenco. Às voltas com ensaios e locações, a diretora e roteirista Rosane Svartman perguntou: “Para quê? Estamos sem tempo!”
Terminada a reunião, alguns membros da equipe pediram ajuda. “É um filme que diverte e emociona. Mas, também faz a sociedade pensar. Traz ferramentas que podem ajudar as pessoas a superarem o vício”, acredita Svartman.
Versão sóbria x versão alcoolizada
No longa, Dieckmmann praticamente interpreta duas personagens: Kátia e Vânia. “Quando bebe, Kátia se transforma em outra pessoa. Vânia é a versão alcoolizada da Kátia. Naquele estado, nem o filho reconhece a mãe”, lamenta a atriz.
“Para interpretar a personagem, li livros, vi filmes, participei de reuniões… Até uma preparadora de corpo, para saber como me comportar em cena, eu tive. Não queria transformar a Vânia em uma caricatura”.
Até tomar consciência e pedir ajuda, Kátia esquece a bolsa na geladeira, esconde garrafas pela casa, engravida e não sabe quem é o pai da criança. Para piorar a situação, ela ainda bate com o carro e põe a vida dos filhos em risco. “Não é só o alcoolista que adoece. O entorno dele também cai doente”, afirma a atriz Júlia Rabello, que dá vida a Leo, a melhor amiga e agente literária de Kátia. “Existem grupos que dão suporte a amigos e familiares”.
Dependência química e dependência tecnológica
(Des)controle chama a atenção para outro grave problema social: a dependência tecnológica. Kátia usa o celular em todo lugar e a qualquer momento: na reunião dos pais, na hora de dormir e até quando transa com o marido, Zeca (Caco Ciocler).
“Volta e meia, penso: ‘No fim de semana, vou me desconectar’. Quando vejo, fiquei sei lá quanto tempo no aparelho. Sabe aquele aplicativo que mostra o tempo de uso? Então, nem olho”, brinca a diretora Carol Minêm.
Mas, será que assistir a um filme sobre dependência química como (Des)controle pode servir de “gatilho” para quem está em recuperação? Segundo a psicóloga Cláudia Leiria, cofundadora da Associação Alcoolismo Feminino, os “gatilhos” variam de uma pessoa para a outra, e dependem do processo de recuperação de cada um.
“Gatilhos são situações internas ou externas que colocam a pessoa em estado de risco iminente para o álcool”, define a especialista.
São exemplos de “gatilhos”:
- Estados emocionais positivos (alegria e recompensa, por exemplo);
- Estados emocionais negativos (frustração e ansiedade);
- Problemas físicos ou psicológicos (insônia e cansaço);
- Hábitos adquiridos com o consumo (happy hour da firma);
- Horários de risco (sábado, domingo e feriado);
- Situações difíceis (discussão, luto ou doença);
- Pressão social (quando os amigos insistem para beber).
“O tratamento psicoterápico ajuda o paciente a identificar os gatilhos que despertam a vontade de beber, antecipar situações que podem desencadear crises e, principalmente, lidar com essas situações sem consumir álcool. Treinar habilidades de enfrentamento e desenvolver comportamentos assertivos são algumas estratégias. Assim, mesmo assistindo a um filme sobre alcoolismo, é possível evitar a recaída”, tranquiliza Leiria.
Fonte.:Saúde Abril


