6:13 AM
16 de março de 2026

Dia Mundial do Rim: 5 sinais de que os seus rins podem estar em perigo

Dia Mundial do Rim: 5 sinais de que os seus rins podem estar em perigo

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Os rins são a dupla de faxineiros incansáveis do organismo. A cada minuto, eles passam o sangue por um sistema de filtros microscópicos, retirando toxinas, excesso de líquidos e resíduos que o corpo não precisa mais. Todo esse “lixo biológico” segue então para a urina e é eliminado.

Mas o trabalho desses órgãos ainda vai além. Os rins também ajudam a regular a pressão arterial, equilibram a quantidade de sal e minerais no corpo e até participam da produção de hormônios.

Não é de se estranhar, portanto, que, quando algo sai do eixo nesses órgãos, o impacto possa ser sentido no corpo inteiro.

Foi justamente para chamar a atenção para essa importância que surgiu o Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março. Essa mobilização global busca conscientizar a população sobre a saúde renal e prevenção de problemas, especialmente as doenças renais crônicas (DRCs) – aquelas que se estendem para toda a vida.

Embarcando na data, reunimos cinco sinais de alerta que podem indicar que algo não vai bem com a saúde dos seus rins, segundo especialistas. Confira a seguir.

Quais são as principais doenças renais?

Diversas condições podem afetar os rins. Algumas estão ligadas a hábitos do dia a dia — como beber pouca água ou ter higiene inadequada — enquanto outras têm origem genética ou estão associadas a doenças prévias ou condições autoimunes.

Entre as mais conhecidas estão o cálculo renal, popularmente chamado de “pedra nos rins”; a infecção urinária; e a nefrite, formas de inflamação na região do rim responsável pela filtragem do sangue, chamada de glomérulo.

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Esses problemas costumam ser agudos, ou seja, surgem de forma relativamente rápida e podem desaparecer com o tratamento adequado.

Por isso, uma das maiores preocupações dos médicos está nas chamadas doenças renais crônicas.

Esse termo engloba alterações que afetam tanto a estrutura quanto a função dos rins. Elas podem ter várias causas, mas compartilham uma característica em comum: provocam uma perda lenta, progressiva e muitas vezes irreversível da função renal.

Por exemplo, uma lesão renal aguda que não se recupera completamente após o tratamento ou persiste por mais de três meses pode evoluir para doença crônica.

Mas, apesar das origens distintas, há dois fatores que aparecem no topo da lista de riscos: “a principal causa de doença renal no mundo é a diabetes , uma condição comum que atinge, entre outras coisas, os rins. Depois vem a hipertensão arterial”, resume Maria Julia Nepomuceno, nefrologista do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas. Pessoas com obesidade também têm um risco aumentado.

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Isso acontece porque essas condições afetam diretamente os delicados vasos sanguíneos que formam o sistema de filtragem dos rins.

No caso da pressão alta, existe uma espécie de ciclo de causa e efeito. Alterações na pressão sobrecarregam os rins, já eles têm justamente o trabalho de ajudar a regulá-la. Ao mesmo tempo, quando deixam de funcionar bem, os níveis de pressão arterial também tendem a aumentar.

“Por isso, uma pressão alta difícil de controlar pode sugerir que o rim não está conseguindo cumprir o seu papel, porque ele faz um balanço dessa pressão, eliminando excesso de líquido e de sal”, diz a médica.

Outras causas de DRC incluem o bloqueio do trato urinário (obstrução), algumas anomalias renais — como a doença renal policística e a glomerulonefrite — e doenças autoimunes, como o lúpus, que fazem com que o próprio sistema imune produza anticorpos que atacam estruturas do rim.

Sintomas de problemas nos rins

Um dos desafios das doenças renais é que os sintomas costumam surgir de forma lenta e discreta. “O grande problema é que essa doença é silenciosa. Por anos o seu rim vai perdendo a função e você não sente nada até que ela esteja avançada”, explica Maria.

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À medida que os rins perdem capacidade de filtrar o sangue, resíduos começam a se acumular no organismo — e é esse acúmulo que dá origem aos sintomas.

Problemas agudos são mais fáceis de identificar, como a pedra nos rins, que causa dor na região lombar e urina turva, ou infecções, que levam a febre e calafrios.

Já a doença renal crônica costuma ser dividida em cinco estágios, que indicam o nível de funcionamento dos rins. Geralmente, para descobrir em qual deles uma pessoa se encontra, a equipe de saúde deve realizar exames. Mas alguns sinais podem indicar que eles estão enfrentando dificuldades. Veja os principais:

  • 1. Idas frequentes ao banheiro

Nos estágios iniciais, a perda leve ou moderada da função renal pode provocar sintomas discretos. Um deles é a necessidade de urinar várias vezes durante a noite, quadro conhecido como noctúria.

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Isso acontece porque os rins deixam de conseguir reabsorver parte da água da urina para reduzir seu volume e concentrá-la, como normalmente ocorre durante o sono. O resultado é uma produção maior de urina ao longo da noite.

  • 2. Fadiga e confusão mental

Quando a função renal piora e os resíduos metabólicos se acumulam no sangue, o organismo começa a sentir os efeitos.

É possível que a pessoa passe a sentir cansaço constante, fraqueza generalizada e até uma diminuição da capacidade de concentração e raciocínio. Outro fator que contribui para essa sensação é a anemia, condição frequente em pessoas com doença renal crônica e que também provoca falta de energia.

  • 3. Perda de apetite e náuseas
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“O rim coloca pra fora várias substâncias e toxinas que, se não forem depuradas, podem causar mal estar”, diz Maria.

Por isso, uma pessoa pode perder o apetite, sentir náuseas e até apresentar vômitos. Muitas relatam ainda um gosto desagradável na boca. Com o tempo, esse conjunto de sintomas pode até mesmo levar à desnutrição e à perda de peso.

Pessoas com doença renal crônica podem perceber que hematomas aparecem com mais facilidade no corpo ou que sangramentos demoram mais do que o normal para parar após um corte ou lesão.

Isso ocorre porque alterações provocadas pela doença renal podem interferir no funcionamento das plaquetas, estruturas do sangue responsáveis pela coagulação.

  • 5. Dor, cãibra, inchaço e formigamentos nas pernas

Quando a função renal está gravemente comprometida, os resíduos metabólicos atingem níveis ainda mais altos no sangue.

Esse acúmulo pode afetar nervos e músculos, provocando espasmos musculares, fraqueza, cãibras e dores. Algumas pessoas também relatam sensação de formigamento nos braços e nas pernas ou perda de sensibilidade em determinadas regiões do corpo.

Outro problema possível é a síndrome das pernas inquietas, caracterizada por uma necessidade constante de movimentar as pernas, principalmente à noite.

“[Além disso], o inchaço, também chamado de edema, costuma aparecer nas perna, tornozelos, pés ou ao redor dos olhos. Isso ocorre porque os rins saudáveis eliminam o excesso de água e sal pela urina. Quando há comprometimento da função renal, o excesso de líquido pode se acumular nos tecidos do corpo”, explica Américo Cuvello Neto, chefe do centro especializado em nefrologia e diálise do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Outro ponto importante para observar são as alterações na urina. Quando há a presença de espuma, semelhante à de sabão, é possível que esteja ocorrendo perda de proteínas pelo xixi.

É que, como filtros, os rins permitem a passagem de resíduos, mas seguram as proteínas importantes no sangue. “Quando esse filtro é danificado, parte dessas proteínas pode passar para a urina, alterando a tensão do líquido e formando espuma persistente”, acrescenta Neto.

Diagnóstico e tratamento

Existem diferentes exames para avaliar a saúde dos rins, como testes de sangue, de urina e exames de imagem. Na prática, o principal indicador do funcionamento renal é a Taxa de Filtração Glomerular (TFG), que mostra o quanto os rins conseguem filtrar o sangue.

Outro teste importante é o de urina para avaliar a presença da proteína albumina. “Normalmente, a proteína não deve ser perdida na urina. Portanto, quando isso acontece, pode ser um sinal de que algo não vai bem com os rins”, diz Maria.

Em alguns casos, a pessoa ainda não apresenta alteração na creatinina, mas já tem perda de proteína na urina, o que pode indicar um problema renal em estágio inicial.

Já o tratamento depende do estágio da doença. Nos estágios iniciais, o objetivo é controlar os fatores de risco e evitar que a função dos rins piore, preservando a filtração do sangue pelo maior tempo possível.

Quando a doença está mais avançada, pode ser necessário iniciar a terapia renal substitutiva, que substitui parte do trabalho dos rins. As principais opções são:

  • Hemodiálise: o sangue passa por uma máquina que remove toxinas. Geralmente é feita em clínicas, três vezes por semana.
  • Diálise peritoneal: realizada em casa, geralmente todos os dias, por meio de um cateter colocado no abdome.
  • Transplante renal: substituição do rim doente por um rim saudável de doador.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito, incluindo diálise e transplante, para pacientes com doença renal crônica.

Prevenção

Quando o assunto é prevenção, a principal estratégia é tratar bem as doenças que a pessoa já tem comorbidades associadas.

“Tratar e controlar os fatores de risco como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo são as principais formas de prevenir doenças renais”, diz Marias.

Outro cuidado importante é o uso indiscriminado de medicamentos que podem prejudicar os rins, especialmente os anti-inflamatórios.

“Pessoas com dor crônica, por exemplo, costumam usar com frequência remédios como diclofenaco ou ibuprofeno. Essas medicações podem virar um problema no rim no futuro. Por isso, é importante só tomar remédios com orientação médica”, diz Maria.

Por fim, hábitos saudáveis também ajudam a proteger os rins, como praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, consumir frutas e verduras e reduzir o consumo de sal.

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Fonte.:Saúde Abril

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