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5 de maio de 2026

Doença em cruzeiro: entenda o que é o hantavírus – 05/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

Doença em cruzeiro: entenda o que é o hantavírus – 05/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

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Três mortes e quatro infecções a bordo de um cruzeiro no Atlântico chamaram a atenção de autoridades internacionais de saúde para o hantavírus nesta semana. Nesta terça-feira (5), a OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou sete casos da doença no navio MV Hondius, ancorado ao largo de Cabo Verde —dois confirmados em laboratório e cinco suspeitos.

A embarcação havia partido de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em março, em uma expedição pela Antártida e por ilhas remotas do Atlântico Sul. O navio transportava cerca de 150 passageiros, em sua maioria britânicos, americanos e espanhóis, com passagens que custavam entre R$ 88 mil e R$ 139 mil. A OMS suspeita que houve transmissão do vírus entre pessoas a bordo.

A doença, mais comum em zonas rurais, é pouco conhecida pelo público urbano. A Folha reuniu as principais dúvidas sobre o vírus.

O que é o hantavírus?

É um vírus do gênero Orthohantavirus, agente causador da hantavirose, doença que pode provocar insuficiência respiratória grave e fatal. Existem mais de 40 tipos do vírus no mundo. Nas Américas, a manifestação mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que afeta o coração e os pulmões. Cerca de 40% dos casos resultam em morte, segundo os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.

Como o vírus é transmitido?

O principal meio de transmissão é o contato com roedores silvestres, conhecidos como ratos do mato. O vírus é eliminado pela urina, fezes e saliva desses animais. A infecção ocorre principalmente quando uma pessoa inala aerossóis contaminados, como ao varrer locais onde esses roedores viveram. Ratos urbanos comuns, como ratazanas e camundongos, estão mais associados à leptospirose do que ao hantavírus.

Como foi a transmissão no cruzeiro?

A hipótese da OMS é que os primeiros infectados, um casal holandês, contraíram o vírus fora do navio, possivelmente durante atividades de observação de aves na Argentina. A cepa envolvida seria o Andes, que circula na América do Sul. A partir daí, teria ocorrido transmissão entre humanos a bordo, entre pessoas em contato próximo que compartilhavam cabines. Embora rara, essa forma de contágio já foi documentada em surtos anteriores da cepa Andes.

O hantavírus ocorre no Brasil?

Sim. Entre 1993 e 2024, foram registrados 2.377 casos no país, com 540 mortes, segundo o Ministério da Saúde. A maioria ocorre na zona rural, que concentra cerca de 70% dos casos. Em 2025, foram notificados 28 casos. Nos primeiros quatro meses de 2026, já são seis registros. O vírus é mais frequente em países da América do Sul, e o Brasil é um dos mais afetados na região.

Quais são os sintomas iniciais da doença?

A fase inicial dura de três a cinco dias e se assemelha a uma gripe ou virose comum. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e manifestações gastrointestinais como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal. Por essa semelhança com outras doenças, o diagnóstico precoce é difícil.

Quando a doença fica grave?

A fase cardiopulmonar pode se instalar entre 4 e 24 horas após o surgimento de tosse e dificuldade respiratória. Nessa etapa, o quadro inclui respiração acelerada, pressão baixa, acúmulo de líquido nos pulmões e taquicardia. Na América do Sul, podem ocorrer ainda manchas vermelhas na pele, sangue na urina e rubor facial. Casos graves exigem internação em UTI e suporte ventilatório. Não existe tratamento específico.

Quais são os fatores de risco?

O desmatamento e a expansão de áreas urbanas para regiões rurais aumentam o contato entre humanos e roedores silvestres. Atividades como limpar celeiros, estábulos ou locais infestados de ratos elevam o risco, assim como trabalhos agrícolas e de controle de pragas. A observação de aves em áreas naturais, como a realizada pelos passageiros do cruzeiro, pode ser outro fator de exposição.

Como prevenir a infecção?

Não há vacina eficaz disponível nas Américas. A prevenção passa por evitar o contato com roedores e suas excretas. As recomendações da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) incluem vedar a entrada de roedores nos ambientes, guardar alimentos adequadamente, manter o terreno limpo e usar ratoeiras convencionais. Lavar bem frutas, bebidas em lata e as mãos também é indicado em locais onde pode haver contaminação.

Que cuidados tomar em locais possivelmente contaminados?

Antes de entrar no local, é preciso ventilar o espaço por pelo menos 30 minutos. A limpeza deve ser feita com solução de água sanitária na proporção de um para dez, ou com detergente. Varrer é contraindicado, pois dispersa os resíduos contaminados no ar. Durante todo o processo, é obrigatório o uso de luvas de borracha ou plástico.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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