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19 de janeiro de 2026

Dólar e Bolsa hoje (19); acompanhe as cotações – 19/01/2026 – Economia

Dólar e Bolsa hoje (19); acompanhe as cotações – 19/01/2026 – Economia

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O dólar abriu próximo da estabilidade nesta segunda-feira (19) no Brasil, em uma sessão sem a referência dos Treasuries (Títulos do Tesouro americano) em função de feriado nos Estados Unidos.

Durante o pregão, analistas estão atentos aos desdobramentos das novas ameaças tarifárias do presidente norte-americano, Donald Trump, à Europa. Internamente, os agentes aguardam por entrevista ao vivo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Uol a partir das 11h.

Às 9h38 o dólar caía 0,01%, aos R$ 5,372. Na sexta, a moeda americana subiu 0,11%, cotada a R$ 5,373, e a Bolsa caiu 0,46%, a 164.799 pontos.

No sábado (17), Trump prometeu implementar uma onda de tarifas sobre os aliados europeus até que os Estados Unidos tenham permissão para comprar a Groenlândia, aumentando a disputa sobre o futuro da vasta ilha ártica da Dinamarca.

Em um post no Truth Social, Trump anunciou tarifas adicionais de importação de 10%, que entrariam em vigor em 1º de fevereiro sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido —todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump.

Essas tarifas aumentariam para 25% em 1º de junho e continuariam até que se chegasse a um acordo para que os EUA comprassem a Groenlândia, escreveu Trump.

No pregão da última sexta-feira, os investidores avaliaram os dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) referentes a novembro.

Considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), o indicador do BC teve alta de 0,7%, acima do esperado. A expectativa de economistas consultados pela Reuters era de avanço de 0,3%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1,2%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 2,4%, de acordo com números não dessazonalizados.

O resultado, na visão de André Valério, economista sênior do Inter, “praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro” por sinalizar “robustez da atividade econômica”.

A leitura leva em conta, também, os dados de inflação medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados na semana passada.

O índice mostrou que a inflação ficou abaixo do teto da meta do BC ao fechar o acumulado do ano em 4,26%. No entanto, economistas ainda viram um cenário de pressão aos preços ao consumidor, o que afastou a possibilidade de corte da taxa básica de juros do país na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) deste mês.

“Ainda assim, acreditamos que as condições para o início da flexibilização da política monetária estão dadas, o que deve ocorrer a partir da reunião de março”, diz Valério. A Selic está em 15% ao ano desde junho passado, maior patamar em quase duas décadas.

A Selic alta por mais tempo tira atratividade da renda variável, já que torna a renda fixa um investimento rentável e de baixo risco. No mercado de câmbio, por outro lado, o diferencial de juros joga a favor do real, já que os investidores se aproveitam das taxas baixas de outros mercados, como o norte-americano, para tomar empréstimos e, depois, aportar esse dinheiro no Brasil. Investir aqui implica na conversão de dólares em reais, o que valoriza a moeda brasileira.

Em paralelo, os investidores também monitoraram a reunião entre Lula e Ursula von der Leyen nesta tarde. Segundo a presidente da Comissão Europeia, a UE busca um acordo com o Brasil para explorar minerais críticos essenciais para a transição energética, como lítio e níquel.

“Europa e Brasil estão caminhando para um acordo político muito importante em minerais críticos, que vai definir os termos de nossa cooperação em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras. Isso é chave para nossas transições energética e digital”, disse.

O encontro acontece às vésperas da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. De acordo com a Secom (Secretária de Comunicação Social da Presidência da República), os líderes irão discutir “temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo”.

Já na ponta internacional, o mercado seguiu acompanhando os atritos entre Donald Trump e Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).

Trump afirmou, na quarta-feira, que não tem planos de demitir Powell, apesar de uma investigação criminal contra o chefe da autoridade monetária norte-americana estar em curso. O inquérito apura se Powell mentiu ao Congresso sobre o escopo da reforma de dois prédios do Federal Reserve em Washington, em projeto estimado em US$ 2,5 bilhões. Ele nega ter cometido qualquer irregularidade e disse que as ações “sem precedentes” são um pretexto para pressioná-lo.

Powell não tem atendido às demandas de Trump por taxas de juros mais baixas, e as decisões de polícia monetária do comitê do banco central estão sendo tomadas a partir da análise de dados econômicos.

O mandato de Powell à frente do banco central termina em maio. Trump disse estar inclinado a nomear o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, para o cargo. “Os dois Kevins são muito bons”, disse Trump. “Tem outras pessoas boas. Anunciarei algo nas próximas semanas.”

Warsh parece mais bem posicionado do que Hassett nos mercados de aposta. Segundo o Polymarket, o ex-diretor do Fed aparece com cerca de 60% de probabilidade de indicação, enquanto Hassett recuou para cerca de 15%, depois de já ter marcado quase 80% de chance.

“A leitura de um Fed potencialmente independente de pressões políticas sustentou os rendimentos das Treasuries [títulos do Tesouro norte-americano] e deu suporte ao dólar globalmente. Aqui, o movimento do dólar foi ontido dado o ainda elevado diferencial de juros entre Brasil e EUA”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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