
Crédito, EPA
- Author, Paulin Kola
- Role, BBC News
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O que poderá trazer este acordo? Será que pode ser aceitável para a Dinamarca e a Groenlândia, que deixaram claro que não abrem mão da soberania da maior ilha do mundo?
O que foi anunciado sobre o acordo?
Trump fez o anúncio após a realização de diálogos durante o Fórum Econômico Global em Davos, na Suíça.
“Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo em relação à Groenlândia”, postou o presidente americano na sua plataforma Truth Social.
Trump não forneceu detalhes, mas comentou que as discussões continuariam até que se chegasse ao acordo.
Rutte afirmou que não discutiu a questão principal da soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia, na sua reunião com Donald Trump.
A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen declarou que a Dinamarca pode negociar sobre tudo, menos “sobre a nossa soberania”.
Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a soberania é “uma linha vermelha”. Especificamente, ele disse desconhecer os detalhes do acordo sendo discutido.
Existe algum detalhe? Quais são as opções?
O jornal The New York Times mencionou autoridades anônimas para afirmar que uma ideia proporia a cessão pela Dinamarca da soberania sobre pequenas áreas da Groenlândia, onde os Estados Unidos construiriam bases militares.
Este acordo seria similar ao status de duas bases existentes em Chipre, que estão sob a soberania britânica desde a independência da ilha do Mediterrâneo, em 1960.
Não está claro como se aplicará este modelo se a Dinamarca e a Groenlândia não renunciarem à sua soberania.
Para defender a posse da Groenlândia, Trump mencionou a ameaça de navios russos e chineses em volta da ilha. Mas a Dinamarca afirma que “hoje”, esta ameaça não existe.
Sobre esta questão, os aliados da Otan tentaram tranquilizar os Estados Unidos de que eles irão aumentar a segurança no Ártico. E Mark Rutte afirma que o acordo sendo discutido também exigirá esta contribuição.
“Não tenho dúvidas de que podemos fazer isso muito rapidamente”, declarou ele, na quinta-feira (22/1). “Certamente, espero para 2026, até no início de 2026.”
A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, afirmou que o Reino Unido pediu a criação de uma Sentinela do Ártico, “muito similar à solução tomada pela Otan em relação à Sentinela do Báltico”, uma missão para aumentar a vigilância dos navios naquela região.
Trump aprovará um acordo que não preveja ‘propriedade’?
Um acordo firmado com a Dinamarca em 1951 permite aos Estados Unidos enviar o número de soldados que quiser para a Groenlândia.
Já existem mais de 100 militares americanos destacados permanentemente na base de Pituffik, no extremo nordeste da ilha. Por isso, as discussões para chegar a um acordo podem se concentrar na renegociação daquele acordo, segundo autoridades americanas.
Mas paira sobre as negociações a insistência de Trump de ter a posse da Groenlândia.
Se o acordo fosse feito como ele deseja, além de ultrapassar as linhas vermelhas da soberania, os negociadores também precisariam encontrar uma solução para a proibição constitucional de venda de terras na Groenlândia.
A base naval americana na baía de Guantánamo, em Cuba, oferece um modelo que poderia ser seguido. Ela está sob total controle dos Estados Unidos desde 1903, segundo uma espécie de aluguel permanente.
Não está claro se estas seriam algumas das opções que levaram à mudança de rumo de Trump em Davos, levantando a ameaça de ações militares para anexar a Groenlândia, para alívio dos seus aliados da Otan.
A Otan foi fundada em 1949, com base no princípio de que um ataque externo a um aliado é um ataque a todos os demais.
A Dinamarca já deixou claro que um ataque militar por um aliado a outro determinaria o fim da aliança transatlântica, da qual os Estados Unidos são o principal participante.
Trump anunciou a “estrutura de acordo” depois de se reunir com Mark Rutte. Este detalhe gerou certa preocupação na Groenlândia de que as negociações sobre o seu futuro estariam sendo conduzidas sem a sua participação.
Na quinta-feira (22/1), a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, declarou que seu governo não pediu a Rutte que negociasse em seu nome, mas que transmitisse “as linhas vermelhas diretamente para o presidente Trump”.
Rutte não confirmou se foi isso o que aconteceu. Ele vem sendo criticado pelos seus constantes elogios ao presidente Trump.
Por que Trump quer a Groenlândia? É pelos minerais?
Trump afirma que a Groenlândia é essencial para seus planos de construir um sistema de defesa “Domo de Ouro”, projetado para proteger os Estados Unidos contra ataques com mísseis da Rússia e da China. E que os aliados europeus poderão cooperar com este projeto.
A ilha possui vastas reversas de terras raras, em grande parte inexploradas. Muitos desses minerais são fundamentais para tecnologias como telefones celulares e veículos elétricos.
Trump não afirmou que os Estados Unidos buscam as riquezas da Groenlândia, mas que o controle americano da ilha “coloca a todos em uma posição muito boa, principalmente em relação à segurança e aos minerais”.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


