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2 de abril de 2026

Drauzio Varella: “Deveria ser crime espalhar mentiras sobre vacinas”

Drauzio Varella: “Deveria ser crime espalhar mentiras sobre vacinas”

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A gripe chegou mais cedo do que o normal esse ano. De acordo com dados do Sivep-Gripe, as internações pela doença aumentaram 153% entre janeiro e março de 2026 no Brasil, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Não à toa, a campanha de vacinação contra o vírus influenza teve início ainda em março, no último dia 28. O maior desafio, contudo, será convencer as pessoas sobre a importância da imunização, que enfrenta uma crise de popularidade. Nos últimos anos, a adesão a vacina da gripe não passou de 50% do público-alvo, sendo que a meta é 90%.

+Leia também: Vacina da gripe 2026: campanha anual vai começar. Veja quem pode tomar e onde encontrar

“O principal problema é fazer as pessoas entenderem o que é a gripe”, comentou o médico Drauzio Varella, em evento promovido pela farmacêutica Sanofi em São Paulo. “Não é um resfriado, é uma doença que causa inflamação nos pulmões e dor muscular intensa, que impede a realização de atividades diárias”, completou.

A confusão ocorre porque, além da gripe, há mais de 200 vírus que causam infecções com sintomas respiratórios geralmente mais leves. Então muita gente diz que “gripou”, quando na verdade não é bem isso. A gripe em si é mais sistêmica, com potencial para causar complicações graves.

Varella explicou que, além da baixa percepção de risco, a desinformação é outra barreira. “Deveria ser crime espalhar mentiras que lançam dúvidas sobre as vacinas”, cravou o médico. “Estamos lidando com quadrilhas que espalham notícias falsas não só por terem ideias erradas, mas para ganhar dinheiro”, alertou o médico.

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Importância da vacina depois dos 60

O evento teve como foco promover a vacinação contra a gripe para quem já tem mais de 60 anos. Em entrevista à VEJA SAÚDE, Varella explica que não está claro para a maioria das pessoas que as doses são necessárias para uma longevidade saudável.

“Nós temos uma ignorância muito grande nessa área, as pessoas acham que vacina é uma coisa muito importante para crianças e que, depois, você não precisa mais delas, mas elas são fundamentais no envelhecimento”, aponta Varella.

Isso porque, conforme a idade avança, o sistema imune fica mais frágil. Portanto, mais suscetível a versões graves de infecções como a gripe, que são preveníveis com os imunizantes.

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Para ter ideia, ser acometido pelo Influenza aumenta em 10 vezes o risco de idosos terem um infarto e em mais de 8 vezes o perigo de um acidente vascular cerebral (AVC). Sem contar a pneumonia bacteriana, complicação mais frequente associada aos vírus respiratórios.

“Cerca de 10% dos internados por gripe morrem, a maioria deles idosos, e são mortes totalmente evitáveis pela vacina”, aponta a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital Emílio Ribas, também presente no evento.

Vacina de alta dose: opção para reforçar a proteção

Já está disponível no Brasil a vacina de alta dose contra o influenza, da Sanofi. Ela custa um pouco mais caro do que a tradicional, cerca de 250 reais, e só está disponível na rede particular. Mas oferece uma proteção extra aos idosos e pode ser uma opção interessante para quem pode fazer o investimento.

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Com uma carga 4 vezes maior do vírus inativado (que não causa doença, vale sempre destacar), a eficácia do produto foi demonstrada em um estudo com mais de 460 mil pessoas, publicado no periódico The Lancet em outubro de 2025.

A análise usou duas outras pesquisas para comparar o imunizante de alta dosagem com a dose padrão. A versão “turbinada” proporcionou uma redução de 30% a mais nas hospitalizações e é indicada para indivíduos acima dos 60 anos, em especial para quem já passou dos 80, que está em risco ainda maior de complicações.



Fonte.:Saúde Abril

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