O elenco e a equipe de “O Agente Secreto” compareceram na noite desta sexta-feira (13) no Museu da Academia, em Los Angeles, onde o diretor Kleber Mendonça Filho participou de um painel com os indicados ao Oscar de filme internacional. O evento antecede a carimônia do Oscar, que acontece amanhã, às 21h. “O Agente Secreto” concorre a quatro estatuetas.
Até a atriz Tânia Maria apareceu, ainda que apenas numa cartolina de tamanho real, que tem sido levada a diversos pontos turísticos da cidade. A perna cabeluda também marcou presença, assim como as atrizes Alice Carvalho e Laura Lufési e os atores Robério Diógenes, Thomas Aquino e Carlos Francisco.
O diretor de elenco Gabriel Domingues, indicado ao Oscar pelo trabalho no filme, comentou que o personagem mais difícil para escalar foi o do delegado Euclides, interpretado por Diógenes.
No filme, o delegado investiga o caso bizarro da perna humana que aparece dentro de um tubarão morto nas praias de Recife.
“É difícil fazer um delegado num filme de época, de um suspense político dos anos 1970 em Recife, sem ser uma caricatura óbvia, de um personagem que é repulsivo, asqueroso, cruel”, disse Domingues à reportagem.
“Tinha uma questão de encontrar um ator que desse ao personagem um charme, uma bossa, uma camada de complexidade. E a gente encontrou isso no Robério. Demorou muito.”
Diógenes disse que ficou lisonjeado com os elogios de Domingues. Na época da escolha do elenco, ele mandou um vídeo de teste para a produção do filme e, depois de passar por três etapas de entrevistas e testes, foi convidado para integrar o elenco.
Ele contou que não teve nenhuma inspiração específica, mas usou suas próprias experiências.
“Estudei em colégio militar durante cinco anos, em plena ditadura militar”, disse Diógenes à reportagem. “E aquela forma de rigidez, da ordem, de sentir, aquilo tudo ficou talvez no meu inconsciente.”
“Até mesmo as nossas raízes. Meu pai é uma figura dura e, ao mesmo tempo, frágil. Tudo isso vem pra gente”, continuou. “Criamos esse delegado em cena, no set, com dois pais, eu e Kleber.”
No palco do cinema do Museu da Academia, Mendonça Filho também elogiou o elenco de “O Agente Secreto”. Apesar de ter escrito o filme pensando em Wagner Moura, Tânia Maria e Udo Kier, ainda restavam cerca de 60 personagens para escalar atores.
“Levamos um ano trabalhando com Gabriel, que é um ser humano incrivelmente generoso do jeito que ele olha para as pessoas”, disse Mendonça Filho. “O Brasil tem rostos incríveis.”
Ao ser questionado pela apresentadora do evento sobre a experiência na temporada do Oscar, o diretor brasileiro respondeu que pensava em escrever um livro sobre os dez meses que passou viajando com “O Agente Secreto”.
“Minha parte favorita tem sido conversar com as pessoas”, disse Mendonça Filho. “E a segunda tem sido visitar algumas das melhores salas de cinema do mundo. É muito legal.
Fonte.:Folha de S.Paulo


