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22 de janeiro de 2026

Enamed: o que vai acontecer com os cursos de medicina que foram mal no exame?

Enamed: o que vai acontecer com os cursos de medicina que foram mal no exame?

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Os números do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 não passaram despercebidos. O exame mostrou que cerca de três em cada dez estudantes do último semestre de medicina ficaram abaixo da nota mínima considerada aceitável pelo Ministério da Educação (MEC). Em números absolutos, são cerca de 13 mil futuros médicos com desempenho insuficiente no país.

Segundo o resultado, 99 de 304 cursos avaliados — o que equivale a 32%  do total — obtiveram conceito Enade nas faixas 1 e 2, que são consideradas abaixo do aceitável. As notas são aplicadas para as instituições onde menos de 60% dos estudantes apresentaram desempenho considerado adequado. Estes cursos “reprovados” passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC.

O Enamed é uma prova aplicada por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), desde 2025, com o objetivo de avaliar a qualidade da formação dos estudantes de medicina no Brasil. O teste funciona como uma versão específica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) voltada para os cursos de Medicina.

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Mas o que vai acontecer com os cursos com notas ruins?

Cursos que receberam conceitos 1 e 2 — as faixas mais baixas da avaliação — podem sofrer uma série de punições administrativas. As sanções variam conforme a nível do desempenho e o percentual de alunos considerados “proficientes” no exame. Em ordem crescente de rigor, as medidas previstas são:

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  • proibição de aumentar vagas;
  • redução de 25% das vagas; redução de 50% das vagas;
  • suspensão de novos ingressos, proibição de ampliar vagas e suspensão do acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Segundo o Ministério da Educação (MEC), a ideia é conter a expansão de cursos cuja formação é considerada inadequada no momento e forçar melhorias para as próximas avaliações. As instituições ainda podem recorrer das decisões.

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Quem perde vagas e quem para de receber alunos

O detalhamento divulgado pelo MEC mostra como essas medidas serão aplicadas:

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  • Faixa 1: oito cursos tiveram menos de 30% de concluintes considerados proficientes e sofrerão suspensão imediata de novos ingressos. Ainda na faixa 1, 13 cursos com proficiência entre 30% e 40% terão redução de 50% das vagas.
  • Faixa 2: 33 cursos com 40% a 50% de alunos proficientes sofrerão redução de 25% das vagas. Outros 45 cursos, com mais de 50% de proficiência, terão apenas a proibição de aumentar vagas, sem outras medidas cautelares por enquanto.

Os três primeiros grupos, considerados mais problemáticos, ficam impedidos de ampliar vagas e também perdem temporariamente o direito de participar do Fies e de outros programas federais.

Processo administrativo e prazo para defesa

Cabe à Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) comunicar oficialmente cada instituição sobre a abertura de um processo administrativo de supervisão. A partir daí, as universidades têm 30 dias para se manifestar e podem pedir um prazo para corrigir deficiências.

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Após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União, os 99 cursos atingidos também terão 30 dias para apresentar defesa ao MEC antes que as sanções passem a valer.

As medidas devem permanecer em vigor até a divulgação do Conceito Enade 2026. A próxima edição da prova está prevista para outubro.

Em nota, o MEC resumiu o critério que orienta todo o processo: “Quanto maior o risco ou ameaça ao interesse público, mais graves serão as medidas adotadas”.

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Balanço

De acordo com o levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o exame avaliou 89.024 estudantes e profissionais de medicina, dos quais 75% obtiveram desempenho proficiente.

Entre eles, 39.258 eram estudantes concluintes do curso. Desses, 67% tiveram proficiência. Além disso, o público geral (49.766), que inclui médicos formados e inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare), teve 81% dos participantes com proficiência. 

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Após a sua primeira edição, em 2025, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) será aplicado todos os anos e, segundo o MEC, unifica duas frentes importantes: a avaliação dos cursos de medicina no Enade e a prova objetiva de acesso direto ao Enare, que seleciona candidatos para a residência médica.

Para o Ministério da Educação, exame relevância estratégica nacional. “Seus resultados impactam diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e o ingresso de novos médicos no mercado de trabalho“, destacou a pasta, em nota.

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Fonte.:Saúde Abril

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