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Introdução
O Enamed 2025 revela um cenário alarmante na formação médica do Brasil: 3 em cada 10 estudantes de medicina não atingem o nível aceitável. Mais de 100 cursos estão sob avaliação crítica e sujeitos a sanções. Entenda as disparidades regionais e o que espera as faculdades com desempenho insuficiente.
- 3 em cada 10 futuros médicos (13 mil formandos) obtiveram conceitos abaixo do mínimo aceitável no Enamed 2025.
- 107 faculdades de medicina receberam notas “críticas” ou “insuficientes”, estando sujeitas a sanções e até encerramento.
- A região Norte do país concentra as piores avaliações, com quase metade dos cursos de medicina em alerta.
- O Sul se destaca com o menor índice de cursos insuficientes, enquanto o Sudeste e Nordeste ficam na média nacional.
- Cursos com baixa performance podem sofrer proibição/redução de vagas e suspensão de novos ingressos.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Os resultados do último Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed 2025, levantaram preocupação sobre a qualificação de muitos profissionais que estão saindo das universidades brasileiras: três em cada dez estudantes de último semestre dos cursos de medicina obtiveram conceitos abaixo da menor nota considerada aceitável pelo Ministério da Educação – um número que equivale a 13 mil formandos ao redor do país.
Ao todo, o Enamed avaliou 350 cursos em todas as unidades da federação. Apenas 49 alcançaram o conceito 5, a nota máxima, majoritariamente (84%) em universidades públicas.
Por outro lado, 107 faculdades de medicina foram avaliadas com conceitos 1 ou 2, considerados, respectivamente, “crítico” e “insuficiente”. Os números sujeitam esses cursos a sanções e até mesmo ao encerramento definitivo.
Abaixo, você confere um perfil das diferentes regiões do país em relação a essa classificação.
+Leia também: ‘OAB da medicina’ aprovada no Senado: como será o exame e o que muda para os estudantes?
Centro-Oeste: alerta goiano
Cursos na região: 35
40% com conceito 1 ou 2 (14 cursos)
11% com conceito 5 (4 cursos)
O recorte regional do Centro-Oeste acaba gerando uma distorção significativa: embora 40% dos cursos avaliados nessa parte do Brasil tenham ficado com conceitos abaixo do mínimo aceitável, quem puxa a média para baixo são majoritariamente as instituições de ensino goianas. No estado, 10 dos 16 cursos (ou quase 63% deles) foram avaliados com nota 1 ou 2 no Enamed, acendendo um alerta sobre a qualidade das faculdades instaladas no estado.
Por outro lado, o Mato Grosso do Sul ajudou a elevar a média da região em relação aos cursos com conceito máximo: três das quatro notas máximas registradas na região vieram de lá.
Nordeste: dentro da média nacional
Cursos na região: 86
30% com conceito 1 ou 2 (26 cursos)
16% com conceito 5 (14 cursos)
Em segundo lugar no número absoluto de cursos de medicina oferecidos no país, atrás apenas do Sudeste, os dados do Nordeste se assemelham à média nacional, seja na proporção de notas máximas (16%, contra 14% nacionalmente) ou naquelas com conceitos 1 ou 2 (na casa de 30%).
Entre os destaques positivos, está Sergipe: dois dos quatro cursos oferecidos no estado receberam a avaliação mais alta, e nenhum dos outros ficou com conceito 1 ou 2.
Norte: muito a melhorar
Cursos na região: 30
47% com conceito 1 ou 2 (14 cursos)
3% com conceito 5 (1 curso)
No geral, as piores avaliações dos cursos de medicina no país ficaram na região Norte: quase metade dos cursos (14 dos 30) recebeu notas consideradas críticas ou insuficientes, e a região também teve a menor proporção de cursos com a avaliação mais alta, índice obtido por apenas um deles. A solitária exceção ficou por conta do conceito 5 atingido pelos alunos da unidade de Marabá da Universidade Estadual do Pará (UEPA).
Na própria UEPA, porém, é possível ver um exemplo das discrepâncias que podem ocorrer inclusive em instituições pertencentes a uma mesma rede, no caso, a estadual: em Belém, o curso da UEPA ficou com conceito 4; em Santarém, com 3.
Sudeste: números absolutos
Cursos na região: 141
32% com conceito 1 ou 2 (45 cursos)
16% com conceito 5 (22 cursos)
Região brasileira com mais cursos de medicina, o Sudeste também é aquele que concentra a maior quantidade tanto de faculdades com conceitos críticos ou insuficientes, quanto com avaliação máxima.
Na prática, o fenômeno é semelhante ao do Nordeste: a força está nos números absolutos, pois em termos proporcionais essa parte do Brasil acaba ficando dentro da média geral.
Dentro do Sudeste, porém, há distâncias significativas de um estado para o outro. Chama atenção a situação do Rio de Janeiro: 10 dos 22 cursos oferecidos por instituições fluminenses ficaram com conceitos abaixo do mínimo aceitável, e nenhum deles conquistou uma avaliação máxima – o único estado do Sudeste sem um curso de conceito 5 no Enamed.
Sul: menor índice de “reprovados”
Cursos na região: 58
14% com conceito 1 ou 2 (8 cursos)
14% com conceito 5 (8 cursos)
Fica no Sul do Brasil a menor proporção de cursos com avaliações insuficientes e críticas no último Enamed. São apenas oito no total, distribuídas de forma quase equânime pelos estados (três no Paraná, três no Rio Grande do Sul e dois em Santa Catarina), o que deixa a região bem abaixo da média nacional em termos de faculdades “reprovadas”: somente 14% delas estão nessa faixa, contra cerca de 30% no Brasil inteiro.
Na outra ponta do espectro, as avaliações máximas dos estados do Sul ficam em proporção semelhante à do Brasil, mas quem se destaca é o Paraná: seis das oito universidades que receberam conceito 5 ficam no estado. Já Santa Catarina não tem nenhuma.
O que acontece com os cursos nota 1 e 2?
Universidades que ficaram com conceitos insuficientes estão sujeitas a diferentes tipos de sanções, de acordo com a avaliação que obtiveram e o índice de proficiência dos alunos. As sanções possíveis são as seguintes, em ordem de gravidade:
- Proibição de aumento de vagas
- Redução de 25% das vagas
- Redução de 50% das vagas
- Suspensão de novos ingressos, proibição de aumento de vagas e suspensão do Fies
Segundo o Ministério da Educação, as limitações são maneiras de tentar elevar a qualidade do ensino e melhorar a avaliação no próximo exame do tipo, prevenindo a expansão de cursos cuja formação é considerada inadequada no momento. As instituições ainda podem apresentar recursos.
Os que efetivamente forem sancionados correm risco de fechamento definitivo nos próximos anos, caso não melhorem o desempenho em avaliações subsequentes.
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Fonte.:Saúde Abril


