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3 de março de 2026

Endocrinologista aponta quando o uso de canetas emagrecedoras pode fazer mal à saúde

Endocrinologista aponta quando o uso de canetas emagrecedoras pode fazer mal à saúde

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Medicamentos como semaglutida e tirzepatida representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade nas últimas décadas. No entanto, seu uso indiscriminado pode trazer riscos e frustrações quando não há indicação clínica adequada nem acompanhamento médico criterioso.

As chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam popularidade, impulsionadas por resultados expressivos na perda de peso e pela ampla divulgação nas redes sociais. Originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, esses fármacos passaram a ser indicados também para obesidade, doença crônica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e associada ao aumento do risco cardiovascular, inflamação sistêmica e redução da expectativa de vida.

No Brasil, dados recentes mostram que mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso, e cerca de um quarto já vive com obesidade. Isso reforça que estamos diante de um problema de saúde pública, e não apenas de uma questão estética.

Estudos robustos demonstram que essas medicações promovem perda significativa de peso, melhora do controle glicêmico e redução de eventos cardiovasculares em grupos selecionados. Mas isso não significa que sejam apropriadas para qualquer pessoa.

Uso apenas estético não é indicação médica

Esses medicamentos são indicados para indivíduos com índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m2 ou para aqueles com sobrepeso associado a comorbidades, como diabetes, hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono.

Utilizá-los apenas para perder dois ou três quilos por motivo estético não é recomendação médica. Toda medicação possui potenciais efeitos adversos, e o risco-benefício deve sempre ser avaliado.

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Náuseas, vômitos, diarreia e desconforto gastrointestinal são comuns nas primeiras semanas. Em alguns casos, pode haver desidratação, perda excessiva de massa magra, piora da fragilidade em idosos e necessidade de ajustes terapêuticos.

Na prática clínica, observo que parte dos pacientes que procuram essas medicações não apresenta indicação formal, mas sim pressão estética ou comparação social – o que aumenta o risco de frustração e uso inadequado.

+Leia também: Uso de “canetas emagrecedoras”; sem indicação preocupa cientistas; entenda por quê

Situações que exigem cautela

Existem condições em que o uso é contraindicado ou requer avaliação rigorosa. Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 não devem utilizar essas medicações.

Pacientes com pancreatite prévia exigem prudência, assim como indivíduos com doença biliar, dado o maior risco de formação de cálculos associado à rápida perda de peso.

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Gestantes, mulheres que planejam engravidar e pessoas com transtornos alimentares ativos também não são candidatas adequadas. Em casos de depressão grave ou compulsão alimentar não tratada, a abordagem deve ser multidisciplinar.

Outro ponto pouco discutido é a qualidade da perda de peso. Quando não há orientação nutricional e estímulo à atividade física, parte significativa da redução pode ocorrer à custa de massa muscular, fator essencial para o metabolismo, a autonomia e o envelhecimento saudável.

Além disso, a interrupção abrupta do tratamento, sem estratégia de manutenção, pode levar ao chamado efeito rebote, com recuperação parcial ou total do peso perdido.

+Leia também: Pancreatite: como saber se a caneta emagrecedora está afetando o pâncreas?

Emagrecer é estratégia de saúde, não tendência

As canetas emagrecedoras são ferramentas valiosas no tratamento da obesidade, mas não substituem mudanças estruturais de estilo de vida. Alimentação equilibrada, exercício físico, sono adequado e manejo do estresse continuam sendo pilares fundamentais.

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O tratamento da obesidade deve ser encarado como estratégia de saúde a longo prazo, com foco não apenas na estética, mas na redução do risco cardiometabólico e no aumento da expectativa de vida com qualidade.

Medicamento não é atalho cosmético. É intervenção terapêutica que exige critério, responsabilidade e acompanhamento médico. O verdadeiro objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas tratar a saúde metabólica de forma segura, sustentável e baseada em ciência.

* Filippo Pedrinola é endocrinologista e head nacional de Endocrinologia da Brazil Health

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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Fonte.:Saúde Abril

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