7:54 AM
20 de fevereiro de 2026

EUA: fim de ações afirmativas muda perfil de universidades – 20/02/2026 – Mundo

EUA: fim de ações afirmativas muda perfil de universidades – 20/02/2026 – Mundo

PUBLICIDADE



A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de 2023 que proibiu universidades de levar em conta critérios raciais nos seus processos seletivos levou a quedas nas admissões de estudantes negros e latinos em universidades de elite. Em muitas outras instituições, ocorreu o oposto, segundo uma nova análise.

No geral, as matrículas de calouros de grupos minoritários aumentaram 8% nas universidades públicas de referência. A análise, realizada pela organização sem fins lucrativos Class Action, conclui que essas instituições estavam entre as que se beneficiaram com o resultado das maiores taxas de rejeição de estudantes negros e hispânicos nas 50 faculdades mais seletivas dos EUA.

Nessas 50 principais instituições, as matrículas de calouros negros caíram 27% e as de latinos, 10%.

Os dados da Class Action, que trabalha para promover equidade na educação, foram baseados em números federais de matrículas de 2024 divulgados em janeiro, abrangendo mais de 3.000 faculdades e universidades.

Dados publicados anteriormente por um número menor de instituições já indicavam que faculdades de elite admitiram menos estudantes negros e latinos após a decisão da Suprema Corte, mas o relatório foi um dos primeiros esforços para analisar o impacto da decisão na demografia das matrículas em uma ampla gama de faculdades do país.

Embora os dados cubram apenas as matrículas de calouros no primeiro ano após a decisão da Suprema Corte entrar em vigor, eles reforçam a previsão de alguns especialistas em educação de que a medida teria consequências amplas.

Estudantes negros e latinos altamente qualificados, que poderiam ter sido admitidos em faculdades de elite da Ivy League e outras instituições similares antes da decisão da Suprema Corte, matricularam-se em escolas menos seletivas como resultado da decisão, potencialmente levando a uma “cascata” de estudantes minoritários menos qualificados se matriculando em instituições de menor prestígio.

Algumas pesquisas sugerem que o fenômeno pode ter efeitos de longo prazo nas oportunidades de emprego e nos rendimentos dos estudantes que acabaram nas instituições menos seletivas.

O novo relatório conclui que a decisão da Suprema Corte reduziu o número de estudantes não brancos em instituições com as maiores taxas de formatura e maiores rendas medianas após a graduação, um resultado que, segundo os autores, poderia levar a desigualdades raciais persistentes na renda.

Muitas faculdades privadas com requisitos de admissão menos seletivos que a Ivy League também registraram grandes aumentos. Entre elas estavam a Universidade de Syracuse, onde as matrículas de estudantes negros cresceram 17%, e a Universidade de Miami, onde os estudantes latinos aumentaram 45%.

Os dados mostram um impacto significativo na demografia das principais instituições do país.

As matrículas de calouros negros caíram dois pontos percentuais nas 12 faculdades conhecidas como Ivy Plus, que incluem as oito instituições da Ivy League (Harvard, Yale, Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Princeton e Universidade da Pensilvânia) além de Duke, Stanford, Instituto de Tecnologia de Massachusetts e Universidade de Chicago. Entretanto, graças a essa queda, havia 25% menos estudantes negros na turma de calouros nessas universidades, observou o relatório.

James S. Murphy, pesquisador sênior da Class Action, disse que partes dos dados de 2024 pareceram surpreendentes, embora algumas das mudanças tivessem sido previstas.

“Fiquei atônito quando vi coisas como a Universidade do Mississippi registrando grandes ganhos nas matrículas de estudantes negros e a Universidade de Miami vendo um grande aumento de estudantes latinos”, disse ele.

Além do Mississippi, que registrou um aumento de 50% nas matrículas de calouros negros, outros grandes saltos incluíram a Universidade do Estado da Louisiana, onde as matrículas de calouros negros aumentaram 30%. Na Universidade do Tennessee-Knoxville e na Universidade da Carolina do Sul, as matrículas de latinos aumentaram mais de um terço.

Na Universidade do Mississippi, uma escola que tem trabalhado para eliminar vestígios históricos de racismo, a mudança não passou despercebida pelos estudantes.

Lamarcus Lenoir, um estudante do segundo ano de Tupelo, no Mississippi, disse que notou isso quando chegou ao campus no outono de 2024.

“Meus amigos e eu comentamos quantos estudantes negros havia e como ficamos surpresos”, disse Lenoir, 19 anos, que é negro, em uma entrevista. Ele recentemente escreveu um artigo de opinião sobre o tema para o jornal do campus, The Daily Mississippian.

Uma descoberta surpreendente foi que as matrículas de estudantes negros caíram no geral em faculdades e universidades historicamente negras, apesar de aumentos em outras instituições do tipo.

Alguns especialistas haviam previsto um aumento geral nas matrículas nessas faculdades como resultado da decisão da Suprema Corte. Segundo Murphy, o custo de algumas dessas escolas, muitas das quais são privadas, pode ter levado estudantes negros a optarem por universidades públicas.



Fonte.:Folha de S.Paulo

Leia mais

Rolar para cima