Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (14) o lançamento da segunda fase de seu plano para o cessar-fogo na Faixa de Gaza, mesmo que elementos cruciais da primeira fase, incluindo o fim completo da troca de ataques entre Israel e o Hamas, ainda não tenham sido cumpridos.
A primeira fase foi abalada por ataques aéreos israelenses, que mataram centenas de pessoas em Gaza, além da não devolução dos restos mortais de um refém israelense e a demora de Israel em reabrir a passagem de fronteira de Gaza com o Egito.
Ao prosseguir com a segunda fase, os Estados Unidos e seus parceiros mediadores precisarão enfrentar os desafios ainda mais complexos do desarmamento do Hamas, que se recusa a entregar suas armas, e do envio de uma força internacional de paz para Gaza.
Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump, afirmou que essa segunda etapa “estabelece uma administração palestina tecnocrata de transição em Gaza” e dará início ao processo de desarmamento e reconstrução.
O órgão palestino terá 15 integrantes e será liderado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente, que era responsável pelo desenvolvimento de zonas industriais, segundo um comunicado conjunto dos mediadores Egito, Catar e Turquia.
“Conselho de Paz” para Gaza
Israel e o Hamas aprovaram em outubro o plano de cessar-fogo dos Estados Unidos, que prevê que o órgão tecnocrático palestino seja supervisionado pelo “Conselho de Paz” internacional, que deverá governar Gaza durante um período de transição.
Outros integrantes indicados por Nickolay Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, que deverá representar o Conselho de Paz no território, incluem pessoas do setor privado e de ONGs, de acordo com uma lista de nomes obtida pela Reuters.
Witkoff não informou quantos integrantes o órgão terá nem forneceu quem serão essas pessoas.
Outro anúncio relacionado ao Conselho de Paz também deverá ser feito em Davos na próxima semana, disse um diplomata europeu.
Ali Shaath, o ex-vice-ministro da Autoridade Palestina, afirmou em uma entrevista que o comitê se concentraria inicialmente em fornecer ajuda urgente para Gaza, incluindo moradia para os palestinos deslocados.
“Se eu trouxer tratores e empurrar os escombros para o mar, criando novas ilhas e novas terras, posso conquistar novas terras para Gaza e, ao mesmo tempo, remover os escombros. Isso não levará mais de três anos”, pontuou Shaath a uma estação de rádio da Cisjordânia.
Um relatório da ONU de 2024 indicou que a reconstrução das casas destruídas em Gaza deve durar até pelo menos até 2040, mas poderá se arrastar por muitas décadas.
Desafio de desmilitarização
Witkoff afirmou que a segunda fase do plano de Trump também dará início à “desmilitarização e reconstrução completas de Gaza, principalmente o desarmamento de todo o pessoal não autorizado”.
O Hamas, que se recusa a depor as armas, concordou em outubro em entregar a governança ao comitê tecnocrático.
Ainda não está claro como o Hamas, que se reagrupou desde o início de um frágil cessar-fogo em outubro, será desarmado conforme exigido pelo plano.
Líderes do grupo e outras facções palestinas estão no Cairo para negociações sobre a segunda fase, onde integrantes do comitê tecnocrático palestino devem se reunir com Mladenov.
Fontes egípcias disseram que as negociações com o Hamas agora se concentrarão no desarmamento do grupo.
A retirada de mais tropas de Israel de dentro de Gaza também estão condicionadas ao desarmamento, embora o Hamas tenha afirmado que só entregará suas armas quando houver um Estado palestino.
Autoridades israelenses não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Fonte: CNN Brasil


