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Introdução
O CDC dos EUA cortou de 17 para 11 o número de vacinas infantis recomendadas, impulsionado por uma agenda antivacina. Especialistas criticam a medida, que pode gerar riscos à saúde pública. Em contraste, o Brasil mantém um calendário vacinal robusto e é referência mundial. Entenda o impacto da decisão e as vacinas essenciais.
- O CDC cortou de 17 para 11 o total de imunizantes recomendados para crianças.
- A decisão é vista como reflexo da agenda da gestão sanitária americana, que questiona publicamente a eficácia de vacinas.
- Especialistas alertam para o perigo de retorno de doenças e fragilização da imunidade de rebanho.
- O PNI brasileiro é referência mundial, com 30 opções de vacinas, mantendo calendário completo para a infância.
- Todas as doenças contra as quais os EUA deixaram de recomendar vacinas continuam sendo contempladas pelo Programa Nacional de Imunizações.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (5), um corte drástico no número de vacinas recomendadas para crianças no país: agora, o total de imunizantes indicados de forma rotineira caiu de 17 para 11.
A decisão segue a agenda antivacina que tem marcado a atual gestão sanitária norte-americana, sob o comando do atual secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que questiona publicamente a eficácia de diferentes vacinas, mesmo sem apresentar evidências que justifiquem o ceticismo.
No ano passado, os EUA deixaram de recomendar a tetraviral para crianças de menos de 4 anos e o CDC passou a insinuar que vacinas poderiam causar autismo.
Em dezembro, o CDC também votou para deixar de recomendar a vacinação contra a hepatite B ao nascer, defendendo a tomada de decisões individual por parte dos pais.
O que mudou na prática
Com a nova diretriz anunciada nesta semana, vacinas antes recomendadas para todas as crianças nos Estados Unidos passaram a ser indicadas só em casos específicos.
Usando a expressão “tomada de decisão compartilhada”, o CDC agora entende que certos imunizantes só precisariam ser aplicados quando houver entendimento de que a criança está sob alto risco de contrair aquela doença, ou após recomendação expressa de um médico.
Entre as vacinas que entram nessa categoria estão aquelas que protegem contra hepatite A, hepatite B, gripe (influenza), rotavírus e meningite. Segundo as autoridades norte-americanas, a decisão veio após um estudo comparativo com o calendário vacinal adotado no país e aquele visto em outras nações desenvolvidas.
As medidas, porém, vêm sendo amplamente criticadas por especialistas em saúde pública, que apontam o risco de retorno de diferentes doenças ao fortalecer a hesitação vacinal e criar “apagões” na imunidade de rebanho contra doenças que já se consideravam superadas.
As vacinas, vale lembrar, funcionam não porque são tomadas apenas por crianças “em alto risco de contrair a doença”, mas por toda a população. Clique aqui para entender mais sobre o assunto.
Não à toa, os Estados Unidos já convivem, por exemplo, com uma crise pelo retorno do sarampo.
Como é no Brasil
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é considerado referência mundial em vacinação e atualmente conta com 30 opções de vacinas, considerando todas as fases da vida. Mais de metade delas são indicadas durante a infância, com as primeiras doses sendo aplicadas, idealmente, nos primeiros 15 meses após o nascimento.
Todas as doenças contra as quais os EUA deixaram de recomendar vacinas continuam sendo contempladas pelo PNI e são disponibilizadas no sistema público de saúde brasileiro. A vacinação é fundamental para prevenir formas graves de dezenas de doenças que podem levar à morte, com importância redobrada no começo da vida, quando o sistema imunológico é imaturo.
Confira o atual calendário vacinal infantil do Brasil:
Ao nascer:
Aos 2 meses:
Aos 3 meses:
- Meningocócica C (1ª dose), protege contra doenças causadas pelo meningococo tipo C (meningite, encefalite, meningoencefalite)
Aos 4 meses:
- Pentavalente DTP+Hib+HB (2ª dose)
- Poliomielite inativada VIP (2ª dose)
- Pneumocócica 10-valente (2ª dose)
- Rotavírus humano (2ª dose)
Aos 5 meses:
- Meningocócica C (2ª dose)
Aos 6 meses:
Aos 7 meses:
Aos 9 meses:
- Febre amarela (1ª dose), protege contra a febre amarela. Excepcionalmente, em condições de risco ou exigência de viagem, é possível aplicá-la dos 6 aos 8 meses
- Covid-19 (3ª dose)
Aos 12 meses:
- Meningocócica ACWY (1 dose), protege contra as doenças causadas por meningococos do tipo A, C, W e Y (meningite, encefalite e meningoencefalite)
- Tríplice viral SCR (1 dose), protege contra sarampo, caxumba, rubéola e síndrome da rubéola congênita (em uma gravidez futura)
- Pneumocócica 10-valente (reforço)
Aos 15 meses:
- Tetraviral SCRV (1 dose), protege contra sarampo, caxumba, rubéola, síndrome da rubéola congênita e varicela
- Hepatite A (1 dose), protege contra a hepatite A
- DTP (1ª dose de reforço), protege contra difteria, tétano e coqueluche
- Poliomielite inativada VIP (1ª dose de reforço)
Aos 4 anos:
- DTP (2º reforço)
- Febre amarela (reforço)
- Varicela (1 dose)
Aos 5 anos:
- Pneumocócica 23-valente (1 dose, somente para povos indígenas sem histórico vacinal com pneumo conjugada)
A partir dos 7 anos:
- dT (3 doses, indicada para completar esquema vacinal em atraso), protege contra difteria e tétano
Dos 9 aos 14 anos:
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Fonte.:Saúde Abril


