Países europeus são os vencedores da mais recente medida de Donald Trump para reconstruir a política tarifária dos EUA, após ela ter sido derrubada pela Suprema Corte do país no início deste ano.
Os EUA impuseram nessa quinta-feira (23) tarifas a 60 parceiros comerciais com alíquotas variando de 10 a 12,5%. A medida foi adotada justamente quando as taxas globais anteriores de 10% expiravam.
Vários países europeus estão em melhor situação sob o novo regime tarifário, de acordo com uma análise do órgão independente de monitoramento comercial Global Trade Alert, com as alíquotas para França, Reino Unido, Alemanha e Espanha caindo.
Em contraste, muitos países asiáticos e latino-americanos enfrentarão uma situação pior. De longe, o maior perdedor é o Brasil, que o presidente americano atingiu com tarifas separadas no início deste mês. Sua alíquota tarifária efetiva salta de 11 para 17,7%, segundo a análise.
As alíquotas para China, Vietnã e Indonésia aumentaram entre 0,5 e 1 ponto percentual, assim como as alíquotas para Chile e Colômbia.
As novas tarifas foram impostas usando a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que, segundo analistas, foi projetada para dar uma base jurídica mais sólida à política tarifária de Trump, com 60 diretrizes separadas direcionadas a cada parceiro comercial.
As novas tarifas mostram como Washington está encontrando novas formas de manter a política comercial de Trump mesmo após a Suprema Corte ter decidido em fevereiro que as tarifas impostas eram ilegais.
George Riddell, diretor-executivo da consultoria comercial Goyder, disse que a medida protegeria o governo contra o risco de outro colapso generalizado do regime tarifário.
“O efeito prático [das novas tarifas] é forçar que os litígios sejam específicos por país. Um questionamento bem-sucedido contra as tarifas impostas a uma economia, pela redação do comunicado, dificilmente desfaria as outras cinquenta e nove”, escreveu em nota a clientes.
O novo regime, direcionado a países que o governo alega estarem falhando em “impor e aplicar efetivamente” uma proibição de importações produzidas com trabalho forçado, substitui as tarifas globais de 10% introduzidas por decreto após a decisão da Suprema Corte americana.
Folha Mercado
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A alíquota tarifária efetiva geral permanece estável em 10,8% —aproximadamente a mesma taxa de antes— mas ficará abaixo da alíquota de 15,8%, que era praticada no momento da decisão da Suprema Corte.
Johannes Fritz, diretor-executivo do Global Trade Alert, disse que alguns países europeus emergiram como vencedores relativos devido ao conjunto de exportações que fazem aos EUA. Além disso, irão se beneficiar das isenções para produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa.
Sob as novas regras, a alíquota tarifária de 10% para a UE (União Europeia) também não seria “empilhada” sobre outras taxas, diferentemente do regime provisório, dando ao bloco de 27 membros uma vantagem relativa.
“As alíquotas sobem, particularmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, mesmo que apenas ligeiramente”, disse Fritz.
Bélgica, Espanha e Itália são os que mais ganham, com suas alíquotas efetivas caindo entre 1 e 1,5 ponto percentual, mostra a análise do Global Trade Alert.
“Itália e Espanha se beneficiaram de uma queda nas alíquotas tarifárias sobre calçados e vestuário tecido, bem como roupas de malha, além de bolsas”, acrescentou Fritz.
A UE adotou um tom conciliatório na quinta-feira, saudando que as novas alíquotas não excederam o teto de 15% acordado quando os EUA e a União Europeia fecharam um acordo no resort de golfe Turnberry de Trump, na Escócia, no verão passado.
No entanto, o alívio pode ser apenas temporário. A UE está se preparando para uma investigação separada sobre “excesso de capacidade estrutural e produção em setores manufatureiros”, que deve levar a mais tarifas.
Juntas, essas medidas podem resultar em uma alíquota geral mais alta do que o teto de 15%.
Se isso acontecer, a Comissão Europeia informou aos embaixadores da UE que um pacote de retaliação permanece pronto para ser aplicado sobre 93 bilhões de euros em exportações americanas, incluindo carros, bourbon e soja.
Fonte.:Folha de S.Paulo


