Artistas famosos que costumam apoiar campanhas alinhadas à agenda da esquerda voltaram a viralizar nas redes sociais, desta vez com uma ação contra os sites de apostas online. Na campanha, eles atribuem às plataformas de bets e ao chamado “Jogo do Tigrinho” a responsabilidade pelo atual recorde de endividamento das famílias.
Entre os artistas, estão nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Marieta Severo, Paulinho da Viola, Luisa Arraes, Claudia Abreu, Mateus Solano, Letícia Sabatella e Camila Pitanga. Trata-se de uma reedição de campanhas alinhadas à esquerda, como as realizadas contra a PEC da blindagem, as campanhas eleitorais de Lula e a mobilização contra a anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.
“As bets se transformaram em um problema de saúde pública. Uma epidemia que está devastando famílias, criando vício, sofrimento e dívidas. Essa campanha quer mostrar que a sociedade não aceita mais esse cenário”, diz o manifesto do grupo.
A mobilização é organizada pelo coletivo 342 Artes. O grupo de artistas, criado e mobilizado pela empresária Paula Lavigne (esposa de Caetano Veloso), reuniu-se na década passada para defender as exposições do chamado Queermuseu — mostras que, entre 2017 e 2018, foram acusadas de vilipendiar símbolos cristãos e expor crianças à nudez de adultos.
O coletivo “342 Artes, Cultura e Democracia” organiza os artistas nessas ações há anos. O exemplo mais recente é o “Block no Tigrinho”, lançado nesta terça-feira (2). Com a frase “De que lado da influência você está?”, a campanha coloca como lema central do movimento nacional #BlockNoTigrinho um sentido de divisão do “bem contra o mal”. Até a noite desta quarta-feira (3), 100 mil pessoas já tinham realizado o cadastro.
A campanha convida influenciadores, artistas e toda a sociedade a se posicionarem contra a publicidade de apostas online e jogos de azar (bets), alertando para os riscos de endividamento e a dependência psicológica dos usuários.
A página da mobilização no Instagram convida o público a participar por meio de um abaixo-assinado, pedindo que as redes sociais sejam usadas para alertar sobre os riscos decorrentes da utilização dessas plataformas.
Segundo dados mencionados na ação, 1,8 milhão de brasileiros se endividaram por causa de apostas online em 2024. Desse total, aproximadamente 1,4 milhão apresentaria algum tipo de transtorno de comportamento relativo a jogos de azar, também de acordo com a ação.
Politização
A intenção política da ação transparece em outro vídeo publicado no perfil do 342 Artes. Propondo-se a apresentar um histórico das bets no país, o vídeo coloca o governo de Michel Temer como marco do início da atuação das casas de apostas online.
Segundo a publicação, no governo de Jair Bolsonaro teria se instalado uma “epidemia de apostas” – numa referência aos anos da Covid-19 – e, somente com a ascensão de Lula em 2023, o tema teria retornado à pauta com a regulamentação no Congresso Nacional.
A responsabilização de Bolsonaro pelas bets repete discurso do próprio Lula em janeiro, que afirmou que o ex-presidente colocou um “cassino dentro das casas”.
A associação que a campanha dos artistas faz entre a regulamentação e o governo atual, no entanto, não passou despercebida.
Nas redes sociais, internautas atribuíram ao governo Lula parte da responsabilidade pela popularização das plataformas de apostas online, argumentando que sua regulamentação e expansão ocorreram durante a atual gestão.
Os críticos também contestaram narrativas que responsabilizam exclusivamente jogos pelo endividamento da população, defendendo que as dificuldades econômicas, a perda de poder de compra e os obstáculos para trabalhar, investir e empreender têm levado muitas pessoas a enxergar as apostas como uma alternativa para tentar melhorar sua situação financeira.
A reportagem da Gazeta do Povo procurou o coletivo 342 Artes por meio de suas redes sociais para que comentasse o tema, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte. Gazeta do Povo




