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16 de março de 2026

Flávio Bolsonaro lidera crescimento nas redes, e Lula critica dependência digital

Flávio Bolsonaro lidera crescimento nas redes, e Lula critica dependência digital

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(FOLHAPRESS) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ganhado espaço nas redes sociais desde que foi anunciado como pré-candidato à Presidência da República. Nas últimas semanas, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passou a registrar crescimento mais acelerado no ambiente digital do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A movimentação acontece em um momento em que pesquisas de intenção de voto indicam empate técnico entre Flávio e Lula em um eventual segundo turno.

Enquanto o senador amplia sua presença nas redes, Lula tem demonstrado certa resistência ao universo digital. Em discursos recentes, o presidente já afirmou diversas vezes que não usa celular e costuma criticar o uso excessivo do aparelho, prática comum entre grande parte da população.

Especialistas avaliam que esse tipo de discurso pode afastar parte do eleitorado conectado. Ao mesmo tempo, o avanço de Flávio na internet acompanha a consolidação de sua candidatura e o crescimento nas pesquisas.

A pedido da Folha de S.Paulo, a consultoria de dados Bites analisou o desempenho digital dos principais nomes da política nacional. O levantamento compara, semana a semana, qual líder apresentou maior “tração” nas redes sociais entre 2022 e 2026.

No marketing político, o termo “tração” se refere à capacidade de um perfil crescer de forma consistente na internet, medido pelo volume de interações como curtidas, comentários e compartilhamentos.

Nos primeiros anos analisados, Jair Bolsonaro dominava com folga o cenário digital. Segundo especialistas, sua eleição em 2018 teve forte influência de uma estrutura digital voltada para mobilização política.

“A direita apostou primeiro nas redes, enquanto a esquerda demorou a perceber a relevância desse ambiente”, afirma André Eler, diretor técnico da Bites.

Após a eleição de Lula em 2022, o cenário mudou temporariamente. A vitória do petista nas urnas gerou entusiasmo nas redes e o presidente chegou a superar Bolsonaro em engajamento por seis semanas.

Esse cenário voltou a se inverter pouco depois. A liderança digital de Bolsonaro se manteve até agosto de 2025, quando ele passou a cumprir prisão domiciliar e ficou incomunicável. Meses depois, após condenação por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente foi transferido para o regime fechado.

Nesse período, Lula tentou fortalecer sua presença nas redes com o apoio da Secretaria de Comunicação Social, comandada pelo ministro Sidônio Palmeira. A estratégia ajudou o presidente a liderar o engajamento digital por 15 semanas no ano passado.

Flávio Bolsonaro, que inicialmente tinha menor alcance nas redes, começou a crescer quando passou a atuar como principal porta-voz do bolsonarismo. O salto de popularidade ocorreu após o pai anunciar, em dezembro, que ele seria o candidato da família à Presidência.

Desde então, o senador passou a liderar o engajamento digital em várias semanas deste ano.

Em números absolutos de seguidores, Lula ainda mantém vantagem. Porém, o crescimento recente de Flávio tem sido mais acelerado. Desde dezembro, o senador ganhou cerca de 3,4 milhões de novos seguidores, enquanto o presidente somou aproximadamente 378 mil no mesmo período.

“As taxas de crescimento de Flávio já se aproximam das que Bolsonaro teve no auge”, afirma Eler.

Aliados do senador atribuem a expansão nas redes ao interesse do público em conhecer melhor o nome escolhido por Jair Bolsonaro para representar o grupo político nas eleições.

Segundo interlocutores, a estratégia atual busca apresentar Flávio como uma figura com perfil de estadista, capaz de representar o país internacionalmente.

As redes sociais do senador têm destacado viagens e encontros políticos no exterior. Em um dos vídeos publicados recentemente, ele aparece conversando em espanhol com o presidente da Argentina, Javier Milei, durante a posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast.

O objetivo, segundo aliados, é construir gradualmente uma imagem mais moderada do pré-candidato.

De acordo com pesquisa Datafolha, Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados: o senador tem 43% e o presidente, 46%.

Enquanto Flávio aposta na presença digital, Lula mantém um discurso crítico em relação à dependência tecnológica.

Durante a inauguração de um centro médico no Rio de Janeiro, o presidente sugeriu que as pessoas deveriam “fazer um cafuné no marido ou na mulher” ao acordar, em vez de olhar imediatamente o celular.

Em entrevista ao podcast Mano a Mano, do rapper Mano Brown, Lula afirmou que o uso excessivo de smartphones tem contribuído para o enfraquecimento da convivência social.

Para a especialista em marketing digital Mariana Bonjour, esse tipo de discurso pode gerar distanciamento com o eleitorado.

“O presidente acaba ficando distante do cidadão comum, e outro candidato ocupa esse espaço”, afirma.

Ela avalia que, apesar dos esforços da comunicação do governo, as redes de Lula ainda funcionam como uma extensão do noticiário tradicional, sem uma linguagem própria para o ambiente digital.

“Não existe equipe ou orçamento que substitua a presença direta do candidato na rede. Autenticidade não se terceiriza”, diz.

Segundo a especialista, o formato mais valorizado pela internet atualmente é o entretenimento e a comunicação espontânea.

Enquanto as publicações de Lula costumam ter produção elaborada, os conteúdos de Flávio frequentemente são gravados pelo próprio senador, sem intermediação de equipe.

Um exemplo recente foi um vídeo publicado na sexta-feira (13), em que ele pediu orações para o pai, internado na UTI com broncopneumonia.

O presidente também tem adotado uma postura crítica em relação às grandes empresas de tecnologia. Em seu terceiro mandato, Lula apresentou projetos para regulamentar redes sociais no Brasil e defendeu regras para o uso de inteligência artificial.

Para o estrategista político Paulo Loiola, existe também um componente ideológico na relação da esquerda com o mundo digital.

“As big techs são grandes empresas estrangeiras muitas vezes associadas à direita, enquanto a esquerda tem uma tradição política baseada na mobilização presencial”, afirma.

Segundo ele, a diferença geracional também influencia nesse cenário. Lula tem 80 anos, enquanto Flávio Bolsonaro tem 44.

Loiola observa que, embora o contato direto com eleitores continue sendo importante, a internet ampliou o alcance da comunicação política.

“Não vou dizer que o aperto de mão deixou de importar, mas ninguém consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. A internet permite alcançar muito mais gente”, conclui.
 
 
 



Fonte Noticias ao Minuto

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