O volume aportado por investidores estrangeiros na B3, a Bolsa de Valores brasileira, em janeiro deste ano superou a soma total do ano de 2025.
O saldo líquido, incluindo follow-ons (novas ofertas de ações), foi de R$ 26,47 bilhões –praticamente equivalente ao saldo de 2025, quando a soma foi de R$ 26,87 bilhões, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Uma das consequências desses aportes foi a disparada do Ibovespa, principal índice acionário do país. A alta acumulada foi de 12,56% no mês passado, no que foi a maior valorização mensal registrada desde a pandemia de coronavírus. Na série comparativa que data desde janeiro de 2010, janeiro de 2026 só ficou atrás de março de 2016 e de novembro de 2020, quando os ganhos foram de 16,97% e 15,9%, respectivamente.
A entrada de investidores estrangeiros no país deriva de um movimento de diversificação de carteiras em escala global, reflexo, entre outros fatores, dos temores instalados pela condução geopolítica do governo Donald Trump.
Essa rotação começou a ganhar corpo no ano passado, quando as idas e vindas do tarifaço do republicano tiraram a previsibilidade sobre a condução da economia norte-americana. Operadores passaram a olhar o mercado dos Estados Unidos com mais cautela e começaram a investir em praças menos expostas à volatilidade instalada pelo presidente.
A estratégia também teve como fundamento a desvalorização dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, uma das consequências dos cortes de juros do Federal Reserve.
Parte desse fluxo foi para mercados desenvolvidos, como europeus e japonês. Outra parte relevante, porém, foi destinada para emergentes –e o Brasil recebeu uma parte desse montante.
O movimento ganhou mais tração no mês passado depois que Trump iniciou uma cruzada na Venezuela, no Irã e na Groenlândia, ilha ártica da Dinamarca. O desejo pela posse do território dinamarquês veio com ameaças tarifárias sobre produtos europeus, o que abalou a relação dos Estados Unidos com a União Europeia.
Mais do que isso, transferiu risco para os mercados europeus. A incerteza fez o dinheiro global mudar de endereço, com parte destinada a países sem tanta exposição às tensões.
Nesse sentido, a “Bolsa se afirmou como destino relevante do capital estrangeiro”, diz Bruno Boccato, especialista de renda variável da InvestSmart XP.
“Esse contexto é reforçado por um mercado ainda descontado e com elevado potencial de valorização ao longo do ciclo. Com a Selic em patamares elevados e perspectiva de queda, o cenário favorece a migração de recursos da renda fixa para a renda variável, ampliando as oportunidades na Bolsa.”
Fonte.:Folha de S.Paulo


