10:01 AM
14 de janeiro de 2026

Furto de combustível volta a crescer no Brasil após seis anos de queda

Furto de combustível volta a crescer no Brasil após seis anos de queda

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(FOLHAPRESS) — A imagem de gasolina jorrando como um poço de petróleo, comum em cenas de filmes, chamou a atenção na zona rural de Orlândia, no norte do estado de São Paulo, a cerca de 365 quilômetros da capital. O episódio, ocorrido em outubro do ano passado, ajudou a impulsionar o aumento dos registros de furto de derivados de petróleo transportados por dutos no Brasil.

Dados da Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pela logística de combustíveis, mostram que, em 2025, foram registrados 31 casos de derivação clandestina, intervenções criminosas feitas por meio da perfuração de dutos enterrados ou aparentes para o furto de petróleo e derivados. Em 2024, o número havia sido de 25 ocorrências.

O crescimento interrompeu uma sequência de quedas observada desde 2018, quando o país atingiu o pico histórico de 261 casos desse tipo de crime. A série histórica da Transpetro teve início em 2015, embora o primeiro registro de derivação clandestina tenha ocorrido em 2011.

Os números avançaram apesar de um investimento anual de cerca de R$ 100 milhões em ações preventivas. Entre as medidas adotadas estão sensores capazes de identificar, em tempo real, variações de pressão nos dutos, uso de inteligência artificial, drones, escolta armada para fiscalização e a inauguração de um centro de operações no Rio de Janeiro.

“Apenas uma derivação clandestina é capaz de levar à morte de pessoas, provocar danos irreparáveis ao meio ambiente ou colocar em risco o abastecimento de combustíveis em infraestruturas críticas”, afirmou o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

Questionadas sobre o valor do prejuízo, a Transpetro e a Petrobras não divulgaram cifras. Segundo a subsidiária, a divulgação de volumes ou valores poderia incentivar a prática criminosa. “Por isso, a Transpetro não compartilha essas informações”, informou a empresa.

O estado de São Paulo liderou o aumento dos casos. Com 22 registros, respondeu por cerca de 70% das ocorrências no país em 2025. No ano anterior, haviam sido contabilizados 17 episódios no estado.

Em contrapartida, o Rio de Janeiro apresentou forte queda. Foram 13 ações criminosas registradas em 2020, contra apenas uma em 2025. De acordo com a Transpetro, a redução é resultado de ações integradas com as forças de segurança pública e do reforço nas medidas preventivas.

Sem divulgar números específicos, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que intensificou as operações de combate às derivações clandestinas. A pasta destacou que esse tipo de crime representa risco à população, ao meio ambiente e à infraestrutura crítica do estado. “As forças de segurança seguem atuando de forma integrada para reprimir essas práticas e responsabilizar os envolvidos”, informou.

Para Sérgio Bacci, o aumento dos casos em São Paulo não deve ser tratado como algo pontual. “O crescimento das derivações clandestinas no estado não pode ser interpretado como um evento episódico, mas como um risco estrutural e sistêmico”, afirmou em nota.

Segundo a Transpetro, São Paulo é um mercado atrativo para esse tipo de crime por concentrar importantes dutos que ligam refinarias, como a de Paulínia, a maior do país, localizada na região de Campinas. O estado também é cortado pelo oleoduto São Paulo–Brasília, o maior do Brasil em extensão e volume transportado, com 962 quilômetros e capacidade para cerca de 800 mil metros cúbicos de petróleo e derivados por mês.

Além disso, São Paulo possui a maior malha de dutos do país e um mercado consumidor robusto e contínuo, o que facilita a rápida absorção do combustível furtado. A infraestrutura logística e viária também contribui para o escoamento clandestino e a pulverização da mercadoria ilícita.

No caso de Orlândia, ocorrido em uma fazenda na divisa com o município de Sales Oliveira, houve forte odor de combustível, risco de explosão e contaminação ambiental, segundo informou a prefeitura à época. Um homem foi preso em uma área de mata. À polícia, ele relatou que havia ido ao local durante a noite com outros quatro comparsas, que conseguiram fugir. Um caminhão-tanque, que seria usado para transportar o combustível, foi abandonado na fazenda.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que as investigações conduzidas pela Polícia Civil resultaram na abertura de um inquérito policial. O suspeito segue preso preventivamente, sem prazo definido. As apurações incluem a análise de um celular apreendido, encaminhado ao Instituto de Criminalística para extração de dados, além da espera por respostas a ofícios enviados à Transpetro.

De acordo com a estatal, a dinâmica do crime costuma seguir um padrão. As quadrilhas atuam, em geral, durante a noite e utilizam caminhões-tanque, caminhões-pipa ou veículos adaptados para transportar o combustível furtado. Pessoas com conhecimento técnico em ferramentaria participam das ações, realizando a perfuração dos dutos de aço e a instalação de válvulas improvisadas. Mangueiras semelhantes às usadas por bombeiros são empregadas para transferir o combustível.

Na nota, o presidente da Transpetro defendeu o reforço da atuação das forças de segurança e cobrou maior rigor na legislação para reduzir os casos. Atualmente, tramitam no Congresso Nacional dois projetos de lei que tipificam os crimes de furto e roubo de combustíveis. Um é de autoria do deputado Juninho do Pneu (União-RJ) e aguarda análise no Senado. O outro foi apresentado pela senadora licenciada Simone Tebet (MDB-MS), atual ministra do Planejamento, e está em tramitação na Câmara dos Deputados.

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Folhapress | 08:00 – 08/01/2026



Fonte. .Noticias ao Minuto

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