


Resenha por Saulo Yassuda
“Bruxaria”, “borrachinha verde escolar”, “corn flakes com leite”. Com expressões divertidas — e nada tradicionais — na hora de descrever os vinhos do bar Gnomo, Paty Werneck traz algum frescor ao universo (às vezes, chato) dos apreciadores da bebida. O wine bar, dos mesmos sócios do Nomo, é uma espécie de edícula festiva e enófila do restaurante, mas montada na esquina ao lado.
Cada vez mais afiada em tintos, brancos e companhia, a publicitária mineira que chegou a ter um café em Belo Horizonte monta e desmonta a carta e sempre inclui novidades, parte delas em taça. A seleção abriga cerca de cinquenta rótulos, sobretudo de pequenos produtores. Junto do atendente Paulo Candido, a anfitriã circula pelo pequeno salão, com janelão e paredes clarinhas, ou pela calçada, onde estão a maioria dos lugares, para botar em prática o vocabulário leve e solto.
E eles acertam nas indicações. Pode ser o espumante português Julia Kemper Nature, de encruzado e malvasia fina, com acidez vibrante e toquinho salino (R$ 298,00). Ou o branco La Cappuccina San Brizio 2022 (R$ 260,00), da uva garganega, de Soave, no Vêneto, mais complexo. Ou o Equis 2022 (R$ 300,00), das castas país e garnacha, representante tinto chileno.
No comando da cozinha, está o chef e sócio Nando Carneiro, que teve passagem pelo Iaiá Cave à Manger. As criações dele também têm ar de novidade. É o caso do sarapeletti, apetitoso brodo com capeletes de pato e morcilla (R$ 68,00), que ganhariam mais pontos se a textura do recheio fosse mais macia. Delicinha cremosa, o babaganuche de jiló (R$ 40,00) carrega por cima maçã verde tostada, pétalas docinhas de cebola e dukkah, um mix de gergelim, castanhas em especiarias, tudo em prol de mais textura e sabor.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Fonte.: Veja SP Abril


