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7 de abril de 2026

Governo explora terreno fértil em ano eleitoral – 07/04/2026 – Opinião

Governo explora terreno fértil em ano eleitoral – 07/04/2026 – Opinião

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Em novo capítulo de sua cruzada contra a alta no preço dos combustíveis, o governo Lula (PT) decidiu mais que triplicar a subvenção destinada ao diesel e anunciou medidas adicionais para atacar o preço do gás de cozinha e socorrer o setor aéreo.

Em outra frente de batalha, a equipe econômica discute como reduzir o endividamento das famílias. Antes mesmo do lançamento, o pacote ganhou tentáculos para abarcar também MEIs (microempreendedores individuais), micro e pequenas empresas e dívidas estudantis.

O que começou como medidas pontuais para enfrentar os efeitos da guerra no Irã agora escala para um cardápio de ações de maior monta —coincidentemente, no momento em que as pesquisas indicam cenário desafiador para o petista nas urnas.

A dúvida agora é até onde o governo vai para minimizar o desconforto da população em ano eleitoral, e sob quais critérios.

Se por um lado a equipe econômica apontou a lógica por trás do novo subsídio para o diesel importado (garantir o abastecimento interno com ajuda de R$ 1,20 por litro, equivalente à cobrança de ICMS), por outro não deixou claro o motivo de estender a ajuda extra ao produto nacional (R$ 0,80 por litro).

O subsídio ao gás de cozinha e o socorro ao setor aéreo, com desoneração do querosene e linhas de crédito com condições facilitadas, também se dão sob a justificativa da guerra, embora analistas vejam apenas o desejo do governo de tentar segurar na marra preços que impactam o bolso dos eleitores.

O verdadeiro custo das medidas ainda é desconhecido. O governo prevê impacto de R$ 31 bilhões com as ações voltadas a combustíveis, a ser coberto por um imposto sobre exportação de petróleo. Mas a conta desconsidera o custo de emprestar dinheiro (para o setor aéreo, por exemplo) a uma taxa menor do que aquela paga pelo próprio Tesouro para se financiar no mercado.

Enquanto os números dessa fatura continuam opacos, o governo discute como baixar a conta de luz e reduzir a fila do INSS. O terreno é fértil.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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