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20 de março de 2026

Governo Trump tenta arquivar caso ligado a Breonna Taylor – 20/03/2026 – Mundo

Governo Trump tenta arquivar caso ligado a Breonna Taylor – 20/03/2026 – Mundo

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos solicitou nesta sexta-feira (20) o arquivamento do processo criminal contra dois ex-policiais de Louisville, no Kentucky, acusados de falsificar um mandado de busca que levou colegas a atirar contra Breonna Taylor em 2020.

A morte da paramédica negra de 26 anos no incidente foi um dos episódios que desencadearam os protestos em larga escala contra o racismo nos EUA naquele ano.

Em um documento judicial, os advogados do departamento afirmam que não desejam mais prosseguir com o caso após uma revisão interna, e um porta-voz do órgão descreveu as acusações como um exemplo de “abuso de poder federal instrumentalizado” pelo governo do ex-presidente Joe Biden.

Sob Donald Trump, o Departamento de Justiça tem restringido ou abandonado muitos casos de direitos civis iniciados por gestões anteriores, incluindo aqueles relacionados a mortes de grande repercussão causadas por policiais. Agora, o arquivamento precisa ser aprovado por um juiz.

Após o episódio em 2020, o procurador-geral Merrick Garland acusou quatro membros da Polícia Metropolitana de Louisville de tomar medidas que levaram à morte de Breonna durante uma operação mal sucedida por um traficante de drogas com quem ela havia se relacionado anteriormente. Isso incluiu os dois policiais cujas acusações provavelmente serão arquivadas, Kyle Meany e Joshua Jaynes, que não estavam presentes no local do crime.

Breonna estava assistindo a filmes no apartamento que dividia com o namorado pouco depois da meia-noite de 13 de março de 2020 quando policiais à paisana arrombaram a porta em busca de drogas. O namorado dela, Kenneth Walker, acreditando que os invasores fossem ladrões, disparou um único tiro contra eles com sua arma registrada, e Breonna, desarmada, morreu sob a chuva de balas disparadas pelos policiais.

Nenhuma droga foi encontrada.

O caso já havia sido enfraquecido em agosto do ano passado, quando o juiz Charles Simpson 3º, de Kentucky, rejeitou algumas das acusações mais graves contra os dois policiais, incluindo acusações de que eles haviam cometido violações das leis federais de direitos civis.

Em sua decisão, o juiz reconheceu que estava preocupado com a possível falsificação do mandado pelos policiais, mas afirmou que o governo não conseguiu provar que suas ações levaram diretamente à morte de Breonna. Ele manteve várias outras acusações menores, incluindo contravenções por violações de direitos civis e acusações de que os policiais falsificaram documentos e conspiraram para ocultar suas ações.

Jaynes, ex-detetive do Departamento de Polícia de Louisville, e Meany, ex-sargento de Louisville, foram acusados de privar Breonna de seus direitos civis ao fazer declarações falsas em um depoimento usado para justificar a busca na casa da profissional de saúde.

“Kyle está extremamente grato pela decisão de hoje. Ele está ansioso para deixar esse assunto para trás e seguir em frente com sua vida”, disse Michael Denbow, advogado dele, em um comunicado. Já a defesa de Jaynes não respondeu imediatamente a pedidos de comentários. Ambos se declararam inocentes.

Kristen Clarke, que chefiava a divisão de direitos civis do Departamento de Justiça quando o caso foi instaurado, criticou o pedido de arquivamento. “Essa medida é indefensável e não encontra respaldo nos fatos e na lei”, disse ela. “É especialmente insensível que isso ocorra justamente quando as comunidades acabaram de marcar o sexto aniversário de seu trágico assassinato.”

A moção foi assinada por Harmeet Dhillon, chefe da divisão de direitos civis do departamento, que abandonou a missão histórica da unidade de combater a discriminação e a violência racial.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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