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20 de março de 2026

Guerra no Irã é a maior ameaça à segurança energética na história, diz chefe da AIE – 20/03/2026 – Economia

Guerra no Irã é a maior ameaça à segurança energética na história, diz chefe da AIE – 20/03/2026 – Economia

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O chefe da AIE (Agência Internacional de Energia), Fatih Birol, afirmou nesta sexta-feira (20) que guerra no Irã causou o mais grave choque energético de todos os tempos e que o fluxo de petróleo e gás no golfo Pérsico pode demorar seis meses ou mais para ser restaurado completamente.

“É a maior ameaça à segurança energética global da história”, afirmou Birol, que também ajudou a moldar a resposta da Europa à crise do gás após a Rússia invadir a Ucrânia, disse que o volume de gás cortado pelos combates é duas vezes maior do que a Europa perdeu em 2022 com a guerra entre ucranianos e russos.

O executivo ressaltou que mais petróleo foi perdido desta vez do que durante as crises da década de 1970, que desencadearam recessões e racionamento de combustível em todo o mundo. Nesta quinta-feira (19), o preço do barril Brent, referência mundial, chegou a alcançar US$ 119,11, maior patamar desde 9 de março.

Birol avaliou que políticos e mercados ainda estão subestimando a dimensão do problema energético. A crise crescerá a cada dia em que os fluxos de energia do Oriente Médio, que exporta 20% do petróleo e gás do mundo, permanecerem bloqueados pela restrição ao tráfego no estreito de Hormuz.

“As pessoas entendem que este é um grande desafio, mas não tenho certeza de que a profundidade e as consequências da situação estão sendo bem compreendidas”, afirmou o comandante da AIE.

Mesmo que o conflito terminasse e o estreito fosse reaberto, Birol disse que “levará muito tempo” para retomar a operação nos campos de petróleo e gás, muitos dos quais foram fechados ou danificados. “Levará seis meses para alguns [locais] estarem operacionais, outros muito mais”, previu.

Ele se recusou a estimar qual patamar os preços do petróleo e do gás podem alcançar, mas disse que os preços provavelmente continuarão a aumentar enquanto o estreito continuar bloqueado.

As ameaças do Irã de disparar contra embarcações paralisaram “artérias vitais”, afetando o fornecimento mundial de fertilizantes para cultivos, petroquímicos para plásticos, roupas e manufatura, além de enxofre e hélio. “Estas são commodities vitais para a economia global”, declarou Birol.

Na semana passada, a AIE anunciou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo e produtos refinados dos estoques dos países do G7 para aliviar a escassez em todo o mundo, o que Birol disse representar apenas 20% de suas reservas.

“Ainda temos 80% no bolso”, disse, acrescentando que manteve conversas com Canadá, México, Brasil, Noruega e outros países sobre o aumento de sua produção de petróleo e gás. Mas ele disse que tais fluxos não resolveriam a perda de energia do Oriente Médio.



A ação mais importante é a retomada dos trânsitos pelo estreito de Hormuz

Ele pediu aos políticos na Europa que não recuem das sanções ao gás russo, dizendo que não deveriam repetir o erro de depender excessivamente dos fluxos de energia de Moscou. Na semana passada, os EUA suspenderam as sanções para navios-petroleiros da Rússia que estão em alto-mar.

Birol observou que usar gás russo faz pouco sentido econômico, já que seu preço tradicionalmente está atrelado ao preço do petróleo. “O gás russo custaria próximo ao preço atual do gás na Europa hoje”, comentou o chefe da AIE, que disse que os gasodutos Nord Stream da Rússia não estão operacionais e que a reputação de Moscou como fornecedor confiável e de longo prazo foi destruída.

Ele também previu que a crise energética desencadeará uma onda de mudanças políticas por parte de governos em todo o mundo, comparando a situação à forma como os políticos responderam aos choques gêmeos do petróleo em 1973 e 1979.

“Houve três respostas. Mais de 40% da energia nuclear que temos hoje foi construída em resposta àquela crise. A quantidade de combustível que o carro médio usa caiu pela metade nos 10 anos após o choque. E os países mudaram suas rotas comerciais”, recordou.

Em resposta à guerra com o Irã, ele previu que haverá um impulso renovado para a transição para energia renovável, outro boom para a energia nuclear, um impulso para veículos elétricos, mas também um retorno ao uso de mais carvão em vez de gás.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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