O diretor-presidente do SGB (Serviço Geológico do Brasil), Vilmar Medeiros Simões, afirmou em entrevista à CNN que a instituição está trabalhando em novos mapeamentos para identificar depósitos de cobre no país e que as reservas brasileiras do metal podem aumentar nos próximos anos.
Vilmar foi entrevistado nesta semana no Mapa da Mina, programa do CNN Money que discute os rumos da indústria de mineração.
“Há expectativa de que realmente a gente aumente o conhecimento sobre as reservas de cobre disponíveis. Os estudos estão sendo empreendidos. Mas há expectativa de que haja outros depósitos e outras áreas de interesse para cobre do país”, disse.
Considerado pelo setor como o “mais crítico” dos minerais, o cobre é essencial para praticamente toda tecnologia ligada à eletrificação da economia.
O metal é utilizado em sistemas de transmissão e distribuição de energia, redes elétricas, veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, baterias, eletrônicos e infraestrutura digital.
Até mesmo o avanço da inteligência artificial deve aumentar a demanda pelo metal.
O treinamento e operação de modelos de IA ocorre em grandes data centers, que exigem enorme infraestrutura elétrica.
Nessas instalações, o cobre é utilizado em equipamentos de distribuição de energia, sistemas de resfriamento e infraestrutura de rede, graças à sua alta condutividade elétrica e térmica, durabilidade e custo relativamente baixo. Ou seja: praticamente toda tecnologia moderna precisa de cobre.
Esse crescimento acelerado da demanda já levanta alertas sobre a capacidade de oferta do metal no longo prazo.
A IEA (Agência Internacional de Energia) projeta que o mercado global de cobre pode enfrentar um déficit de oferta de até 30% até 2035, caso novos projetos de mineração não avancem no ritmo necessário.
Atualmente, o Brasil responde por cerca de 1% da produção mundial de cobre, com a produção concentrada em poucas minas espalhadas pelo território nacional.
Um estudo do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) indica que o país deve receber cerca de US$ 8,6 bilhões em investimentos no setor de cobre até 2030. O SGB colocou o mapeamento e a prospecção de cobre entre as prioridades estratégicas da instituição, com foco especial na região de Carajás.
Carajás é hoje a principal província mineral do país, mas não é a única com potencial para novas descobertas.
Outras regiões consolidadas, como o Vale do Curaçá, na Bahia, e o Arco Magmático de Goiás, também apresentam potencial para novos depósitos.
Além disso, existem áreas ainda pouco exploradas, mas consideradas promissoras, como as províncias Rondônia–Juruena–Teles Pires e Tapajós.
Fonte: CNN Brasil


