9:04 AM
28 de janeiro de 2026

Hotéis servem café ruim e desmerecem símbolo do Brasil – 28/01/2026 – Café na Prensa

Hotéis servem café ruim e desmerecem símbolo do Brasil – 28/01/2026 – Café na Prensa

PUBLICIDADE


O serviço de café na hotelaria nacional evoluiu, mas a qualidade da bebida ainda é sofrível na maioria dos estabelecimentos voltados ao turista estrangeiro.

Bebida que é um símbolo do Brasil, o café deveria ser melhor apresentado aos que visitam nosso país. É como ir à França e tomar vinho de baixa qualidade ou provar chá ruim na China.

O produto é, afinal, parte da nossa história econômica, social e cultural. O café moldou cidades, inclusive São Paulo, a maior do país, e está no imaginário internacional ligado ao Brasil.

Até Frank Sinatra celebrou essa abundância em “The Coffee Song” (1946), ao cantar que, entre os brasileiros, “os grãos de café crescem aos bilhões” (“way down among Brazilians / coffee beans grow by the billions”).

O Rosewood, considerado um dos melhores hoteis do Brasil, em São Paulo, é um exemplo desse descompasso. Em novembro, a coluna visitou o Le Jardin, “um glamuroso e contemporâneo grand café”, nas palavras da própria empresa. No pomposo estabelecimento, que ocupa um grande salão do hotel, o espresso estava desregulado, com torra excessiva, pouco corpo e amargor acentuado. O café preparado de qualquer jeito custou R$ 25. As madeleines que acompanhavam a xícara, essas sim estavam deliciosas, um raro exemplo de guarnição que vai bem com um espresso sem ofuscá-lo. Pena que, aqui, o ofuscamento teria sido um alívio.

Felizmente, há exceções. No Fairmont do Rio, até o coado mais simples, servido no café da manhã, é feito grãos produzidos pela fazenda Camocim, nas montanhas do Espírito Santo. O resultado é uma bebida doce e com acidez agradável. Dentro do hotel há ainda uma cafeteria capaz de preparar a bebida em diferentes métodos.

Também no Rio, o MGallery Santa Teresa –que fica em um terreno onde funcionava uma fazenda de café até o século 19– serve grãos especiais torrados pela Tassinari. Segundo Sophie Barbara, gerente-geral do hotel, o estabelecimento faz uma experiência de café aos sábados, gratuita para hóspedes.

“Todos os nossos hóspedes recebem um café gelado no momento do check in. Usamos o café em drinque, sobremesas especiais e mesmo na comida, para lembrar do ingrediente icônico do hotel que é o café”, diz Barbara, segundo a qual até a decoração remete ao produto.

Consta que o Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, já promoveu uma degustação de cafés fermentados, sinal de que está atento às tendências e novidades do setor.

Embora haja uma quantidade crescente de bons exemplos, infelizmente a maioria dos hoteis ainda presta um desserviço ao apresentar os cafés do Brasil de forma medíocre. Não é preciso servir um café extraordinário; um grão especial de entrada bastaria.

O café servido em hotéis é um cartão de visitas para os turistas. A potência cafeeira merece mais do que um serviço que, infelizmente, ainda beira o amadorismo.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte.:Folha de São Paulo

Leia mais

Rolar para cima