Turista não há de reclamar de uma dose extra de conforto. Mesmo quando o propósito do turismo tem seu quê radical ou de imersão na natureza, mal não faz um elemento que deixe tudo mais suave —em especial se uma opção “radical raiz”, com o perdão da redundância, continuar à mão de quem desejá-la.
Para conhecer as cataratas do Iguaçu e vê-las das clássicas passarelas sobre as águas, por exemplo: visitantes podem deixar de lado os ônibus que cortam a BR-469 fazendo paradas em pontos estratégicos do parque nacional e optar por uma trilha de bicicleta.
Trilha-trilha, que fique claro. Um percurso que corta trechos de mata atlântica, se bifurca para desviar de árvores frondosas, escorrega em longas descidas, tem um sem-número de curvas angulosas e permite cruzar aqui e ali com animais selvagens. Mas trilha com sua dose de conforto, já que a pista inaugurada há um ano é completamente asfaltada —parte de um milionário pacote de melhorias do parque.
A Ciclovia das Cataratas parte do centro de visitantes. Atrás do ponto de ônibus, uma estrutura recebe os turistas e disponibiliza capacetes e as bikes, em vários aros, versão elétrica e com marcha e em bom estado, inclusive de freio (o aluguel por duas horas custa a partir de R$ 50 e a diária, de R$ 70). Dali, toma-se o caminho da trilha, não sem antes um monitor detalhar as rotas possíveis e os cuidados a tomar.
O principal deles: como o sinal de celular pode não abranger toda a área, a cada 2 quilômetros há caixas com duas bandeiras; se algo tiver acontecido a um ciclista, recomenda-se ir até a estrada e agitar a de cor vermelha para o primeiro veículo que passar; se algo tiver acontecido com uma bike, a de cor branca.
A estrada, diga-se, está logo ali. É possível ver a BR-469 por entre as árvores em vários trechos —elas ao menos abafam o ruído dos motores do lado de lá para privilegiar o canto das aves do lado de cá. A ciclovia ainda atravessa a BR em vários pontos e tem ela mesma longos trechos paralelos à via.
Neles, é preciso dizer, o passeio talvez perca um tanto da graça para quem espera pedalar embrenhado na mata, com ar fresco garantido e a possível companhia de cutias e, com sorte, de uma anta. Mas, vá lá, são momentos em que dá para acelerar um pouco mais na reta de asfalto lisinho e curtir o vento no rosto. Ou de fazer uma pausa para respirar e reabastecer a garrafinha de água. Ao todo, afinal, são 11,6 quilômetros.
Há pontos de apoio também onde a trilha principal se encontra com outras quatro rotas: o circuito São João, que só pode ser percorrido a pé e começa ao lado de uma ponte boa para fotos; a trilha da Canafístula; o caminho das Bananeiras, que termina em um mirante para o rio Iguaçu; e o caminho do Poço Preto. Este cobra ingresso extra (a partir de R$ 160) e é a tal opção “radical raiz”, já que percorre um percurso de 18 quilômetros sem pavimentação e de mata mais fechada.
No caminho das Bananeiras também fica uma estação da Bike Iguaçu, onde as bicicletas podem eventualmente ser devolvidas. As outras duas estações estão no centro de visitantes e ao lado do mirante que leva às passarelas para as cataratas. Se a ideia for seguir a pé por esse caminho, vale atenção ao relógio, para o horário-limite de permanência no parque e de retorno à recepção —o repórter confessa que, na volta, deixou o ônibus encarar a subida. A energia para turistar em Foz do Iguaçu é bem-vinda.
O jornalista viajou a convite da Urbia+Cataratas
Fonte.:Folha de S.Paulo


