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Introdução
O perigoso vírus Nipah reaparece na Índia, com dois casos em profissionais de saúde em Bengala Ocidental, região sem registros desde 2007. Com letalidade de até 75%, sem vacina ou tratamento, o Nipah é prioridade da OMS. A transmissão pessoa-a-pessoa é um alerta, mas autoridades pedem calma.
- Alerta na Índia: Vírus Nipah confirmado em Bengala Ocidental após 17 anos, com dois casos em profissionais de saúde.
- Perigo e Incurabilidade: Letalidade de até 75% e ausência de vacina ou tratamento específico.
- Prioridade Global: Classificado pela OMS como doença prioritária devido ao potencial epidêmico.
- Vias de Transmissão: Pode se espalhar de animais para humanos, por alimentos ou de pessoa para pessoa.
- Situação Atual: Pacientes em UTI na Índia; autoridades pedem cautela, mas não pânico, sem registros fora do país.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Autoridades de saúde da Índia confirmaram, na última semana, dois casos de infecção pelo vírus Nipah (NiV) entre profissionais de saúde em Calcutá, capital do estado de Bengala Ocidental.
Os diagnósticos foram confirmados pelo Instituto de Ciências Médicas de Kalyani (AIIMS, na sigla em inglês), outra cidade do estado. De acordo com a instituição, os pacientes estão atualmente em ventilação mecânica devido à encefalopatia grave, causada pela infecção.
Este é o primeiro registro da doença na região desde 2007, de acordo com relatório divulgado pela Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido. Até então, os casos notificados na Índia ocorreram principalmente no estado de Kerala, no sul do país, com episódios praticamente anuais entre 2018 e 2025.
O espalhamento do vírus para uma região que há 19 anos não notificava casos levanta preocupação, visto que o Nipah faz parte da lista de doenças prioritárias da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a entidade internacional, a lista engloba as enfermidades que representam um risco para a saúde pública devido ao seu potencial epidêmico e para as quais não existem contramedidas suficientes.
O vírus Nipah (NiV) tem uma taxa de letalidade que pode chegar a 75%, não possui vacina ou tratamento específico e pode ser transmitido aos humanos por animais (como morcegos ou porcos), alimentos contaminados ou, ainda, diretamente de pessoa para pessoa.
Na Índia, investigações epidemiológicas tentam identificar a origem da infecção e se houve transmissão dentro do ambiente hospitalar. Segundo a mídia local, cerca de 190 amostras coletadas de pessoas que tiveram contato com os infectados testaram negativo.
Assim, as autoridades reforçam que não há motivos para pânico, embora seja necessário um estado de alerta no território indiano. Além disso, até o momento, não há registro de casos fora do país, de acordo com instituições sanitárias internacionais.
“No Brasil, a chance de surtos de grande magnitude é considerada remota, limitada a introduções pontuais e pouco prováveis. O alerta, portanto, não é para o pânico, mas para a vigilância qualificada”, destacou Carolina Lázari, médica infectologista e patologista clínica, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), em artigo para Veja.
+Leia também: “Vírus cerebral incurável”? O que é o Nipah, que matou jovem na Índia
O que é o vírus Nipah e como é transmitido
O vírus Nipah é um patógeno zoonótico emergente, do gênero Henipavirus. Em outras palavras, ele é um microrganismo transmitido de animais para humanos.
O principal reservatório natural desse vírus são morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-das-frutas. Mas o patógeno também pode infectar outros animais, como os porcos.
As rotas de transmissão para humanos incluem o contato direto com bichos infectados ou consumo de alimentos contaminados, como frutas mordiscadas por morcegos ou a seiva de tamareira coletada de forma artesanal, prática comum em algumas regiões da Ásia.
Além disso, o Nipah tem uma característica que preocupa autoridades de saúde: a transmissão entre humanos. Ela acontece principalmente pelo contato próximo com secreções respiratórias, saliva ou fluidos corporais de pessoas infectadas.
A exemplo, segundo a OMS, de 2001 a 2008, cerca de metade dos casos relatados em um surto ocorrido em Bangladesh foram devido à transmissão de pessoa para pessoa em hospitais, durante o atendimento a pacientes infectados.
A doença é considerada uma das mais perigosas para a OMS porque tem taxas de letalidade que variam entre 45% e 75%.
Em pessoas infectadas costuma causar uma variedade de doenças, desde infecções assintomáticas até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal (um tipo de inflamação grave e aguda na parede cerebral).
Os primeiros surtos foram relatados na Malásia, em 1999. Inicialmente, a doença afetou granjas de suínos, se espalhando entre criadores de porcos e deixando mais de 100 mortos.
Mais tarde, a doença chegou em Bangladesh, onde foram registrados surtos quase todos os anos desde 2001. Ao todo, entre 2001 e 2024, foram confirmados 343 casos e 245 mortes.
Na Índia, o primeiro surto ocorreu em 2001, também em Bengala Ocidental. Mas, desde então, como visto,, novos episódios vinham sendo registrados principalmente no estado de Kerala.
Sinais e sintomas
Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em seguida, podem surgir tonturas, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda.
Alguns pacientes também desenvolvem pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo a síndrome do desconforto respiratório agudo. Em alguns casos mais agudos, também podem ocorrer convulsões e coma em um intervalo de 24 a 48 horas.
Entre os sobreviventes, a maioria se recupera completamente, mas, segundo a OMS, cerca de 20% pode apresentar sequelas neurológicas de longo prazo, como epilepsia e alterações de personalidade.
Um pequeno número de pacientes apresenta recaída ou desenvolve encefalite de início tardio.
Tratamento
Atualmente, não existe vacina nem antiviral aprovado contra o vírus Nipah. O tratamento é baseado em suporte clínico intensivo para controlar complicações respiratórias e neurológicas.
Esse cenário limita as opções terapêuticas em caso de surtos maiores e reforça a necessidade de detecção precoce e isolamento rápido dos pacientes.
Até o momento, as autoridades de saúde monitoram a situação e mantêm protocolos de vigilância ativa para identificar novos casos e possíveis cadeias de transmissão. O acompanhamento epidemiológico e as medidas de controle visam impedir a disseminação do vírus, especialmente em ambientes de assistência à saúde.
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Fonte.:Saúde Abril


